No fim de maio, a Lu e eu passamos alguns dias em Pernambuco. Aproveitamos para conhecer um pouco do pré-sãojoão de Caruaru, e nos espantamos com a dimensão da festa. A cidade faz 150 anos. E Caruaru é definitivamente uma Crazy City. Para todos os lados, muitas bandeirinhas pré-fabricadas de plástico, balões de run e cervejas balangando no ar e monte de latas de pinga Pitú espalhadas pelo chão. Muitos policiais militares pela cidade. Música também por todos os lados. Sim, pelo menos umas 3 ou 4 tocando ao mesmo tempo, sempre no talo. Vem dos amplificadores na porta das lojas, do porta-mala levantado dos carros, do teto das kombis, dos onipresentes vendedores ambulantes de CDs e DVDs e seus carrinhos, até dos sorveteiros, alguns pedintes também usam o microfone. Lá, durante a noite, no arraial então nem se fala. Uma das únicas coisas que dava para entender do caldo sonoro era sempre o bordão calciiiinha pretaa.
Lá, as meninas todas de salto alto, devoram saquinhos de Podritos. Os rapazes, de camisetas agarradas com estampas costuradas, semi costumizadas e tênis Puma, estufam o peito com uma Pitú na mão.
Cadê as bandas de pífanos que ouvimos falar? E os trios de forró? O único que vimos só tinha uma senhorinha crazy dançando. Ficamos sabendo que em Caruaru o tradicional agora é coisa bem rara.
Cadê o Brasil rural sem toda a overdose tecnológica mal traduzida. Saco ficar reclamando, mas tenho certeza que esta rave junina é coisa de publicitários. Que fueda! Agora eles estão em todos os cantos.
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26/05/2007, Caruaru