maio 20, 2005

Revolta Informal

Digital, Marcelo Min, Rua Dom  José de Barros, manifestação dos camelos que fecharam todas as lojas do centrão

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Camelos fecharam todas as lojas do centrão.

"Economia informal cresce e supera 10 milhões de negócios no país
(Por Andrei Khalip)

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A economia informal no Brasil cresceu 9 por cento entre 1997 e 2003, superando 10 milhões de negócios, apontou nesta quinta-feira um estudo do IBGE. Das pequenas empresas fora do setor agrícola no país, 98 por cento estão na informalidade.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística afirmou que o setor informal empregava quase 14 milhões de pessoas em outubro de 2003. O número representa aumento de 8 por cento em relação a 1997.
O estudo seguiu a metodologia da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e classifica como setor informal os negócios de produção em pequena escala, baixo nível de organização e quase nenhuma separação entre capital e trabalho.
Oitenta e oito por cento dessas empresas não são registradas juridicamente, segundo o estudo.
A maior parte dos negócios informais é composto por autônomos, que vão de vendedores de rua a fotógrafos de casamento e massagistas.
O emprego no setor informal é responsável por cerca de 25 por cento da força de trabalho, excluídos os postos de trabalho na área de agricultura.
O IBGE destacou a pequena tendência de formalização, já que o número de pequenas empresas (registradas e não registradas) subiu 10 por cento de 1997 a 2003, enquanto o crescimento de empresas informais foi de 9 por cento.
"Isso aponta um pequeno aumento na formalidade (da economia)", indicou o IBGE.
Trabalhar sem registro em carteira é a única forma de sobrevivência para milhões de brasileiros. Sem esses empregos, a taxa de desemprego no país seria muito mais alta que os atuais 10 a 11 por cento.
Os economistas, no entanto, dizem que empregos e empresas não registrados representam um problema para a maior economia da América Latina por conta da ineficiência e da evasão de impostos. Para eles, o país deve resolver a questão se quiser atingir crescimento sustentável.
O IBGE acrescentou que o número de empresas lucrativas no setor informal caiu para 73 por cento em 2003 em relação aos 93 por cento em 1997. A receita média mensal recuou para 1.754 reais em 2003, ante 2.183 reais em 1997 e o lucro líquido caiu de 977 reais para 911 reais.
"O empobrecimento do setor informal é diretamente ligado ao fraco crescimento econômico entre 1997 e 2003", disse Luis Carlos Barbosa, diretor-técnico do serviço nacional do Sebrae, que ajudou o IBGE na pesquisa.
"O número de empresas informais aumentou, mas a economia não acompanhou esse movimento. Assim, apenas o número de fatias do mesmo bolo aumentou."
Cerca de 94 por cento das companhias não utilizaram crédito para desenvolver seus negócios pelo menos nos três meses anteriores à pesquisa.
De acordo com o estudo, mais da metade das empresas informais não fazem contabilidade. O número é maior que em 1997, quando 46 por cento não adotavam essa prática.
O IBGE disse que o comércio e consertos são responsáveis por 33 por cento das atividades informais, seguidos pela construção civil."

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