Bloco de carnaval organizado pelo Marco Vieira com os moradores de rua da região do Glicério
http://www.minharuaminhacasa.com.br/




25/02/2006, Rua Sete de Abril

27/02/2007, Rua Sete de Abril

Largo Paissandu, Igreja do Rosário, Tikinho do Brasil e a filha Miríade

Anhangabaú, Tiago e Samuel, entregadores de revista

do site http://ocupacaoprestesmaia.zip.net/
Foi o que assegurou a coordenação do MSTC aos moradores do prédio, em assembléia ontem à noite. Entre aplausos, os coordenadores asseguraram que conseguiram um prazo extra de 2 meses para a ação de despejo. Segundo informou a vereadora Sônia Francine, do PT, em reunião com os líderes do MSTC ontem à tarde, a prefeitura estendeu o prazo para dar atendimento habitacional - bolsa-aluguel, locação social e outros projetos - para as famílias. A suspensão da reintegração foi confirmada pelo comando do 1º batalhão, responsável pela ação.
Na última semana, os sem-teto têm participado de encontros com parlamentares que apóiam a reforma urbana proposta pelo Estatuto da Cidade. Conseguiram, entre outras coisas, que o vereador João Antônio, do PT, se encontre com o proprietário do prédio, Sr Jorge Hamuche, para discutir a possibilidade de desapropriação do Prestes Maia. Segundo Jomarina Fonseca, a secretária nacional de habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, virá de Brasília amanhã para uma reunião com o movimento e os níveis de governo responsáveis - prefeitura e estado. Na pauta, uma emenda orçamentária que possibilitaria a desapropriação do prédio. O procurador regional dos direitos do cidadão do Ministério Público Federal, Sérgio Suyama, também vai participar da reunião. "Vamos tentar negociar direto com o Hamuche, ver se ele consegue dar mais prazo na reintegração para dar tempo de fazer a desapropriação", diz Jomarina.
Mesmo com a reintegração suspensa, todo dia por volta das 4 da manhã cerca de 12 viaturas da PM têm estacionado na frente do prédio até o amanhecer do dia. Hoje de manhã, alguns moradores, assustados, chegaram a perguntar se haveria despejo. "Eles ficam botando uma pressão nas famílias, dá medo", diz Jomarina. Por causa da pressão, ontem, dia 14, três famílias deixaram o prédio com todos os seus pertences. Na assembléia, os moradores votaram que quem saísse não poderia mais retornar. Outra notícia que anda dividindo os moradores é que, mesmo com o novo prazo, alguns sem-teto pretendem pedir a verba de 5 mil reais oferecida pela Dra Mabel, do Ministério Público Estadual.
Mesmo assim, o clima é de festa no Prestes Maia. A assembléia, que reuniu mais de 200 pessoas, terminou tarde da noite em meio a muita emoção e, finalmente, tranqüilidade. "Ontem consegui dormir, menina", comemora Jomarina.



Depois de reclamações de moradores do Pacaembu, os três (idades entre 15 e 16) que fazem malabarismo com bolinhas nos sinais próximo ao estádio foram detidos porque cheiravam cola de sapateiro.
W. da Silva, 16, mora com a mãe e estuda em Itapevi, no supletivo, curso de aceleração, 5ª e 6ªséries, matriculado na Escola Benvindo Moreira Neve. Estava querendo juntar um dinheiro para comprar o material escolar. As aulas começam nesta semana. "Cheiro cola sim, pra aliviar a mente. Não quero roubar. Faço malabares". Estava sem documentos. O guarda não quis saber. Foi algemado e tratado como um bandido.

W. da Silva, 16 anos, estudante, e seus dois amigos, 15 e 16, sendo levados pelos GCM para a 23ªDP






Integração sem Posse
por Nara Novais, FLM
Imagine um lugar histórico do centro de São Paulo: a Praça do Patriarca, da República, ou o Vale do Anhangabaú. Imagine uma favela nascendo em um desses locais, com seus barracos improvisados sendo erguidos por cerca de 2000 pessoas, moradoras da então maior ocupação vertical da América Latina, a Prestes Maia.
Esse cenário pode em breve se tornar realidade caso a reintegração de posse do imóvel se concretize e o poder público não ofereça uma alternativa digna às 468 famílias que vivem no Prestes Maia desde 2002, preferindo expulsá-las na tentativa de mantê-las longe da região, que ora passa por um processo de "revitalização" extremamente gentrificador e excludente.
Mesmo sendo um sonegador de impostos, devendo um IPTU que ultrapassa os R$ 5 milhões, e abandonando o imóvel à especulação imobiliária por quase 15 anos, o proprietário tem a justiça do seu lado. Apesar de a Constituição Federal garantir que todo imóvel deve ter uma destinação social e que todo cidadão tem direito à moradia assegurado pelo Estado; a Prefeitura de São Paulo, os Governos Estadual e Federal continuam sem propostas concretas para oferecer às famílias organizadas no movimento popular.
Essas famílias deram função social ao imóvel: retiraram 200 caminhões de lixo e entulho do prédio, se organizaram na manutenção da limpeza e segurança, afastaram o tráfico de drogas e criminalidade, tornaram o ambiente ‘familiar’ e repleto de atividades – hoje há uma biblioteca no prédio, programas de reciclagem, de educação, intervenções e oficinas culturais -, e o Prestes Maia pulsa no centro da cidade, que pertence e é construída todos os dias pelos mesmos homens e mulheres que sobem e descem os 22 andares de escada do prédio logo cedo rumo ao trabalho, dividem banheiros coletivos, se solidarizam com as necessidades dos vizinhos, organizam festas para celebrar a união dos moradores e juntos lutam por dignidade e resistem a imposição feroz do capital especulativo, do poder coercitivo e de uma opinião pública manipulada que teima em pregar rótulos pejorativos nesses cidadãos.
Os movimentos de luta por moradia em São Paulo nunca exigiram esmolas: a reivindicação é pela inclusão de famílias de baixa renda em programas habitacionais que devem ser implantados pelos três níveis de poder. Dinheiro há, faltam vontade política e preocupação com o social em detrimento a projetos eleitoreiros e capitalistas. Como afirmou o Secretário da Habitação do município, Orlando Almeida Filho, “Essas pessoas [entende-se, os pobres] não vão consumir, não vão ao Mappin comprar gravata, não vão no teatro comprar ingresso, e assim por diante, e (se eles continuarem ali) o que vamos ter na região central, uma favela nova, um cortiço novo?” (em entrevista à Caros Amigos – nov/05). A resposta é sim! As famílias do Prestes Maia continuarão vivendo no centro, onde a maioria tem seu trabalho informal, as crianças e adolescentes estudam e onde construíram suas relações sociais. A CIDADE LHES PERTENCE COMO A TODOS QUE AQUI VIVEM. A resistência se dará em forma de acampamentos no centro e manifestações políticas, para insatisfação do ilustre Secretário, autor de ‘pérolas da segregação e autoritarismo’.
A sociedade precisa se manifestar contra o projeto higienista da cidade – que não condiz com a cidade que queremos e trabalhamos para construir - e apoiar a garantia dos direitos humanos das 2000 pessoas que vivem no Prestes Maia!
Temos que lutar juntos!
FLM – Frente de Luta por Moradia
MSTC - Movimento dos Sem Teto do Centro
Associação dos Moradores do Prestes Maia
55 (11) 3333-1925
55 (11) 3361-3403







Arte no Prestes por Natália Viana
Os artista dos grupo Integração Sem Posse promoveram mais um dia de arte na ocupação durante esse domingo, dia 12, envolvendo visitantes e moradores. A partir das 12 horas, aconteceram diante do prédio performances, teatro de marionetes, colagem de lambe-lambes de protesto contra a reintegração, música – transmitida pela rádio chiado, montada dentro do prédio especialmente para o evento e com alcance em todo o entorno – pichação nas paredes. Enquanto isso, no salão do prédio, a biblioteca recebia as crianças com sua enorme coleção de livros infantis e quadrinhos, e inúmeros repórteres curiosos; um grupo de teatro e uma projeção de filmes entreteve os moradores e outras performances fizeram a alegria, principalmente, das crianças.
O clima só esquentou quando policiais militares que se alinhavam diante de uma fileira de motos e carros da PM, do outro lado da avenida – muitos dos quais sem identificação – detiveram um morador, Fábio Fonseca, de 19 anos, por estar pintando o muro de um prédio vizinho – embora ele estivesse acompanhado por cerca de 10 pessoas, a maioria universitários e artistas. “Eles já vêem pela aparência da pessoa, pelo jeito de vestir”, diz Fábio, boné, camiseta e bermuda larga.
Representantes dos coletivos de arte acompanharam o rapaz para a 3º delegacia de polícia, onde tiveram de aguardar por mais de uma hora até ele ser liberado. Na confusão, enquanto os moradores protestavam contra a detenção do rapaz, um estudante secundarista, Oliver França, de 16 anos, foi agredido com spray de pimenta no olho direito. Ele ia acompanhar os moradores, que atravessaram a avenida, parando o tráfego por alguns segundos. “O policial disse que não podia atravessar, aí eu perguntei: por que não? ‘Porque eu sou grandão e estou armado’. E me atirou spray na cara”. Com o olho inchado, Oliver foi levado para um hospital, mas pouco depois já passava bem.




Para saber mais:
http://integracaosemposse.zip.net/
http://ocupacaoprestesmaia.zip.net/
http://prestesmaia.weblogger.terra.com.br/
http://www.petitiononline.com/pmaia911/
por favor assinar e repassar. a prefeitura de são paulo quer despejar 468 famílias da maior ocupação do brasil. o secretário de habitação afirmou: "Essas pessoas não vão consumir, não vão ao Mappin comprar gravata, não vão no teatro comprar ingresso, e assim por diante, e [se
continuarem ali] o que vamos ter na região central, uma favela nova, um cortiço novo?" (em entrevista à Caros Amigos - nov/05)


Praça Ramos de Azevedo, O Condor, Luigi Brizzolara

18/01/2006, Largo do Arouche, Depois do Banho, Victor Brecheret

Rafael, 10, sua irmã Renata, 5, e o pai, Henrique.

Lindalva e a tartaruga