agosto 21, 2008

A reportagem mais emocionante que já fiz

pDigital, Marcelo Min / Agencia Fotogarrafa, 20080624, Antônio Walter, o Cebolinha, em seu quarto na enfermaria de cuidados paliativos do HSPE
Antônio Walter, o Cebolinha, em seu quarto na enfermaria de cuidados paliativos do HSPE (clique sobre a foto para ver mais)

Depois de me aventurar, nos seis primeiros meses de vida do meu filho Tutu, no universo do parto natural, em que a idéia principal é respeitar o tempo e a lógica do corpo da mulher e do bebê, fui escalado pelo André Sarmento, editor de fotografia da revista Época, para acompanhar a repórter especial Eliane Brum numa matéria sobre a morte, sobre uma enfermaria de cuidados paliativos. Fotografei os últimos 3 meses de vida da merendeira Ailce de Oliveira Souza. Foi muito duro reportar, conviver, me envolver, fazer uma amiga tão carinhosa e no fim vê-la morrer.
Também por três semanas conheci um pouco do cotidiano dos pacientes, familiares e da equipe da Enfermaria de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Dirigido pela médica Maria Goretti Maciel, o 12º andar do hospital é um lugar onde a gente respira dignidade e respeito pela vida.
As reportagens estão aqui:
A enfermaria entre a vida e morte
A mulher que alimentava
Ao longo do tempo fui descobrindo que a luta e o vocabulário dos paliativistas são os mesmos de quem defende o parto natural. Eliminar procedimentos médicos desnecessários, dar a devida atenção à pessoa, ouvir, respeitar a vida, "falar de amor com amor".
Cuidados paliativos significam respeito ao tempo da morte do paciente. Morrer com dignidade.
Neste ano de 2008, sinto-me privilegiado por viver tão intensamente essas duas pontas da vida. Nascer e morrer são muito parecidos em sua luta.
Quero morrer um dia que nem o Antônio Walter, que conheci na enfermaria, cheio de estórias sobre o Velho Chico e firme, me chamando de fotógrafo cara-redonda, de bom humor até a morte. Surpreendente. Quero morrer assim.
E fico também feliz por ter recebido há dois dias um telefonema longo da filha da Ailce, a Luciane, agradecendo o nosso trabalho, a nossa convivência e dizendo que havíamos conseguido transformar um momento tão triste em alegria.
É reconfortante fazer um jornalismo que tem real relevância para a sociedade. Não é sempre assim. É muito bom poder espalhar idéias novas, conceitos simples. Tirando as reportagens que fiz por conta própria, creio que é a primeira vez que faço uma matéria na qual, desde o começo, foi respeitado o tempo de reportar.

pDigital, Marcelo Min / Agencia Fotogarrafa, 20080627, Antônio Walter, o Cebolinha, em seu quarto na enfermaria de cuidados paliativos do HSPE, acabou de falecer. A médica Juliana fecha seus olhos.
Antônio Walter, o contador de histórias, encerrou a sua suavemente



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