janeiro 14, 2005

Mano a mano

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC-SP
Estudantes da PUC e de cursinhos populares reivindicam diálogo com a reitoria por critérios mais justos na distribuição de bolsas de estudos e pela isenção de taxa de matrícula para os estudantes de baixa renda.

Confronto com a Reitoria marca matrícula de ingressantes
por Ébano
No dia 14/1, sexta-feira, último dia de matrícula da segunda chamada, o Centro Acadêmco de Ciências Sociais, Cacs, membros do Movimento dos Cursinhos Populares da PUC e estudantes aprovados no vestibular 2005 provenientes de bairros de periferia, foram impedidos de realizar uma manifestação no Prédio Novo por seguranças da universidade. Os estudantes reivindicavam a isenção da taxa de matrícula para os alunos de cursinhos populares que foram aprovados no vestibular mas não têm condições de pagar a matrícula.Na primeira chamada e também no dia 13/1, os estudantes realizaram uma passeata pelos corredores do Prédio Novo, onde acontecia a matrícula, protestando com apitos e correntes. No dia 14/1 os estudantes pretendiam repetir o protesto, mas foram impedidos pelos seguranças da universidade, que postaram-se na entrada das rampas do Prédio Novo, impedindo sua passagem.O presidente da AFAPUC, Anselmo Antonio da Silva, tentou intermediar o conflito, mas seus argumentos não foram levados em conta pela direção da universidade. Anselmo fez uso da palavra, afirmando que em seus mais de 20 anos de universidade não havia visto tal tipo de repressão. A manifestação dos estudantes ganhou o apoio de participantes do curso de verão - curso promovido pela Igreja Católica, cujo tema geral era solidariedade. Das sacadas do Prédio Novo, os participantes do curso aplaudiam os estudantes. Um dos alunos do curso procurou o PUCviva para relatar que tal manifestação estava sendo também impedida pela Reitoria, que mandava que as pessoas voltassem às salas de aula.Diante do anúncio de que a Reitoria estaria disposta a negociar, os estudantes recuaram. Uma reunião aberta foi feita. Após duas horas de discussão, a direção da universidade apresentou a mesma proposta que havia feito na semana anterior, ou seja, parcelamento da taxa de matrícula em três vezes para os alunos carentes. Os estudantes continuaram discordando da proposta e emitiram uma nota em que acusam a Reitoria de tê-los enganado durante a negociação e de coagir os alunos carentes ao anunciar que a concessão do parcelamento estaria vinculada ao controle do rendimento acadêmico dos estudantes. Já a Reitoria, em carta à comunidade, lamentou “as manifestações ocorridas, que não se justificam em uma universidade que sempre praticou uma ampla política de inclusão responsável, garantindo a presença em seu corpo discente de numerosos estudantes pertencentes às camadas populares da sociedade”.

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC-SPDigital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC

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Movimento dos Cursinhos Populares: a luta diária!
O Movimento dos Cursinhos Populares sente a necessidade de vir a público expor seus objetivos, métodos de luta e um histórico da batalha travada na PUC-SP. O movimento é composto por diversos cursinhos (inclusive o Cursinho dos Alunos da PUC), por estudantes desta e de outras universidades, integrantes de outros movimentos sociais e demais pessoas que se identificaram com a luta.Muitos alunos de nossos cursinhos prestaram vestibular para universidades públicas e não foram aprovados. Alguns se inscreveram na PUC e foram aprovados, mas não têm como pagar a taxa de matrícula. Até agora a isenção da taxa de matrícula só se realizava em caráter de exceção, diante da humilhação do aluno e sob o juramento de sigilo. A partir disso, decidimos lutar pela isenção da matrícula, organizados no Movimento dos Cursinhos Populares.A princípio, recorremos aos meios disponíveis na PUC para reivindicar a isenção. Participamos de três reuniões abertas com a Reitoria, para as quais não fomos convidados, mesmo entregando nossa pauta com antecedência. Na última reunião aberta, estavam presentes os vice-reitores administrativo e comunitário, que nem ao menos sabiam de nossa presença nas reuniões anteriores.Por não obtermos resposta até o dia 5/1/05, quando saiu a primeira lista, decidimos pela manifestação. No dia 6/1, na primeira chamada do vestibular, cerca de 60 estudantes subiram as rampas da PUC acorrentados, pedindo a isenção. Representantes da Reitoria se propuseram a negociar com o Movimento e, em uma assembléia, tiramos uma comissão para ouvir qual era a proposta. Na reunião, houve a negação da isenção de matrícula e a proposta de formação de um Grupo de Trabalho para discutir bolsa de estudos. O Movimento afirmou que, sem a isenção da taxa de matrícula, a luta e as manifestações continuariam. No dia seguinte, muitos alunos foram obrigados a matricularem-se em um parcelamento em 3 vezes para não perder a vaga, tendo que pedir dinheiro emprestado para pagar a prestação, já que muitos não tinham dinheiro.Na segunda chamada, a luta continuou, e a Reitoria passou a incitar a desmobilização com ameaças e difamação do Movimento. No dia 13/1, às 21h, em reunião fechada, a Reitoria tentou forçar a desvinculação do Centro Acadêmico de Ciências Sociais do Movimento, exigiu que os manifestantes desocupassem o CA e jogassem fora as correntes usadas durante a manifestação, e entregou uma carta cobrando uma posição do Centro Acadêmico.Denunciamos a atitude coercitiva da Reitoria em uma manifestação, mas a repressão não findou. Para impedir nossa passagem pela rampa, uma verdadeira muralha humana foi montada, com cerca de 20 homens do corpo de segurança da universidade. Alguns alunos do Curso de Verão se solidarizaram com a luta. As falas ao microfone denunciaram essa atitude autoritária de negar o direito à manifestação. A Reitoria impediu inclusive que alunos do Curso de Verão se integrassem ao movimento, com a ameaça de perda da sede do curso. O vice-reitor comunitário, João Décio Passos, chegou a agredir verbalmente a aluna Vitória Vassoler, formada pela PUC e integrante do Educafro, chamando-a de indecente, com o dedo hasteado em sua face. Na negociação do dia 14/1, a Reitoria novamente se negou a conceder a isenção. Os representantes que articularam a reunião, depois de conversa com o Sr. João Décio, mantiveram o mesmo parcelamento da 1.ª chamada. Tal demora das negociações ocasionou a perda do prazo para efetivação da matrícula. Frente a essa situação de comprovado desrespeito, conseguimos, depois de muita luta, que a matrícula fosse feita na segunda-feira 17/01/05.O fato é que, nessa negociação, fomos enganados pela Reitoria. Os alunos tiveram que entrar com recurso para matrícula fora de prazo. Com a matrícula sendo efetivada sob recurso, João Décio e Silvana Tótora puderam conversar em particular com cada um dos estudantes e, covardemente, coagi-los a deixar o Movimento. João Décio disse que o desempenho acadêmico destes alunos será acompanhado de perto. Coagiram-nos a assinar um documento condicionando a efetivação plena da matrícula ao pagamento das duas parcelas restantes. Verbalmente, condicionaram a concessão de bolsas à não-atuação do aluno no Movimento dos Cursinhos Populares ou mesmo no C.A.. Devido a esses acontecimentos, chamamos as entidades dessa universidade (centros acadêmicos, Apropuc, Afapuc e demais estudantes) a apoiar luta pelo acesso e permanência dos estudantes de baixa renda na universidade e pela liberdade de expressão e livre manifestação dos movimentos sociais dentro da PUC.Na luta pelo direito ao ensino superior a todos, e não só para uma camada privilegiada. Pela universidade pública e gratuita para todos. Pela periferia na academia!
Nossos contatos: 3670-8340.
E-mail: movimentodoscursinhos populares@yahoo.com.br.
Movimento dos Cursinhos Populares



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