À uma e meia da manhã desta quarta-feira, com uma névoa encobrindo o centro da cidade e os termômetros marcando 22°C, encontramos cerca de 60 integrantes do Movimento Sem Terra Leste I fazendo uma vigília em frente à Prefeitura. Vindos de bairros como São Mateus, Sapopemba e Guaianazes, eles estavam dispostos a passar a noite ao relento para cobrar o início imediato das obras do mutirão Quilombo dos Palmares, em São Mateus. Portando faixas de protesto, eles se reuniram em círculo, rezaram um Pai Nosso e estenderam lençóis no chão, em frente à prefeitura e ao longo de parte do viaduto do Chá, onde pretendiam passar a noite em vigília contra o descaso com que a atual gestão vem tratando a questão da moradia popular. No caso específico do Quilombo dos Palmares, eles cobram uma posição da Prefeitura em relação ao convênio firmado em abril de 2004, há exatos 730 dias. Assinado na gestão Marta Suplicy, o documento foi engavetado na gestão Serra/Kassab. A justificativa da Prefeitura é que não dá para começar as obras do mutirão enquanto não forem feitos os laudos técnico e ambiental da área e definido o traçado da avenida Jacu-Pêssego. “Na verdade, falta vontade política para resolver o problema”, afirma Valdir Lima Cordeiro, um dos coordenadores do Movimento dos Sem Terra Leste 1. Segundo ele, já foram feitas três reuniões com o secretário municipal de habitação, Orlando Almeida Filho, mas até agora nada foi feito.
texto: Luciana Benatti
A promotora de vendas Ednilde dos Santos, a Nilde, mora na Fazenda da Juta, numa casa construída em sistema de mutirão, resultado de oito anos de luta por moradia. Mas a casa não é dela, e sim de seu irmão. Nilde é apenas a suplente. Agora sua batalha é pela casa própria “não tão distante da capital, do convívio urbano.” Ela sabe do que está falando: além de moradia, reivindica também o seu direito à cidade, ao conhecimento, à convivência. “Moro na periferia, mas não sou periférica.”