Protesto de índios da aldeia Xicrin, em Carajás (PA), contra a Companhia Vale do Rio Doce.


Pajé Guaianá Murutuki XiKrin, esq



Cacique Bep-Karoti Xikrin, esq

Índios ignoram mandado e mantêm ocupação em mina da VALE
REUTERS, 19.10.2006
Fabio Murakawa
PARAUAPEBAS, Pará, 19 de outubro (Reuters) - Os cerca de 200 índios que ocupam as instalações da Companhia Vale do Rio Doce em Parauapebas (PA) prometem ignorar o mandado de reintegração de posse concedido pela Justiça e dizem que vão permanecer nolocal até serem recebidos pela diretoria da empresa.
Reivindicando um aumento na remuneração oferecida pela Vale, a construção de casas e manutenção de rodovias, os indígenas paralisaram a mina de minério de ferro de Carajás, que tem produção diária de 250 mil toneladas.
"Se a Vale fala alguma coisa, nós saímos. Se a Vale não fala nada, nós podemos ficar aqui até 90 dias", disse o cacique Bep-Karoti Xikrin, um dos líderes da ocupação.
O cacique, juntamente com cerca de 80 índios, passará a noite acampado em um centro comercial no Núcleo Urbano das instalações da Vale. A maioria instalou redes no coreto da praça e em um galpão próximo para dormir. Os demais permanecem na mina.
Bep-Karoti não se mostra preocupado com a possibilidade de uma ação violenta da polícia em eventual ação para cumprir a decisão da Justiça."Não tenho nada para conversar com a a polícia... A polícia não tira minério, quem tira minério é a Vale."
De acordo com a ordem judicial, os índios têm até as 16 horas de quinta-feira para deixar as instalações. A Justiça estipulou ainda uma multa diária de 10 mil reais em caso dedesobediência. Uma associação criada para funcionar como pessoa jurídica dos indígenas arcaria com esse valor, segundo o advogado Jorge Luis Ribeiro dos Santos, que acompanha os índios. A Vale se recusa a negociar com os índios enquanto a ocupação continuar. Oficialmente, a empresa afirma desconhecer o motivo da invasão e diz que os indígenas usam de "métodos ilegais" e que "não cederá a chantagens de qualquer espécie".
INVASÃO MASCULINA
Os cerca de 200 índios chegaram em ônibus fretados e entraram pela portaria da frente da empresa. Vieram acompanhados de apenas duas mulheres, Iredyan, 54 anos, e Noi-Beiti, 50anos. Criadas fora da aldeia Xikrin, no Pará, elas fizeram parte do grupo por saber falar português, o que é proibido para as mulheres da comunidade