outubro 10, 2006

Hilton, Microsoft e Edite

pDigital, Marcelo Min / Agência Fotogarrafa, 20061010, Avenida Roberto Marinho, Antiga Água Espraiada, favela Edite com prédio da Microsoft e Hilton
Av. Roberto Marinho

pDigital, Marcelo Min / Agência Fotogarrafa, 20061010, Avenida Roberto Marinho, Antiga Água Espraiada, favela Edite com prédio da Microsoft e Hilton

Posted by fotogarrafa at 11:30 PM

julho 07, 2006

Bandeiras

pDigital, Marcelo Min, Fotogarrafa, morador de rua dormindo sobre bandeiras do Brasil, 20060707, av. Ipiranga
Av. Ipiranga

Posted by fotogarrafa at 04:52 PM

maio 21, 2006

Burguesia terá de abrir a bolsa II

Depois da entrevista corajosa, olha só quem eu cruzo por acaso, lá na Rua São Bento. Parabéns governador!
pDigital, Marcelo Min, 20060520, Governador de São Paulo, Cláudio Lembo, Rua São Bento
Cláudio Lembo, governador de São Paulo.

Posted by fotogarrafa at 01:11 AM

maio 18, 2006

Burguesia terá de abrir a bolsa, diz Lembo

por MÔNICA BERGAMO
Colunista da Folha de S.Paulo

O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, afirma que o problema de violência no Estado só será resolvido quando a "minoria branca" mudar sua mentalidade. "Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa", afirmou. "A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações."


Lembo criticou o ex-governador Geraldo Alckmin, que disse que aceitaria ajuda federal contra as ações do PCC se ainda estivesse no cargo, e o ex-presidente FHC, que atacou negociação entre o Estado e a facção criminosa para o fim dos ataques. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Folha - Os jornais estão noticiando hoje [ontem] que houve uma matança em São Paulo na madrugada de terça. A polícia está sob controle ou está partindo para uma vingança?

Cláudio Lembo - A polícia está totalmente sob controle. Eu conversei muito longamente com o coronel Elizeu Eclair [comandante-geral da PM] e estou convicto de que ela está agindo dentro dos limites e com muita sobriedade. Todas as noites há confrontos nas ruas da cidade e esses conflitos foram exasperados nesses dias. Mas vingança, não. A polícia agiu para evitar o pior para a sociedade.

Folha - Foram 93 mortes. Elas estão dentro dos limites? O senhor tem segurança que todos que morreram estavam em confronto?

Lembo - E o conflito que houve da cidade com a bandidagem? Foi violento. É possível que tenha havido tragédias, mas pelo que estou informado não houve nada que fosse além dos confrontos diretos.

Folha - Só no IML (Instituto Médico Legal) estão 40 mortos e não se sabe nem o nome dessas pessoas.

Lembo - Os nomes vão ser revelados. Estamos resolvendo questões burocráticas, de identificação, mas vão ser revelados.

Folha - Jornalistas da Folha entraram no IML e viram fotos de pessoas mortas com tiros na cabeça. Que garantia a sociedade tem de que não morreram inocentes e de que o Estado, por meio da polícia, não está executando essas pessoas?

Lembo - Não está, de maneira alguma. E digo a você: fui muito aconselhado a falar tolices como "aplique-se a lei do Talião". Fui totalmente contrário. Faremos tudo dentro da legalidade e do Estado de Direito.

Folha - O senhor não se assusta com o número de mortos?

Lembo - Eu me assusto com toda a realidade social brasileira. Acho que tudo isso foi um grande alerta para o Brasil. A situação social e o câncer do crime é muito maior do que se imaginava. Este é o grande produto desses dias todos de conflito. Nós temos que começar a refletir sobre como resolver essa situação, que tem um componente social e um componente criminoso, ambos gravíssimos. O crime organizado trabalha com a droga. A droga é um produto caro, consumido por grandes segmentos da sociedade. Enquanto houver consumidor de drogas, haverá crime organizado no tráfico. É assim aqui, na Itália, nos EUA, na Espanha. O crime se alimenta do consumidor de drogas.

Folha - E da miséria...

Lembo - Talvez no Brasil tenha esse componente também. O crime organizado destruiu valores. O Brasil está desintegrado. Temos que recompor a sociedade. A questão social é muito grave.

Folha - O senhor é um homem público há tantos anos, está num partido, o PFL, que está no poder desde que, dizem, Cabral chegou ao Brasil.

Lembo - Essa piada é minha.

Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em ambientes violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de emprego? Como afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?

Lembo - Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração familiar que existe no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem que sou da Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado e perdeu seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na camisa da seleção, que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais...Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.

Folha - Que ficou assustada nos últimos dia.

Lembo - E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais dramático do que as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e celebridades] desta quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vai fazer protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras figuras da política brasileira fazer o bom jantar.

Folha - Tomar conhaque de R$ 900 [preço de uma única dose do conhaque Henessy no restaurante Fasano].

Lembo - Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este país.

Folha - O senhor acha que essas pessoas são responsáveis e não percebem?

Lembo - O Brasil é o país do duplo pensar. Conhecemos a inquisição de 1500 até 1821. Então você tinha um comportamento na rua e um comportamento interior, na sua casa. Isso é o que está na sociedade hoje. Essas pessoas estão falando apenas para o público externo. É um país que é dúbio.

Folha - Onde o senhor responsabiliza essas pessoas?

Lembo - Onde? Na formação histórica do Brasil. A casa grande e a senzala. A casa grande tinha tudo e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando os escravos foram libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, como aconteceu nos EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O cinismo nacional mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa a quem doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai construir este país.

Folha - Mas qual é, objetivamente, a responsabilidade delas nos fatos que ocorreram na cidade?

Lembo - O que eu vi [nas entrevistas para a Folha] foram dondocas de São Paulo dizendo coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos. Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. Isso não vai ter aqui nesses oito meses [prazo que resta para Lembo deixar o governo]. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações.

Folha - O senhor diria que elas pensam que aquele rapaz de 15 a 24 anos, que vive perto da selvageria...

Lembo - ...pode ser o Bom Selvagem do Rosseau? Não pode.

Folha - O endurecimento na legislação pode resolver o problema?

Lembo - Transitoriamente pode resolver. Mas se nós não mudarmos a mentalidade brasileira, o cerne da minoria branca brasileira, não vamos a lugar algum.

Folha - O senhor diz que muita gente falou besteira sobre os episódios. Dos EUA, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a possibilidade de o governo ter feito acordo com os criminosos para cessar a violência.

Lembo - Eu acho que o presidente Fernando Henrique poderia ter ficado silencioso. Ele deveria me conhecer e conhecer o governo de SP. Eu não posso admitir nem a hipótese de se pensar isso. Para opinar sobre um tema tão amargo, tão grave, ele teria que refletir, pensar. E se informar. Quanto ao presidente [FHC], pode ser que eventualmente ele tenha precedente sobre acordos. Eu não tenho.

Folha - Vimos o senhor dando muitas entrevistas na TV. Mas SP teve um outro governador [Alckmin], tem um candidato ao governo e ex-prefeito [Serra]. O senhor ficou sozinho?

Lembo - No poder, um homem é absolutamente solitário. Houve momentos em que praticamente fiquei sozinho. Mas devo agradecer a Polícia Militar e a Polícia Civil também, que estiveram firmes ao meu lado.

Folha - O ex-governador Alckmin telefonou para o senhor em solidariedade?

Lembo - Dois telefonemas.

Folha - O senhor achou pouco?

Lembo - Eu acho normal. Os pulsos [telefônicos] são tão caros...

Folha - E o candidato José Serra?

Lembo - Não telefonou. Eu recebi telefonema da governadora Rosinha [do Rio de Janeiro] e de Aécio Neves [governador de MG], que estava em Washington, ele foi muito elegante. Um ofício do governador Mendonça, de Pernambuco. Recebi muitos apoios, do Poder Judiciário, e a Assembléia Legislativa, deputados de todas as bancadas, nenhum partido faltou.

Folha - As autoridades paulistanas garantiram, nos últimos anos, que o PCC estava desmantelado, que era um dentinho aqui ou ali. Elas enganaram os paulistanos?

Lembo - Não saberia responder. Eu não engano. Eu acho que nós ganhamos uma situação mas é um grande risco. Temos que ficar muito atentos.

Folha - Essas autoridades garantiram que o PCC tinha acabado. Ou elas enganaram...

Lembo - Ou o dentinho era maior do que elas diziam.

Folha - Ou foram incompetentes. O senhor vê terceira alternativa?

Lembo - Pode ser que tenham sido exageradas no momento de transferir segurança. Quiseram ser tranquilizadoras.

Folha - Então elas iludiram as pessoas?

Lembo - É possível.

Folha - O senhor pode dizer que o PCC pode acabar até o fim de seu governo?

Lembo - Só se eu fosse um louco. E ainda não estou com sinal de demência. Acho que o crime organizado é perigosíssimo. Ele se recompõe porque ele tem possibilidades enormes na sociedade.

Folha - O ex-presidente Fernando Henrique não telefonou?

Lembo - Não, não. Ele estava em Nova York. O presidente Lula telefonou, foi muito elegante comigo. Conversei muito com o presidente, ele me deu muito apoio. E o Márcio [Thomaz Bastos] veio, conversamos firmemente, com lealdade. E ele chegou à conclusão que não era necessário nem Exército nem a guarda nacional. Tivemos uma conversa responsável, e o equilíbrio voltou. Mostrei que a Polícia Civil e a Polícia Militar tinham condições de fazer retornar a SP a ordem e a disciplina social.

Folha - O Datafolha mostrou que 73% acham que o senhor deveria ter aceitado ajuda federal. O governador Alckmin disse que não rejeitaria a ajuda.

Lembo - Ele decidiria, se fosse governador, como achava melhor. Eu decidi da forma que achei melhor. Quanto às outras pessoas, faltou clareza de informação da minha parte. E aí me penitencio. Não é que não aceitei ajuda do governo. Ao contrário. Desde sempre houve vínculo forte entre o sistema de informação da polícia federal e a polícia de SP. A superintendência da PF em SP foi extremamente leal, solícita e dinâmica.

Eu tinha uma Polícia Militar muito aparelhada. Eu não poderia tirar esse respeito e esse moral que a tropa tinha que ter naquele momento tão difícil aceitando tanques de guerra do Exército. E aí uma sociedade que gosta de paternalismo, como a brasileira, queria Exército, tropas americanas, tropas alemãs, tropas de todo o mundo aqui. Não é assim.

Temos que ser fortes, saber decidir em momentos difíceis e dar valor ao que é nosso. Foi o que fiz. Em 48 horas liquidou-se o problema. O Exército é para matar o adversário. Eu queria recolher os adversários possíveis. Nós estávamos num conflito social.

Posted by fotogarrafa at 07:55 PM

maio 13, 2006

Movimentos negros e cotas para a educação

.......................................................................link: 24 fotos
Digital, Marcelo Min / Fotogarrafa, 20060512, Manifestantes do movimento estudantil negro interditam a avenida 23 de Maio pedindo cotas para alunos negros nas universidades públicas

Avenida 23 de Maio
Educafro e outros movimentos estudantis negro interditam a avenida por alguns minutos para exigir direito a educação.

Digital, Marcelo Min / Fotogarrafa, 20060512, Manifestantes do movimento negro pedem cotas para alunos negros nas universidades públicas e pedem uma sociedade menos racista e mais justa
Largo do Paissandu, Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos
Dança, cantoria e discursos por uma sociedade mais justa, tolerante e menos racista.

Posted by fotogarrafa at 02:59 PM

janeiro 10, 2006

Feliz 2006

Digital, Marcelo Min/Fotogarrafa/ 20060106, Desemprego e Miséria, Praça Ramos

Posted by fotogarrafa at 09:02 PM

novembro 28, 2005

Pesquisa da FGV apura que miséria no Brasil diminuiu 8%

Pesquisa da FGV apura que miséria no Brasil diminuiu 8% - Economia ::: últimas notícias ::: www.estadao.com.br

Esta queda aconteceu de 2003 para 2004, deixando o País com a menor proporção de miseráveis desde 1992. A redução da taxa foi fortemente influenciada pela queda na distância entre os ricos e pobres no Brasil.


Rio de Janeiro - O índice de miséria no Brasil caiu 8% de 2003 para 2004, deixando o País com a menor proporção de miseráveis desde 1992. A redução da taxa foi fortemente influenciada pela queda na distância entre os ricos e pobres no Brasil, registrada em três anos consecutivos. Somente em 2004, a desigualdade caiu duas vezes mais do que no ano anterior. Os dados são do estudo Miséria em queda Mensuração, Monitoramento e Metas, elaborado com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2004 (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado hoje pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para o coordenador do estudo, Marcelo Néri, se não houvesse redução na concentração de renda, a queda da taxa de miséria no ano passado teria sido de 2,7%. "Ainda não é possível dizer que a redução do abismo entre ricos e pobres é uma tendência de longo prazo, mas o fato da queda ter acontecido por três anos consecutivos é inédito na história brasileira dos últimos 30 anos, além de ter passado por governos diferentes e de uma maneira muito forte", avaliou.

Néri também atribuiu a queda da pobreza ao crescimento econômico do país e listou fatores como estabilidade da inflação, reajuste do salário mínimo, recuperação do mercado de trabalho, aumento da geração de empregos formais e ainda o aumento da presença do Estado na economia, com uma maior transferência de renda para a sociedade. Ele disse ainda que o aumento da taxa de escolarização da população tem sido fundamental para a redução da desigualdade entre ricos e pobres.

"Há uma nova geração de programas sociais que está fazendo a sociedade brasileira enxergar que é preciso dar mais a quem tem menos e entre os exemplos estão o programa Bolsa Família e o programa de aposentadoria rural. A cobertura destes dois programas alcança os bolsões de pobreza das zonas mais distantes dos grandes centros, reduzindo bastante a miséria no país".

De acordo com o estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2004, 25,08% da população brasileira vivia abaixo da linha de pobreza, ou seja, ganhava menos de R$ 115,00 por mês. Em 2003, eram 27,26% dos brasileiros. Néri explicou que, na avaliação da FGV, o Brasil segue um ritmo compatível com o das Metas do Milênio, que busca reduzir a pobreza à metade em 25 anos (de 1990 a 2015).

As informações são da Agência Brasil.

Posted by fotogarrafa at 09:08 PM

novembro 26, 2005

Ricos continuam ricos

Apesar da manchete ridícula da Folha, o texto se salva

Folha de S.Paulo - RETRATO DO BRASIL
Rico empobrece, e desigualdade diminui - 26/11/2005

ANTÔNIO GOIS
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO

Renda média continuou estagnada em 2004, porém mais abonados perderam e pobres ganharam um pouco, diz pesquisa do IBGE


No ano passado, o trabalhador brasileiro viu sua renda ficar estagnada em comparação com 2003, mas percebeu um aumento no número de empregos e uma pequena redução da desigualdade. Essas são as principais conclusões da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2004, divulgada ontem pelo IBGE.

Segundo o instituto, o número de empregos aumentou 3,3% em relação a 2003, acréscimo de 2,7 milhões de trabalhadores ocupados no segundo ano do governo Lula. A taxa de desemprego caiu de 9,7% para 9%, o equivalente a 8,2 milhões de desempregados.
Esse aumento de 3,3% foi o segundo melhor da série histórica iniciada em 1992. Ele só não foi mais positivo do que o verificado de 2001 para 2002, último ano do governo FHC, quando houve alta de 3,8% no número de ocupados.
Mas a renda média do trabalhador permaneceu estagnada em R$ 733, já descontada a inflação do período. Com isso, ainda não foi naquele ano que o trabalhador começou a recuperar a perda de 18,8% verificada desde 1996, quando a renda atingiu seu pico e, desde então, só caiu.
Mesmo sem crescimento na renda, a queda no rendimento dos mais ricos, o recuo da inflação e o aumento real do salário mínimo permitiram uma melhor distribuição da renda do trabalho.
A renda média cresceu 3,2% para a metade dos trabalhadores que ganham menos. Nos 50% que ganham mais, no entanto, ela caiu 0,6%. Se forem considerados apenas os 5% de trabalhadores de mais alta renda no ano passado, a queda foi ainda maior, de 1,6%.
Como a renda dos que ganham menos subiu ao mesmo tempo em que caiu a dos mais ricos, melhorou um pouco a distribuição da renda do trabalho.
O índice de Gini, que avalia a concentração de renda, passou de 0,554 em 2003 para 0,547 em 2004 (quanto mais perto de 1, mais desigual é o rendimento; quanto mais próximo de zero, melhor é a distribuição). Esse é o melhor resultado desde 1981.
Desde 1993, esse indicador de distribuição de renda no país mantém uma tendência constante de melhora, mas essa evolução aconteceu, de um modo geral, à custa da queda do rendimento dos mais ricos.
De 1996 a 2004, a renda média dos 10% com maiores ganhos caiu 22,7%. A renda desse contingente vem caindo todos os anos, inclusive em 2004. No mesmo período, o rendimento médio dos 50% de trabalhadores com menor renda teve uma queda menor, de 4,31%. É por essa razão que, apesar desses dois grupos terem perdido, a distribuição de renda melhorou um pouco, já que os mais pobres perderam menos do que os mais ricos.
Para Eduardo Nunes, presidente do IBGE, ainda há um caminho longo a se percorrer para a eqüidade de renda no país. "A distribuição tem evoluído ano a ano, mas num ritmo ainda muito lento. A concentração de renda aqui ainda é muito elevada para países de renda [PIB] compatível com a do Brasil", disse.
Para João Sabóia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ, a redução gradual da concentração de renda no Brasil é um fato positivo, ainda que tenha ocorrido em razão da perda dos mais ricos.
"O ideal seria que o índice de Gini melhorasse com todos ganhando, mas com os pobres ganhando relativamente mais do que os ricos. Mas também não é ruim que os mais ricos tenham perdido um pouco. De todo modo, é um processo de redistribuição de renda. Mesmo que a distribuição tenha melhorado continuamente, a renda ainda é muito concentrada no Brasil. Poucos países do mundo ainda têm um grau de concentração como o nosso", disse Sabóia.
Para Sônia Rocha, economista da Fundação Getulio Vargas, essa melhora na distribuição de renda, somada ao aumento do salário mínimo e à ampliação da massa de salários (já que o emprego cresceu, ainda que a renda tenha ficado estável) deve ter impacto sobre a redução da pobreza no Brasil. "Ainda não dá para afirmar seguramente porque é preciso ver os microdados da Pnad, mas meu palpite é que em 2004 houve uma pequena diminuição da pobreza", disse.

Emprego
A taxa de desemprego caiu porque o número de vagas criadas cresceu mais do que o total de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho. A PEA (População Economicamente Ativa) subiu 2,5%, e a ocupação, 3,3%.
Em 2004, foram criados num ritmo forte tanto empregos sem carteira (crescimento de 6%) como com carteira (6,6%). Mas houve uma tendência de formalização porque as contratações registradas (1,569 milhão) superaram as informais (1,126 milhão).
Já o número de trabalhadores por conta própria aumentou bem menos (0,6%), o que fez a categoria perder participação no total de pessoas ocupadas. Na esteira da menor evolução do trabalho por conta própria, o emprego sem remuneração, no qual se insere, por exemplo, aquele membro da família que auxilia na banca do camelô ou na birosca da família, cedeu 4,5% de 2003 para 2004. Já o emprego doméstico, puxado pelas contratações sem registro, subiu 4,2%. Também aumentou acima da média o emprego de servidores e militares, em 4,4%.
A participação dos trabalhadores formais foi de 32% em 2003 para 32,9% em 2004. A dos sem carteira aumentou de 23,5% para 24,1%, enquanto a dos que trabalham por conta própria caiu de 22,3% para 21,8%. Já a participação dos não-remunerados caiu de 7,1% em 2003 para 6,5% em 2004. Em 1992, eram 10,5% do total de empregados.
Por setores, foi a indústria que alavancou o emprego, com crescimento de 6,6%, seguida por serviços 4,8%. No setor agrícola, houve queda de 0,5%. Ao todo, fora das atividades desenvolvidas no campo, o emprego cresceu 4,3% em atividades não-agrícolas.

Posted by fotogarrafa at 07:33 PM

setembro 10, 2005

"Nem lá na favela é assim..."

Entrada VIP: você sabe quem eu sou?
Digital, Marcelo Min, 20050910, Desorganização Eletronic Dream Team

Digital, Marcelo Min, 20050910, Desorganização Eletronic Dream Team

Digital, Marcelo Min, 20050910, Desorganização Eletronic Dream Team

Digital, Marcelo Min, 20050910, Desorganização Eletronic Dream Team

Digital, Marcelo Min, 20050910, Desorganização Eletronic Dream Team

Digital, Marcelo Min, 20050910, Desorganização Eletronic Dream Team

Digital, Marcelo Min, 20050910, Desorganização Eletronic Dream Team

Digital, Marcelo Min, 20050910, Desorganização Eletronic Dream Team
Balada de gente muito importante no Eletronic Dream Team onde tocaram os djs Tiga, Paul Van Dyk, Christopher Lawrence e John Carter.

Posted by fotogarrafa at 11:40 AM

setembro 02, 2005

Jardim Alba, Vila Santa Catarina, ZS

Digital, Marcelo Min, Operação Policial do Garra, Jardim Alba, 20050901

Digital, Marcelo Min, Operação Policial do Garra, Jardim Alba, 20050901

Digital, Marcelo Min, Operação Policial do Garra, Jardim Alba, 20050901

Posted by fotogarrafa at 01:26 AM

agosto 09, 2005

Jardim Edite

Digital, Marcelo Min, Av. Jornalista Roberto Marinho, Antiga Av. Água Espraiada, Favela Jardim Edite, 20050809

Digital, Marcelo Min, Av. Jornalista Roberto Marinho, Antiga Av. Água Espraiada, Favela Jardim Edite, 20050809

Posted by fotogarrafa at 11:28 PM

julho 22, 2005

A ironia da vida é f...

Digital, Marcelo Min, 20050721, Morador de rua e o prefeito de São Paulo, José Serra, na Lapa
O prefeito que tenta convencer os moradores de rua a irem para os albergues da cidade é o mesmo que exige a saída dos sem-tetos das ocupações de prédios em São Paulo. Depois que se joga ao fundo do poço não adianta mais ter pena muito menos remediar. Para o mendigo Maestro, que se irritou com a insistência do prefeito, dos agentes sociais e da imprensa, seu único orgulho é a sua liberdade. Levantou-se com seus trapos e nos mandou todos à merda.

Adilson foi atropelado há alguns dias e dormia na Praça Rene Barreto, na Lapa quando foi abordado pela comitiva. Aceitou acompanhar os agentes sociais e o prefeito até o albergue da Oficina Boracéa.
Digital, Marcelo Min, 20050721, Morador de rua e o prefeito de São Paulo, José Serra, na LapaDigital, Marcelo Min, 20050721, Morador de rua e o prefeito de São Paulo, José Serra, na Lapa

Posted by fotogarrafa at 12:32 AM

julho 02, 2005

Classes Média e Alta

Manifestação contra o uso de pele de animais, em frente ao prédio da Daslu
Digital, Marcelo Min, 20050702, Manifestação contra o uso de pele de animais na moda, em frente a Daslu, foto

Digital, Marcelo Min, 20050702, Manifestação contra o uso de pele de animais na moda, em frente a Daslu

Digital, Marcelo Min, 20050702, Manifestação contra o uso de pele de animais na moda, em frente a Daslu

Digital, Marcelo Min, 20050702, Manifestação contra o uso de pele de animais na moda, em frente a Daslu

Posted by fotogarrafa at 09:27 PM

maio 20, 2005

Rolê

Fui dar um rolê pelo centro e junto com o mano Marco Antônio, que sempre encontro por aí lendo jornal nas bancas, fomos ver a ocupação do prédio da Rua do Ouvidor, depois a turbamulta.

Digital, Marcelo Min, Relógios sobre passarela no Terminal Bandeira

Digital, Marcelo Min, Av Ipiranga, aposentado, senhor de idade dormindo e caído na rua

Digital, Marcelo Min, Av Ipiranga, aposentado, senhor de idade dormindo e caído na ruaDigital, Marcelo Min, cartaz no Anhangabaú

Digital, Marcelo Min, Relógios sobre passarela no Terminal Bandeira
Locadora de DVD informal

Digital, Marcelo Min, Relógios sobre passarela no Terminal Bandeira
A porta dos fundos da Câmara Municipal de São Paulo

Digital, Marcelo Min, Relógios sobre passarela no Terminal Bandeira
Marco Aurélio experimentando uma cueca

Posted by fotogarrafa at 09:29 PM

fevereiro 23, 2005

Pelo menos alguém continua lucrando com esta porra toda

negativo filme, Marcelo Min, 20040727, Roberto Setubal
27.07.2004 / Roberto Setubal, Presidente do Banco Itaú

Lucro do Itaú no 4º tri cresce 20,6% e supera R$ 1 bilhão
SÃO PAULO (Reuters) - O Itaú, segunda maior instituição financeira privada do país, registrou LUCRO LÍQUIDO de R$ 1,03 BILHÃO no quarto trimestre do ano passado. O resultado foi 20,6% maior do que o obtido no mesmo período de 2003.

O ranking dos lucros em todo 2004 fica assim:
- Itaú: R$ 3,776 bilhões
- Bradesco: R$ 3,06 bilhões
- Banco do Brasil: R$ 3,024 bilhões

Por falar em lucro líquido, tem tb esta aqui, pena que não tenho fotos do presidente da Coca.

Coca-Cola fatura R$ 7,4 bilhões no Brasil e prevê investir R$ 600 milhões
da Folha Online
O grupo Coca-Cola atribui ao reaquecimento da economia nacional e aos investimentos em marketing o crescimento de 12,1% de seu faturamento, que atingiu a casa dos R$ 7,4 BILHÕES no Brasil em 2004. As vendas aumentaram 7% no ano passado, puxadas pelo produto carro-chefe (o refrigerante de cola) que vendeu 9% a mais.

obs: produto carro-chefe = água engarrafada com xarope preto. Alguém ainda tem dúvidas de quem controla a água deste planeta? Ou vamos ter que esperar faltar pra ter certeza?

Posted by fotogarrafa at 01:03 AM

janeiro 18, 2005

Antônio Ermírio de Moraes

Digital, Marcelo Min, 20050118, Antônio Ermírio de Moraes na TV Cultura, freelancer
Seu Antônio não é nenhum santo, mas a elite brasileira podia seguir um pouco o seu exemplo.

Posted by fotogarrafa at 03:24 PM

dezembro 12, 2004

Manifesto de um miserável brasileiro

Digital, Marcelo Min, 20041211, Viaduto Guadalajara

Digital, Marcelo Min, 20041211, Viaduto Guadalajara
Viaduto Guadalajara, Belenzinho, ZL

Posted by fotogarrafa at 11:37 AM

dezembro 10, 2004

Ex-Buraco Quente

Depois de um incêndio, em 19 de agosto, que destruiu em 15 minutos toda a Favela do Buraco Quente, um novo bairro está surgindo para as 160 famílias, a Vila Nova Washington Luis.
Digital, Marcelo Min, 20041207, ex-favela do Buraco Quente, José Domingos Honório, 46,
José Domingos Honório, 46, desempregado há três meses, trabalhava como faxineiro num restaurante da Jesuíno Maciel, e ganhava R$ 450,00, mora com a mulher e os 5 filhos e todos estudam. A Rosineide, a mais velha, tem 23 anos, terminou o 2º grau, trabalha numa loja e ganha R$480,00 e Roberto, outro filho, trabalha com limpeza também, na Galeria Pajé, com cesta básica, vale transporte, etc, ganha no total 420,00

Posted by fotogarrafa at 09:38 PM

novembro 24, 2004

Roda do dólar


Ciranda, furacão, ralo, poço, estômago, vertigem, corrente, sentido, rodopio

Posted by fotogarrafa at 09:20 PM

outubro 17, 2004

Remédio para Estatísticos

Remédio para estatísticos
Marcos Sá Corrêa, www.nominimo.com.br
17.10.2004 | Saiu a nova safra da pobreza nacional. Os brasileiros que não ganham para comer são agora 47,4 milhões. Atenção para a vírgula. É esse “vírgula quatro” que dá ao número o certificado de origem. Trata-se de mais uma conta da Fundação Getúlio Vargas, onde o economista Marcelo Néri retrata os pobres em cifras tão astronômicas que eles parecem abstratos, como se fossem filhos de um cruzamento da estatística com o computador.

A vantagem desses cálculos é que cada um pode fazer como eles o que quiser. Nada, inclusive. Há um documentário da campanha eleitoral de 2002 em que o presidente Lula aparece, entre comícios e debates, falando sozinho diante de um espelho. De repente, ele cita no monólogo os cinqüenta milhões de famintos oficiais. E confessa a si mesmo que acha o número francamente inverossímil. Semanas depois, eleito, lançaria o Fome Zero, invocando os tais cinqüenta milhões, talvez só porque o país já se acostumou com eles.

Mas nem tudo está perdido. Saiu “O Povo do Abismo”, uma reportagem feita em 1902 pelo escritor americano Jack London, que para isso pulou de cabeça na miséria abjeta do East Side londrino, num tempo em que a Inglaterra era a melhor vitrine internacional da desigualdade ostentatória. London pulou nesse mundo com o asco e a intimidade de quem conhecia a penúria de berço. Ela foi a matriz tanto do escritor famoso como do socialista visceral, que comprou por dez xelins uma camisa de foguista, uma calça de estivador e um par de velhos borzeguins numa loja de roupas usadas, e desceu ao meio dos pobres como se fosse um deles - ou fosse, pelo menos, um “vagabundo ianque”.

O livro, que acabada de engordar a Coleção do Pensamento Radical da Fundação Perseu Abramo - trazendo de quebra uma introdução da professora de literatura norte-americana Maria Sílvia Betti que, sozinha, vale a encadernação - chegou bem na hora para mostrar o que está faltando ultimamente aos nossos pesquisadores da fome. É estômago. Ou seja: um instrumento que, em vez de recitar os déficits no consumo diário das 2.888 calorias recomendadas pela Organização Mundial de Saúde, ajudasse o país a descobrir, por exemplo, que “o trabalhador não é apenas mal-alimentado, mas porcamente alimentado”.

“Estive num açougue”, explica London, “observando uma horda de donas-de-casa revirarem as aparas de carne de vaca e de carneiro - aparas que são dadas para cachorros nos Estados Unidos. Não poria minha mão no fogo pela limpeza dos dedos daquelas mulheres, muito menos pela limpeza dos quartos em que vivem com suas famílias. Ainda assim revolviam, manuseavam e descartavam aquela confusão de pedaços na ansiedade de fazer valer seus escassos cobres. Fixei o olhar sobre um pedaço de carne particularmente repugnante e o acompanhei enquanto passava pelas garras de mais de 20 mulheres, até ser comprado por uma mulherzinha de aspecto tímido que foi praticamente obrigada a levá-lo pelo açougueiro”.

E esta é uma parte leve do relato. London dormiu em albergues de mendigos, encarou fila de sopões, fez a ronda completa das espeluncas londrinas, varou madrugadas zanzando ao relento sob a chuva e engoliu coisas que o levavam a pedir desculpas, pela afronta, às próprias entranhas. Mas tirou do que viu uma história em que os miseráveis têm nome, sexo, ofício, gengivas murchas, famílias inteiras ceifadas pela escarlatina e sobretudo um medo permanente da polícia, que não os deixava passar a noite em sacadas ou bancos de praça. Salvos da morte anônima pelo repórter há mais de um século, os lazarentos de Londres hoje parecem mais vivos e próximos do que os famintos brasileiros, reduzidos a assombrações estatísticas nas manchetes de jornal.

Que falta faz um Jack London no Rio de Janeiro, para freqüentar os bandejões de um real da dupla Garotinho como ele experimentou a mesa do café-da-manhã no Exército da Salvação de Blackfrairs Road. Era domingo de manhã. E a fila, grande. “Não nos aglomeraríamos com tanta determinação e desespero se estivessem distribuindo um milhão de dólares. Alguns já haviam retomado o sono quando o policial voltou e nos dispersamos, para voltar apenas quando a barra estivesse limpa. Às sete e meia a porta se abriu e o soldado do Exército da Salvação apareceu. ‘Não faz sentido bloquear a passagem desse jeito. Quem tiver senha pode vir agora, os outros só depois das nove’, disse”.

O resto iria aguardar mais uma hora e meia. Em pé. Lá fora. À porta de uma instituição de caridade. ‘Os homens com senha foram muito invejados. Tinham permissão de entrar, lavar-se, sentar e descansar até o café da manhã, enquanto tínhamos de esperar na rua. As senhas tinham sido distribuídas na noite anterior, ao longo do Embankment, e possuí-las não era questão de mérito, mas de sorte”. Há maldades no assistencialismo que de longe não aparecem. Mas London as enxergou cara a cara: “Obrigar homens que passaram a noite em claro a esperar em pé durante duas horas é tão cruel quanto desnecessário. Estávamos fracos, famintos e exaustos com a privação e a falta de sono e, contudo, estávamos lá, em pé, horas e horas, sem quê nem por quê”.

Num albergue de Whitehall, ele constatou também que a ralé tem razões que o assistencialismo desconhece: “Às oito da noite descemos até o porão, embaixo da enfermaria, onde nos trouxeram chá e sobras do hospital. As sobras vinham amontoadas sobre uma imensa travessa, numa desordem indescritível - pedaços de pão, nacos de gordura e de carne de porco, juntas chamuscadas, ossos, enfim, os restos que sobravam dos dedos e das bocas de doentes que sofriam de todo tipo de moléstia. Os homens mergulhavam as mãos naquela balbúrdia, cavando, manuseando, revirando, examinando, descartando e revolvendo tudo aquilo. Não era nada bonito. Porcos não fariam pior”.

Em compensação, foi ali que ele conheceu um mendigo que lhe disse para ficar esperto, porque dias antes encontrara costeleta de porco no lixo da enfermaria. “Era um pedaço de primeira, com uma quantidade infinita de carne, aí saí correndo pelo portão carregando aquilo nos braços e desci a rua para procurar alguém para dar aquilo”, contou-lhe Ginger. “Ah, almas caridosas, ah, filantropos, venham ao albergue noturno aprender uma lição com Ginger. No fundo do Abismo ele tivera uma atitude altruísta como raramente se vê do lado de fora do Abismo”, concluiu London.

Os números são raros no livro. E, além de raros, irrelevantes. Um escritor como ele não precisava de nada mais que palavras para provar que a miséria humana é feita de partes indivisíveis, aquelas que as estatísticas diluem até tornar vagamente inverossímeis. London cresceu na mais negra pindaíba. Formou-se à custa de trabalho infantil em turnos de até 20 horas diárias. Mas tinha um pendor para a aventura que o levou até a faiscar ouro no Alasca. E lia vorazmente. Aos vinte e poucos anos não tinha emprego fixo, diploma ou onde cair morto. Aos trinta, era escritor publicado e rico. Fez mais de 50 livros. Escrevia com a pressa furiosa de um proletário fadado a pagar dívidas com literatura, à medida que pela vida ia criando e perdendo fortunas.

Aos 40 anos estava morto. Ou pior: exaurido. Mas suas novelas ficaram, prolongando a tal ponto sua carreira póstuma como autor de best-sellers que, na década de 1990, seus livros sobre o Alasca inspiraram Christopher McCandless, um adolescente bem-nascido, a fugir de casa para morrer no inverno ártico, em busca da vida selvagem que nas histórias de London se confunde com a vida propriamente dita. Ele pode não ser bom conselheiro, como se vê. Mas no dia em que o governo tiver um programa para melhorar o apetite do brasileiro pelo Fome Zero, não custaria nada mandar alguém em Brasília dar uma olhada em “O Povo do Abismo”.

Posted by fotogarrafa at 06:46 PM

outubro 11, 2004

Concentração de renda

digital, Marcelo Min, 20041011
Paraisópolis e os prédios da av. Giovanni Gronchi, Morumbi

digital, Marcelo Min, 20041011
Eu ia começar a fotografar a favela mas pintou um freela no Jardins. Saí correndo mas no caminho ainda no Morumbi deu pra registrar alguns dos sintomas da concentração de renda no Brasil, que é o medo. Parei por dois minutos, e logo vieram dois carros de segurança privada que cada vez mais se parecem com viaturas da Polícia Militar. Um verdadeiro exército paralelo... Fui embora porque tava realmente atrasado.

digital, Marcelo Min, 20041011
Num supermercado do Jardins... Conhaque Hennessy Timeless, R$ 32.097,00.

digital, Marcelo Min, 20041011
Enfim... Viva o Brasil, como dizem, país produtor de matéria-prima e mão-de-obra farta e barata! Aliás este barato é o que para mim explica os 500 anos de incompetência (intencional ou não) em dar acesso à educação para todos. Quem investe em política de educação é quem tem o meu voto!

Posted by fotogarrafa at 06:28 PM

julho 27, 2004

Do que rimos tanto?

filme cor
27/07/2004, Roberto Setubal, presidente do Banco Itaú, depois de anunciar uma parceria de milhões e milhões de reais com o Abílio Diniz

filme cor

Posted by fotogarrafa at 05:38 PM

agosto 08, 2003

Lições de Terrorrismo #000

receita fotogarrafa de violência

pegue a mocidade e a massa
a crise econômica, a educação deficiente
o desemprego
a vida louca vida
a cocaína, a falta de comida
o álcool, a televisão consumista
A identidade nacional e o Roberto Marinho
o lucro da indústria da corrupção
da industria do armamento e da sofreguidão
e por fim a nossa sociedade organizada, racista e cega
poderosa mas que se limita a delegar a culpa aos outros
é só misturar tudo
Paz só com luta pois há muito o
que fazer, olhar, falar

Tanta coisa para ser feita antes e a gente exigindo paciência e educação dos desesperados
então que eles se unam como bem entenderem

Posted by fotogarrafa at 04:00 PM

agosto 05, 2003

Coisas do Brasil

na capa do UOL de ontem
Lucro do Bradesco cresce 13,6% e Atinge R$ 1,027 bi no semestre

na capa do UOL de hoje
Lucro do Itaú cresce 42%, o maior do setor no semestre

alguém pode me dizer o que isto significa

enquanto isso (do UOL again)...
Justiça decide a favor de reintegração de terreno da Volks
O pau vai comer solto lá no terreno da Volks, mas tudo bem, não é? Só tem desocupados, aproveitadores e gente feia por lá... não é mesmo?

Posted by fotogarrafa at 11:32 PM

agosto 01, 2003

De novo fotos na porta de casa


Mariana, 4, Ricardo, 5, a mãe e a avó vem de Osasco, onde moram num terreno da prefeitura (eufemismo para favela), duas vezes por semana para pedir comida nas ruas da classe média Perdizes. Vamos fingir que a gente não vê que eles passam fome...

Posted by fotogarrafa at 11:40 PM

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