É fato! Fiquei conhecido como o fotógrafo que apanhou do vizinho do Maluf. Sou assim apresentado quando reencontro alguém acompanhado na fila do cinema. É assim na banca do pastel, no elevador, na rua, no cafezinho de todo dia, na pauta, num churrasco no sítio ou numa reintegração de posse noutro sítio, no boteco, tem segurança que eu nunca vi e que me chama pelo nome. E aí Min! Até o fotojornalista do Estado de São Paulo, Nilton Fukuda, também de origem oriental como eu, chegou e me disse: -Velho, não aguento mais repetir que não fui eu quem apanhou do Maluf!
E muita gente, jornalistas, fotógrafos, desconhecidos vêm me perguntar, alguns até me intimando, e aí, tá processando o segurança? Fico constrangido, porque ainda não formalizei nenhuma representação. Na época do incidente escrevi indignado a pedido do Sindicato dos Jornalistas este texto, e claro, tudo o que escrevi tá valendo.
A empresa Folha da Manhã, não irá prestar assessoria jurídica alguma num processo civil contra a empresa de segurança patrimonial, alegando os altos valores das custas do processo. Além do mais no dia 31 de janeiro fiquei sabendo que a partir de 1º de fevereiro eu não trabalharia mais na equipe de fotógrafos do jornal, ou seja, foi um valeu mas apartir de amanhã você está fora. Mas o que eu queria dizer mesmo é que para eu entrar com a ação civil vou ter que juntar quase 2 meses do salário que eu ganhava para pagar o advogado e iniciar a ação. E claro que não tenho sobrando, enfim, em até duas semanas, gasto todas as minhas reservas mas entro com a porra do processo -não vou precisar mais ouvir por hora, o "ainda não entrou!?!?"- e em alguns anos, se nós (os fotojornalistas) ganharmos, pelo menos não vou ser o coréia que apanhou do segurança e sim o repórter-fotográfico que processou e ganhou a ação contra a empresa de segurança e vigilância patrimonial, Gocil, responsável por 15.000 funcionários, dentre eles o segurança Marcelo Silva, treinado em Israel, segundo o próprio dono da Gocil, mas sem o mínimo preparo profissional, um cara que anda armado, cego em suas ações pela certeza da impunidade. Pelo menos os milhares de seguranças desta empresa vão ter que pensar mais de duas vezes antes de agredir um cidadão no exercício de sua profissão.
Manos, não vou deixar barato, não vou ficar quieto, e nem vou fingir que não estou vendo!