Acho que virei fotógrafo porque tenho uma memória péssima. Não que meus colegas de profissão também sofram do mesmo mal. É que o fotografar, de alguma maneira, disfarça esta minha preguiça mental de ter que guardar periodicamente, lembranças. Tá lá, tenho um registro num suporte físico. E além do mais, contruir a memória via imagens dos vários aquis e agoras é no mínimo divertido e por isso vou fotogarrafando e lembrando e fuçando e revirando gavetas e esquecendo... Isso sim que é memória seletiva! Talvez por isso que eu seja feliz e às vezes dá vontade de acreditar em Deus, só para ter a quem agradecer esta brincadeira de existir.

Quando o CORALUSP entrou em fila no silêncio do anfiteatro, a minha memória não falhou. Vi, com surpresa, a professora Maria Aparecida Aquino parando bem no meio do palco e lembrei-me imediatamente de suas aulas de História Contemporânea II, das análises dos textos sobre a imprensa alternativa, dos calhamaços de xerox sobre o poder, a violência policial e a censura, etc. Aulas de dois semestres na História, em 1993, que valeram um curso inteiro de jornalismo na Cásper Líbero. Cursei uns 4 semestres, ou mais, na FFLCH que mudaram radicalmente a minha visão de mundo, ainda bem. O ruim era que tudo era muito teórico, aliás só teórico.
Meu pai tinha uma câmara Pentax que estava há 4 anos no armário, desde que morrera. Catei a máquina sem sua permissão e fui viajar pelo Rio São Francisco, só, Xique-Xique e Sobradinho adentro, com uma mochila, Juazeiro e Petrolina, uma caneta e um caderno e desde então perdi o bonde e virei fotógrafo.
cool
Posted by: amelie at junho 19, 2004 08:23 AMMin, que engraçada essa história da memória, por que eu sou exatamente o contrário. Eu não sei fotografar bulhufas, sou daquelas que corta cabeça das pessoas na fotinho posada de aniversário. Mas no entanto eu me lembro. Não tenho uma foto das viagens mais legais que eu já fiz, mas me lembro de cenas e cheiros e cores como se estivessem aqui. O ruim disso é que não dá para dividir com ninguém e acaba justinho no dia em que eu morrer. Podiam inventar uma máquina de imprimir memórias...
Quanto ao caderno do velho chico, vamos fazer um livro, he he. Eu digito e enfeito,você põe as fotografias e arranja a editora.
Um beijo
Adriana
cara, eu tenho um cadernão do velho chico. um dia ainda contrato alguém para digitá-lo e então faço um post! :)
ei paulo, vou mudar as coisas por aqui. resolvi botar em prática uma idéia de longa data e que acho que está quase chegando a hora de botar na roda. Vai ficar tudo multimidia por aqui. foto + voz + barulho + movimento
fala, min, blz?
mesmo com vc sem vontade de postar, to gostando do novo fotogarrafa. quando vc vai contar mais dessa historia do Sao Francisco? que tal abrir o caderninho?
abraço,
Pô legal saber que tu foi aluno de história. Eu atualmente estou fazendo o mesmo curso aqui na UFRGS. Me formei em computação faz uns 2 anos e tão logo pude fiz um outro vestibular. Cara, sinto que algumas das aulas podem dar uma tremenda base para que se possa fazer melhores fotos quando se fala em fotojornalismo ou outro tipo de fotografia documental. Grandes fotógrafos sempre aconselham que se faça cursos de humanas como um suporte para a fotografia. Eu concordo. Por sorte gosto o bastante de história e vejo essa área e a fotografia convergindo quase para um caminho comum. Lendo esse teu texto achei que foi um pouco isso que aconteceu contigo. Um Abraço
Posted by: Anderson at abril 22, 2004 11:41 AMEu tambem uso minhas fotos antigas para refrescar a memoria e tambem perdi o bonde da Engenharia civil porque o meu pai tinha varias cameras e eu achei que estando com uma delas penduradas faria sucesso com as minas, hehe.
Posted by: Toth at abril 20, 2004 02:31 PMMin, o Gabriel está estudando história. Vou perguntar a ele se ele conhece a Maria Aparecida. Por falar em memória, a minha é péssima. Nomes é uma desgraça. Fisionomias, pior ainda. Música... vai mal também. Paradoxalmente, lembro de coisas inusitadas. E lembro de números. Aliás, muitos números. Para mim, a fotografia começou por necessidade. Alguém tinha que registrar em fotos o que rolava no Pés no Chão. Atualmente, é mais que isso. Gosto de tocar o Kalinesia. Estou no primeiro ano. Talvez mude. Por hora, fico estasiado com os rostos, as expressões, as criações daquela gente. Sou 1% ator, e 99% espectador. Em diversas ocasiões imagino que aquele determinado momento deveria ser preservado. Se estou com a digital na mão, eu clico. Vez ou outra, vira uma foto de verdade. É raro, mas acontece. Um abraço enorme, Ruben. PS. Em algum lugar do universo, há um pai que sente um orgulho enorme de você. Além do mais, de que vale uma Pentax num armário. E por falar nisso, dê um destino àquela Epson. O mundo precisa de gente registrando os momentos....
Posted by: Ruben at abril 20, 2004 09:22 AM