Lembra a estória do prédio inteligente do CDHU da Móoca, com tecnologia inédita na América Latina, onde os moradores teriam acesso à internet pela tomada elétrica? Pois é, a inauguração teve a presença do governador que não é mais governador, do prefeito que não é mais prefeito e de toda a imprensa paulistana.
Palhaçada. O que se divulgou, sala de computadores tinindo, internet na tomada dos apartamentos que nem mágica foi tudo um truque. Mais uma vez uma mentira espalhada ao vento.

CDHU Móoca - B, Família de Andréa Barbosa e o computador desligado
Edifício dito inteligente continua burro
Luciana Benatti/AFG para o Diário do Comércio
Navegar na internet é um sonho que os moradores de um conjunto habitacional construído pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) no bairro da Mooca ainda não conseguiram realizar. Nada demais, se não fosse esse um empreendimento anunciado pela CDHU como o primeiro conjunto habitacional inteligente da cidade. Inaugurado em julho de 2005 com a presença do ex-governador Geraldo Alckmin, o conjunto, formado por cinco prédios e erguido na rua Dr. Fomm, foi considerado inteligente por contar com uma tecnologia inédita na América Latina, que permitiria aos moradores usar qualquer uma das tomadas elétricas do apartamento para se conectar à internet.
Conhecida pela sigla PLC (do inglês Power Line Communication, ou comunicação por linha de força), essa forma de transmissão de dados por rede elétrica já está disponível em países como Espanha, Alemanha e Estados Unidos. No conjunto habitacional da Mooca, foi disponibilizada pela Eletropaulo como parte de um projeto-piloto. No entanto, o uso do PLC para acesso à internet em banda larga continua apenas na promessa.
Desde agosto, quando mudou com a família para um apartamento no conjunto habitacional da Mooca, Andréa Barbosa mantém a expectativa de poder navegar na internet "até pela tomada do banheiro", como foi prometido na inauguração da obra. O computador comprado depois da mudança se encontra hoje desligado, sobre a mesa da sala.
"Chegamos a usar a internet umas três ou quatro vezes com linha discada, mas não é viável", diz Andréa. A Eletropaulo informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o PLC foi implantado nos cinco prédios do conjunto, mas ainda não está ativo em dois.
A CDHU atribuiu aos próprios moradores, que não teriam se organizado para contratar um provedor de acesso, o ônus da falta de acesso à internet nas tomadas dos apartamentos. Outra iniciativa anunciada como parte do pacote de inclusão digital dos moradores do conjunto, cujos moradores são famílias com renda mensal de um a três salários mínimos, também não vingou. Uma sala, na parte térrea do conjunto, foi equipada com 16 computadores para livre acesso à internet.


Os moradores alegam que só chegaram perto das máquinas, doadas pela Siemens, durante a festa de inauguração. Depois a porta da sala foi trancada com cadeado e assim continua até hoje. "A sala vai permanecer fechada enquanto eles não se organizarem para receber aquilo em doação. Eles não têm nem CNPJ", diz Raphael Pileggi, secretário executivo do Programa Qualihab da CDHU. De acordo com Pileggi, é preciso que os moradores primeiro constituam legalmente um condomínio para só depois receber os computadores em doação. Para desapontamento, principalmente das crianças do prédio, usuárias em potencial dos computadores doados.
Uma suposta tentativa de furto dos equipamentos, negada pelos moradores, também é alegada por Pileggi como outro motivo para que a sala permaneça trancada. "Se tem alguma coisa de errado não é com a gente, é com eles, que prometem e não estão cumprindo", diz o síndico Paulo Molina.
