maio 21, 2006

Virada

pDigital, Marcelo Min / Fotogarrafa / 20060520 / Virada Cultural / Largo São Bento, B Boy
Largo São Bento

Notas de um sábado em São Paulo
Por Luciana Benatti

Comprei a última edição da Trip, aquela com a capa do Chico. Na primeira olhada, topo como a foto do Paulo Mendes da Rocha, braços abertos e copo de cerveja na mão, comemorando a conquista do Prêmio Pritzker. O cenário não poderia ser outro: um típico boteco brasileiro, segundo se deduz da própria imagem e nos confirma o texto. As colunas de pastilhas, as toalhas verdes e vermelhas, o balcão, a TV ligada num jogo de futebol. Tudo isso me pareceu muito familiar. Sim, era o Califórnia, um legítimo representante do gênero, na esquina da Gabus Mendes com a Basílio da Gama. Pois foi justamente no Califórnia que jantamos um belo filé à parmegiana em pleno toque de recolher de segunda-feira, quando os paulistanos correram para casa e as ruas ficaram desertas.

***
“É na cidade que estão as virtudes da vida contemporânea.” “É mais fácil imaginar uma cidade para todos do que só para alguns.” “Tudo o que nos falta é porque maliciosamente foi negado.” Com as palavras da entrevista que fizemos com Paulo Mendes ainda ecoando na cabeça, saímos para ver o centro em noite de Virada Cultural. Mais interessados em observar o movimento do que curtir um show específico, andamos para lá e para cá, atentos à circulação das pessoas. Na Barão de Itapetininga, o movimento era o normal para as noites de sábado. Catadores estacionavam suas carroças e se preparavam para dormir em frente às portas de ferro já baixadas das lojas. Vendedores de CDs e DVDs piratas tentavam com uma barreira de títulos em exposição conquistar os últimos clientes. Em frente ao Teatro Municipal, o cenário já era bem diferente. Um grupo de ciclistas estava pronto para começar seu passeio noturno, uma fila de pessoas aguardava o início do próximo espetáculo no teatro e muita gente apenas estava por ali observando o movimento. A semana havia sido pesada. O policiamento nem era tão ostensivo. E as pessoas não aparentavam estar com medo. Pela simples presença de outras pessoas, como que a lhes dar proteção.

***
Cruzando o Viaduto do Chá, chegamos à Praça do Patriarca, onde dois telões exibiam um filme mudo. Seguindo pela rua de São Bento, chegamos ao Largo do Café, transformado em pista de dança com luzes e DJ. Continuando pela São Bento, excepcionalmente movimentada para o horário, demos com a praça Antonio Prado, onde o governador Claudio Lembo e uma pequena comitiva andavam pelo calçadão. Deu vontade de cumprimentar o homem pela entrevista corajosa. Sim, aquela mesmo, culpando a elite branca. Deu vontade de perguntar o que ele achava de estar sendo chamado de trotskista de direita pela cúpula do PFL. Mas fomos apenas andando junto com o grupo. No caminho, as pessoas paravam e o cumprimentavam. Será que depois da crise ele ficou mais conhecido? Em frente ao prédio do gabinete do governador, na rua Boa Vista (por que ele não aproveita, dá uma banana ao Morumbi, e vem governar aqui no centro?), ele se despede com aperto de mão e beijinho. Tem as mãos quentes, apesar de a noite estar fria.

***
No Largo de São Bento, topamos com uma roda de hip hop e o pessoal da Associação Cultural Cachuera. Resolvemos cruzar o Vale do Anhangabaú e encontramos muita gente destemida fazendo o mesmo. Embaixo do Viaduto do Chá, encontramos o Mercado Mundo Mix fechado. Assim como o acesso às escadas rolantes da Galeria Prestes Maia. Contornamos por trás o prédio da Prefeitura e subimos a Dr. Falcão até a Praça do Patriarca, aonde chegamos bem na hora em que Paula Pretta e Adriana Pires, do Fulerô o Esquema, cantavam uma versão do hino nacional com o verso “terra roubada” no lugar de “adorada”. O logo do Unibanco estava lá; os mendigos, também. A novidade na praça era o batalhão de banheiros químicos (por que só em dias de evento acham que é preciso ter banheiro público no centro?) e um serviço de manobrista a R$ 15, comodidade igual à das melhores casas da Vila Olímpia.

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O grand finale foi chegar à praça Dom José Gaspar – tão atraente de dia e tão pouco aproveitada à noite – e vê-la repleta de gente ouvindo um concerto de piano. Essa foi para mim a imagem que melhor ilustrou o que nós paulistanos estamos perdendo dia após dia. E que é, para voltar ao pensamento do mestre Paulo Mendes da Rocha, a própria razão que nos trouxe até aqui: a possibilidade da convivência. Andar à noite nas ruas do centro e, em vez de vê-las desertas, encontrar outras pessoas fazendo o mesmo foi uma sensação reconfortante. E, mais do que os shows e apresentações em si, foi o que de melhor a Virada Cultural proporcionou a nós paulistanos: a possibilidade da convivência nas ruas, uma das maiores virtudes da cidade contemporânea.


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Nelson Triunfo e seu filho de 2 anos: onde tudo começou

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pDigital, Marcelo Min / Fotogarrafa / 20060520 / Virada Cultural / Largo São Bento, B Boy

pDigital, Marcelo Min / Fotogarrafa / 20060520 / Virada Cultural / Largo São Bento, Congada Associação Cultural CachuerapDigital, Marcelo Min / Fotogarrafa / 20060520 / Virada Cultural / Praça do Patriarca
Largo São Bento, rapaz da Congada, e Praça do Patriarca, durante show do Fulerô o Esquema

pDigital, Marcelo Min / Fotogarrafa / 20060520 / Virada Cultural / Viaduto do Chá
Viaduto do Chá

pDigital, Marcelo Min / Fotogarrafa / 20060520 / Virada Cultural / Praça Dom José Gaspar, apresentação de piano
Praça Dom José Gaspar

pDigital, Marcelo Min / Fotogarrafa / 20060520 / Virada Cultural / Praça Dom José Gaspar, apresentação de piano

Posted by fotogarrafa at 10:22 PM

dezembro 17, 2005

Primeiro Campeonato de B-Boy da FEBEM. Final

pDigital, Marcelo Min, 20051216, FEBEM, Primeiro Campeonato de B-Boy da FEBEM. Final
Memorial da América Latina, SP

pDigital, Marcelo Min, 20051216, FEBEM, Primeiro Campeonato de B-Boy da FEBEM. Final

Posted by fotogarrafa at 08:45 PM

outubro 10, 2005

Mano Brown assume defesa do desarmamento

negativo filme, Marcelo Min/ Fotogarrafa, 20030914, Racionais MCs, Mano Brown em show no Itaim Paulista. Entrevista para André Camarante em que diz que votará pelo fim do comércio de armas
Arquivo 14/09/2003, Racionais MCs, Mano Brown, Itaim Paulista

por André Caramante do Jornal Agora São Paulo

A voz de Mano Brown ecoa forte pela quadra da escola de samba São João, encravada na periferia de Mauá, uma das cidades mais pobres do ABC paulista. É madrugada alta, quase 5h do último dia 8, "um sabadão de primavera louco", como gosta de dizer Brown, registrado Pedro Paulo Soares Pereira, 35 anos.
Líder da "família" Racionais MC's e ícone seguido por milhares de jovens, Brown faz uma enquete com os quase 2.000 jovens -alguns poucos alcoolizados- que o vêem, paralisados, cantar seus raps épicos ao lado dos "irmãos" Ice Blue, Edy Rock e DJ KLJay: "Vocês são contra ou a favor do desarmamento?"
Mais da metade dos jovens levanta a mão para defender as armas. Brown, então, pede para um dos jovens a favor das armas subir no palco e contar a razão por que assume essa defesa. Nervoso, o rapaz emenda: "Se os bicos sujos [inimigos] têm o direito de ter arma, nós também temos". O público vibra, aplaude. Brown rebate e diz que a violência, na maioria das vezes, atinge gente igual ao seu público ou seus familiares.
Após o show, ainda no camarim, Brown se dirige ao repórter do Agora e diz: "Você viu só, mano, a molecada quer é andar armada mesmo." Depois de anos sem dar entrevista a um grande órgão da imprensa, Mano Brown falou ao Agora sobre o referendo para a proibição ou não da fabricação e a venda de armas e munições no Brasil, marcado para dia 23:
Agora: Qual é o seu posicionamento em relação ao referendo do dia 23
Mano Brown-Sou a favor do desarmamento, mas essa argumentação é difícil, devia ser de outra forma. Está difícil a colocação das palavras. Sim ao armamento ou sim ao desarmamento. "Vote sim". Mas o bagulho está louco, mano, você viu lá no show, o pessoal quer arma.
Agora: Você tem dois filhos. Você quer que seu filho pegue em armas amanhã?
Brown-Acontece que as pessoas estão vindo como luta de classes, tá ligado, mano? O rico não quer que o pobre se arme e ele fique desarmado. E o pobre não quer que o rico se arme e ele fique desarmado. Você viu o argumento do moleque: "Como é que os policiais vão andar armados e eu vou andar desarmado?" É meio desigual, o argumento. Está confuso.
Agora: Principalmente para o jovem?
Brown-O jovem da periferia vê na arma um instrumento para ascender na sociedade de alguma forma, de ganhar respeito, coisa que ele não conseguiria normalmente, ou não da forma que ele queria.
Agora: Antes de ser o Mano Brown, você pensou em andar armado para ser mais homem ou para ter ascensão social no seu bairro?
Brown-Andei armado para me defender. Andei armado um tempo, não ando mais, não gosto de arma.
Agora: Isso é público? Você não esconde que um dia andou armado?
Brown-Não. Andei armado.
Agora: Hoje, você voltaria a andar, caso corresse risco?
Brown-É difícil porque a gente não sabe o dia de amanhã. Mas eu preferiria não ter uma arma na mão no momento em que fosse necessário. Preferiria não ter. Acho que uma vida humana vale muito mais do que qualquer coisa, e isso é irreversível. Muita coisa que poderia ter sido resolvido na idéia acabou em morte, pelo fato de a arma dar essa sensação de controle total.
Agora: No ano passado, segundo o Ministério da Justiça, 2.947 pessoas foram mortas com armas de fogo só em São Paulo, e a maioria tinha entre 15 e 24 anos, gente que vinha assistir o seu show. Como você vê isso?
Brown-Eu enxergo que está muita pressão em cima dessa geração que está descendo para a rua agora, para a arena, que acabou de sair da adolescência. Está muito pressão sobre eles porque a família, dos que têm, não consegue retribuir o investimento que a família fez neles. Os que não têm não vêem motivação de ser um garoto exemplo, porque os exemplos que estão sendo seguidos são os que andam armados, os que usam a força para conseguir o que querem, seja pobre ou rico.
Agora: Dinheiro fácil, ascensão social fácil?
Brown-Não é fácil porque nunca é fácil quando você arrisca a sua própria vida. Nunca é fácil. O que eu penso é que muitos amigos meus, pessoas de quem eu gostava, poderiam estar vivos hoje, se não fosse a arma. Porque a pressão que a molecada está vivendo vai ser extravasada violentamente, porque eles não são ouvidos. Os anos estão passando, um governo de esquerda já assumiu e era esperança. As coisas estão muito lentas e a periferia é urgente, precisa das coisas para ontem e as coisas não estão acontecendo, está muito nebuloso. Os moleques estão inseguros, eles têm pressa, eles querem viver logo, têm ânsia de viver a vida, viver a vida que é vendida, que é oferecida.
Agora: Via parabólica?
Brown-É, pela televisão. Eles querem viver a vida que todo mundo fala que é boa, que os poetas falam. E eles não estão vendo essa vida, eles estão vivendo uma vida de necessidade, de dia-a-dia difícil, de hostilidade, uma competição hostil o tempo todo, começa dentro de casa. É muita gente para pouco espaço, muita gente para pouco emprego, muita gente para pouco dinheiro, poucas oportunidades, está muito competitivo.
Agora: Você já contou quantos amigos seus foram mortos a tiros?
Brown-Eu não parei para contar, mas eu sinto a falta de vários, vários camaradas que morreram vítimas de violência barata mesmo, de idéia de que poderia resolver trocando idéia. A arma estava fácil. Armamento abundante na mão de pessoas sem estrutura, sem equilíbrio, na mão de pessoas problemáticas. A arma não deveria estar na mão de ninguém, nem a polícia deveria andar armada. É aquilo que o moleque falou: "Por que a arma tem que estar na mão do polícia e na nossa não?" Acho que a partir do momento em que a polícia tem o direito de matar, o cidadão comum também tem. Porque, na verdade, o policial também é um cidadão comum, o governador também é um cidadão comum, ele não tem o direito de matar, ninguém tem o direito de matar. Então, tem que desarmar geral, eu sou a favor de desarmar geral, todo mundo.
Agora: Você ficou decepcionado, triste, quando, durante o show que terminou, viu que a maioria dos jovens quer as armas?
Brown-Eu não fiquei tão surpreso, entendeu. Talvez eu já soubesse, mais ou menos, que a resposta seria essa, porque esse argumento é muito fácil, é o mesmo que os ricos também estão usando. Eu fico sentido porque sei que quem, mais uma vez, se a vontade da periferia for aquela refletida hoje dentro do salão lá, as armas vão continuar na rua. Porque eu vi que a maioria é a favor do armamento. Talvez por não pensar muito, talvez por não analisar um assunto a fundo, como ele precisa ser analisado. Talvez alguns tenham respondido ali da boca para fora, e se respondeu da boca para fora é porque não está pensando tanto no assunto. Isso é preocupante.
Agora: Você acha que o jovem vai votar de qualquer jeito no referendo?
Brown-Está aí o que você falou que eu fiquei sentido, foi isso aí. Eu senti que as pessoas não estão preocupadas com o assunto, tá ligado? Tanto faz. Já estão vivendo a pior parte mesmo, eu estou vendo que, pelos moleques, tanto faz ter arma ou não, eles acham que a vida não vai melhorar. Eles não acreditam na melhora. Eu vejo que os jovens estão sem esperança na melhora.
Agora: Você falou em luta de classes, que o rico quer ficar armado e quer desarmar o pobre, é desse jeito?
Brown-É isso o que eu estou vendo. E o pobre não quer ficar desarmado porque ele sabe que do outro lado vai haver muitas armas contra ele, também. Então virou quase que uma guerra, né? Uma guerra fria. O Brasil está a beira de um... o barril está para explodir mesmo, hein, meu. Se o Lula não conseguir dar um passo, fazer alguma coisa que as pessoas realmente notem. Se esse governo agora, que vai entrar no último ano, não fizer alguma coisa que seja visível aos olhos dos humildes, uma coisa que faça diferença dentro da casa das pessoas, eu acho que a tendência é o Brasil voltar a ter um governo de direita, morô, meu, de pessoas que pregam a arma, pregam a construção de cadeia, tá ligado, que pregam a repressão, e a periferia continuar alienada. Agora, vai se alienar por outras coisas.

Posted by fotogarrafa at 08:06 PM

maio 16, 2005

Rap com fé

Digital, Marcelo Min, 20050515, D3, Aice e Borracha
Os manos-irmãos de fé Borracha e Aice

Digital, Marcelo Min, 20050515, D3, Aice e BorrachaDigital, Marcelo Min, 20050515, D3, Aice e Borracha

Posted by fotogarrafa at 04:32 PM

março 14, 2005

Periferia na Academia

Ato na PUC-SP contra a redução das bolsas, o corte de estudantes bolsistas e o impedimento de matrículas de alunos inadimplentes. Eles também pedem a anistia das parcelas das matrículas para os alunos que vieram de cursinhos populares.

Digital, Marcelo Min, Ato pela democratização da PUC, 20050314

Digital, Marcelo Min, Ato pela democratização da PUC, 20050314

Digital, Marcelo Min, Ato pela democratização da PUC, 20050314

Digital, Marcelo Min, Ato pela democratização da PUC, 20050314

Digital, Marcelo Min, Ato pela democratização da PUC, 20050314Digital, Marcelo Min, Ato pela democratização da PUC, 20050314

Em janeiro, na época das matrículas e das férias e quando haviam poucos estudantes ainda foi assim que o mesmo representante da reitoria da PUC recebeu os alunos. Clique sobre a foto.
Digital, Marcelo Min, Ato pela democratização da PUC, 20050114

Posted by fotogarrafa at 11:55 PM

janeiro 14, 2005

Mano a mano

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC-SP
Estudantes da PUC e de cursinhos populares reivindicam diálogo com a reitoria por critérios mais justos na distribuição de bolsas de estudos e pela isenção de taxa de matrícula para os estudantes de baixa renda.

Confronto com a Reitoria marca matrícula de ingressantes
por Ébano
No dia 14/1, sexta-feira, último dia de matrícula da segunda chamada, o Centro Acadêmco de Ciências Sociais, Cacs, membros do Movimento dos Cursinhos Populares da PUC e estudantes aprovados no vestibular 2005 provenientes de bairros de periferia, foram impedidos de realizar uma manifestação no Prédio Novo por seguranças da universidade. Os estudantes reivindicavam a isenção da taxa de matrícula para os alunos de cursinhos populares que foram aprovados no vestibular mas não têm condições de pagar a matrícula.Na primeira chamada e também no dia 13/1, os estudantes realizaram uma passeata pelos corredores do Prédio Novo, onde acontecia a matrícula, protestando com apitos e correntes. No dia 14/1 os estudantes pretendiam repetir o protesto, mas foram impedidos pelos seguranças da universidade, que postaram-se na entrada das rampas do Prédio Novo, impedindo sua passagem.O presidente da AFAPUC, Anselmo Antonio da Silva, tentou intermediar o conflito, mas seus argumentos não foram levados em conta pela direção da universidade. Anselmo fez uso da palavra, afirmando que em seus mais de 20 anos de universidade não havia visto tal tipo de repressão. A manifestação dos estudantes ganhou o apoio de participantes do curso de verão - curso promovido pela Igreja Católica, cujo tema geral era solidariedade. Das sacadas do Prédio Novo, os participantes do curso aplaudiam os estudantes. Um dos alunos do curso procurou o PUCviva para relatar que tal manifestação estava sendo também impedida pela Reitoria, que mandava que as pessoas voltassem às salas de aula.Diante do anúncio de que a Reitoria estaria disposta a negociar, os estudantes recuaram. Uma reunião aberta foi feita. Após duas horas de discussão, a direção da universidade apresentou a mesma proposta que havia feito na semana anterior, ou seja, parcelamento da taxa de matrícula em três vezes para os alunos carentes. Os estudantes continuaram discordando da proposta e emitiram uma nota em que acusam a Reitoria de tê-los enganado durante a negociação e de coagir os alunos carentes ao anunciar que a concessão do parcelamento estaria vinculada ao controle do rendimento acadêmico dos estudantes. Já a Reitoria, em carta à comunidade, lamentou “as manifestações ocorridas, que não se justificam em uma universidade que sempre praticou uma ampla política de inclusão responsável, garantindo a presença em seu corpo discente de numerosos estudantes pertencentes às camadas populares da sociedade”.

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC-SPDigital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC

Digital, Marcelo Min, 20050114, manifestação na PUC-SP

Movimento dos Cursinhos Populares: a luta diária!
O Movimento dos Cursinhos Populares sente a necessidade de vir a público expor seus objetivos, métodos de luta e um histórico da batalha travada na PUC-SP. O movimento é composto por diversos cursinhos (inclusive o Cursinho dos Alunos da PUC), por estudantes desta e de outras universidades, integrantes de outros movimentos sociais e demais pessoas que se identificaram com a luta.Muitos alunos de nossos cursinhos prestaram vestibular para universidades públicas e não foram aprovados. Alguns se inscreveram na PUC e foram aprovados, mas não têm como pagar a taxa de matrícula. Até agora a isenção da taxa de matrícula só se realizava em caráter de exceção, diante da humilhação do aluno e sob o juramento de sigilo. A partir disso, decidimos lutar pela isenção da matrícula, organizados no Movimento dos Cursinhos Populares.A princípio, recorremos aos meios disponíveis na PUC para reivindicar a isenção. Participamos de três reuniões abertas com a Reitoria, para as quais não fomos convidados, mesmo entregando nossa pauta com antecedência. Na última reunião aberta, estavam presentes os vice-reitores administrativo e comunitário, que nem ao menos sabiam de nossa presença nas reuniões anteriores.Por não obtermos resposta até o dia 5/1/05, quando saiu a primeira lista, decidimos pela manifestação. No dia 6/1, na primeira chamada do vestibular, cerca de 60 estudantes subiram as rampas da PUC acorrentados, pedindo a isenção. Representantes da Reitoria se propuseram a negociar com o Movimento e, em uma assembléia, tiramos uma comissão para ouvir qual era a proposta. Na reunião, houve a negação da isenção de matrícula e a proposta de formação de um Grupo de Trabalho para discutir bolsa de estudos. O Movimento afirmou que, sem a isenção da taxa de matrícula, a luta e as manifestações continuariam. No dia seguinte, muitos alunos foram obrigados a matricularem-se em um parcelamento em 3 vezes para não perder a vaga, tendo que pedir dinheiro emprestado para pagar a prestação, já que muitos não tinham dinheiro.Na segunda chamada, a luta continuou, e a Reitoria passou a incitar a desmobilização com ameaças e difamação do Movimento. No dia 13/1, às 21h, em reunião fechada, a Reitoria tentou forçar a desvinculação do Centro Acadêmico de Ciências Sociais do Movimento, exigiu que os manifestantes desocupassem o CA e jogassem fora as correntes usadas durante a manifestação, e entregou uma carta cobrando uma posição do Centro Acadêmico.Denunciamos a atitude coercitiva da Reitoria em uma manifestação, mas a repressão não findou. Para impedir nossa passagem pela rampa, uma verdadeira muralha humana foi montada, com cerca de 20 homens do corpo de segurança da universidade. Alguns alunos do Curso de Verão se solidarizaram com a luta. As falas ao microfone denunciaram essa atitude autoritária de negar o direito à manifestação. A Reitoria impediu inclusive que alunos do Curso de Verão se integrassem ao movimento, com a ameaça de perda da sede do curso. O vice-reitor comunitário, João Décio Passos, chegou a agredir verbalmente a aluna Vitória Vassoler, formada pela PUC e integrante do Educafro, chamando-a de indecente, com o dedo hasteado em sua face. Na negociação do dia 14/1, a Reitoria novamente se negou a conceder a isenção. Os representantes que articularam a reunião, depois de conversa com o Sr. João Décio, mantiveram o mesmo parcelamento da 1.ª chamada. Tal demora das negociações ocasionou a perda do prazo para efetivação da matrícula. Frente a essa situação de comprovado desrespeito, conseguimos, depois de muita luta, que a matrícula fosse feita na segunda-feira 17/01/05.O fato é que, nessa negociação, fomos enganados pela Reitoria. Os alunos tiveram que entrar com recurso para matrícula fora de prazo. Com a matrícula sendo efetivada sob recurso, João Décio e Silvana Tótora puderam conversar em particular com cada um dos estudantes e, covardemente, coagi-los a deixar o Movimento. João Décio disse que o desempenho acadêmico destes alunos será acompanhado de perto. Coagiram-nos a assinar um documento condicionando a efetivação plena da matrícula ao pagamento das duas parcelas restantes. Verbalmente, condicionaram a concessão de bolsas à não-atuação do aluno no Movimento dos Cursinhos Populares ou mesmo no C.A.. Devido a esses acontecimentos, chamamos as entidades dessa universidade (centros acadêmicos, Apropuc, Afapuc e demais estudantes) a apoiar luta pelo acesso e permanência dos estudantes de baixa renda na universidade e pela liberdade de expressão e livre manifestação dos movimentos sociais dentro da PUC.Na luta pelo direito ao ensino superior a todos, e não só para uma camada privilegiada. Pela universidade pública e gratuita para todos. Pela periferia na academia!
Nossos contatos: 3670-8340.
E-mail: movimentodoscursinhos populares@yahoo.com.br.
Movimento dos Cursinhos Populares

Posted by fotogarrafa at 06:18 PM

julho 18, 2004

Gato Preto

Feijoada, rap, uísque nacional, entrega de ambulância na Favela do Colombo (ZS)


Douglas e eu fomos a convite do Gato Preto prestigiar o evento com as participações sempre especiais do GOG, do Záfrica Brasil e dos regueiros do Jah I ras

Posted by fotogarrafa at 10:24 PM

abril 03, 2004

Racionais

Clique sobre a imagem para mais fotos

_RacionaisMcs_pPB20030914E_Racionais_G4_Mano Brown.jpg Filme Tri-X 400, Canon EOS5

Mano Brown

Posted by fotogarrafa at 08:59 PM

outubro 27, 2003

Post Temporário

negativo pb
Jardim Ângela (ZS)

negativo pb

negativo pb

negativo cor
Z´África junto do Projeto Bartolomeu de Teatro brincando e tocando para as crianças que vivem embaixo do Minhocão!

negativo cor

Posted by fotogarrafa at 10:12 PM

outubro 21, 2003

Abre a perna!

Ontem teve paredão no Jardim Leme, pra lá do Campo Limpo! Estavamos conversando na esquina da casa do Buia e de três viaturas do Tático Móvel sairam uns 8 policiais armados de metralhadoras. Eu estava de costas pra rua, atrás de um poste e qdo os soldados me viram tomaram um susto, cara de o que este coréia tá fazendo aqui? Todo mundo pra parede, cala boca, olha pra frente, revólver e metralhadoras em punho, ô mina já falei pra parede, pra parede, cala boca, abre a perna, revista, já assinou b.o., já assinou b.o., abre o carro, documento, nome do teu pai... Já levei outras gerais na vida, mas é foda quando isso acontece parado na esquina, sem estar fazendo absolutamente nada de errado, junto com o pessoal de um dos principais grupos de RAP de São Paulo, o Z´África Brasil. É uma merda viver num país racista!!! No momento da geral eu estava sem a minha câmara, ainda bem (um dia eu explico) e assim que me devolveram o documento e me fizeram repetir que não havia sofrido nenhum tipo de constrangimento, corri pro carro, e ainda consegui fazer algumas fotos em pb do desenlace.
filme negativo pb

Posted by fotogarrafa at 10:18 PM

outubro 10, 2003

Entrevista na casa do Helião

Ontem rodei, rodei e rodei por Sampa Crazy City.
Primeiro logo cedo no Itaim Paulista (ZL), numa visita a uma escola estadual, depois fui correndo pro Capão Redondo (ZS) buscar o escritor Ferréz e levá-lo até a laje do Helião do RZO, em Pirituba (ZO), para uma conversa, sob um temporal, sobre políticas públicas, cultura, vida, que o Douglas Kim e eu estamos agitando e depois da chuva, voltamos pro Capão. Ainda fui pra Pinheiros beber umas cervejas, dei um rolê pelo centrão e voltei pra casa com a sensação de estar fazendo história

Visita a E.E.Professora Maria Vera Lombardi Siqueira, numa matéria sobre Jogos Panamericanos para o suplemento Folha Educação. Ao final tive uma surpresa quando a professora de educação física, Cláudia, quis mostrar o blog da escola. Um blog de fotografia!!! Uau!!!


A informação e a história sendo produzidas pelo povo!


ei, vamos ajudar a professora Cláudia a incrementar o blog da escola: http://www.eemariavera.blogger.com.br/


Tavam lá os escritores Alessandro Buzo, Ferréz, os rappers Helião e Fiel que veio do rio e é da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, o vereador Carlos Gianazzi e a banca que foi aparecendo lá na laje-estúdio onde o RZO gravou o seu álbum e que vendeu mais de 200.000 cópias e que o temporal quase que inundou tudo! Na pauta, a voz da periferia sobre a educação, a opressão, a política, a mídia, a concentração de renda, a atitude de vida, a cultura e, claro, sobre o temporal que tava foda lá em Pirituba!

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Entrevista que o Douglas Kim e eu agitamos para a Trip mas que por uma sacanagem da revista acabou não sendo publicada e pior, roubaram a nossa idéia. Enfim, tá aqui a conversa na integra:

Mesa Redonda
Laje Helião - Pirituba
09/10/2003

Buzo - escritor
Alessandro Buzo - 1972
Mora no Itaim Paulista, filho de Antonio Calixto de Souza,
motorista, e Luzia Buzo, funcionária pública
Trabalhou como office boy e representante comercial
Autor de “O Trem - baseado em fatos reais” e "Suburbano Convicto" e responsável pelo “Boletim do Kaos”


Ferréz - escritor
Reginaldo Ferreira da Silva -1975
Mora no Capão Redondo, filho de Maria Luiza, empregada
doméstica, e Raimundo, motorista.
Trabalhou como balconista de lanchonete e arquivista
Autor de “Fortaleza da Desilusão”, “Capão Pecado” e “Manual
Prático do Ódio”


Fiell - músico
Mora em Cidade de Deus
Fundador do Movimento Enraizados, lançou o CD “Mundo Cão”


Giannazi - vereador (PT)
Carlos Giannazi - 1961
Mora no Jardim Primavera.
Formado em Pedagogia e História, com mestrado em Educação
pela USP, mas já trabalhou como auxiliar de escritório e
bancário.
Presidiu a CPI da Educação e é presidente da ONG Cidadania Já


Helião - músico
Helio Barbosa dos Santos - 1969
Mora em Pirituba, filho de Dona Lurdinha, empregada
doméstica, e Seu Amadeo, mecânico.
Trabalhou como serralheiro
Líder do RZO, lançou os CDs “Todos são Manos” e “Evolução é
uma coisa”


LEIS DE INCENTIVO/POLÍTICA CULTURAIS
Giannazi
Essas leis de cultura, só dão acesso aos mesmos grupos.

Ferréz
O pessoal do cinema pega milhões, eles têm a técnica. Eles
pegam um milhão para fazer o filme e a gente não consegue
dinheiro para fazer um CD. E você vê que todo mundo chega de
carrão. Eu falei estes dias numa palestra: se eles querem
fazer um documentário do amendoim torrado da Malásia, eles
conseguem dinheiro. Nós queremos falar de política pública e
sociedade e não conseguimos.

Giannazi
Não pega mil reais. Essas leis são furadas. Agora, queremos
criar uma editora municipal, uma gravadora municipal e
priorizar quem está produzindo na periferia. Tem que ter
atestado de pobreza, não tem que ter projeto.
Desburocratizar, facilitar o acesso, como a Casa Jorge Amado,
na Bahia.

Ferréz
E não é nada dado porque este dinheiro é da gente.

Giannazi
Dinheiro público! Tem que pressionar, senão não sai nada. Não
só a prefeitura, mas o governo estadual e o federal devem
organizar políticas de cultura pra essa área, canalizar,
priorizar os recursos públicos. Você vê as estatais, elas
investem pesadamente em cultura, só que é uma cultura
totalmente elitista, eles não investem no movimento, genuíno,
da periferia. Então, acho que tem que cobrar do poder público
uma ação como essa, uma priorização do dinheiro que existe no
orçamento municipal, estadual e federal, facilitando o acesso.

Ferréz
Aí tem outra questão que é pior. Como a gente vai ter licença
para falar mal do sistema se a gente vai editar livros pelo
próprio sistema? Como vamos nos sentir à vontade fazendo uma
música sendo que ela vai sair por uma empresa estatal?

Giannazi
Mas tem um porém, a estatal é pública, o dinheiro é nosso, é
nosso imposto, não é um favor nenhum. O Chico Buarque de
Holanda logo que terminou a ditadura militar, teve um
programa na Rede Globo em 86, que chamava Chico e Caetano. O
Chico Buarque era o maior inimigo da rede Globo, e vice-
versa. Ele foi contratado para fazer um programa mensal de
música brasileira e aceitou.
“Mas Chico, você meteu o pau na Globo todo este tempo, uma
empresa que te perseguiu a vida toda, censurou suas músicas,
e agora...”
“O negócio é o seguinte, a rede Globo é uma concessão
pública, não é do Roberto Marinho. Agora o Brasil está se
redemocratizando, e como é uma concessão pública, eu vou
entrar, sim, dane-se o Roberto Marinho”

Ferréz
É a mesma elite que sempre conseguiu dinheiro. Na verdade,
nós temos que apresentar os projetos já com os
patrocinadores. Você telefona “Tio, você que é dono da
Claybon, patrocina o meu projeto, você tio, dono da VASP,
patrocina o meu projeto.”
A gente vai pedir pra quem, para o dono da mercearia?

Giannazi
A questão é essa, não é só fazer o projeto, você aprende e
faz. A questão é que você tem que conseguir o patrocinador e
depois a aprovação da secretaria, mas o mais difícil é o
patrocinador. Quem vai patrocinar o livro dele, quem tem
interesse comercial? Mas vamos imaginar que ele caia nas
graças da Petrobrás, que tem milhões, ótimo.

Ferréz
Mas sabe o que é engraçado? A gente já fez trabalho pra
Petrobrás, mas através de outros. Eles chamaram a gente,
fizemos de graça o documentário e ele foi vendido para TV
Cultura, GNT e todos os canais. A gente acaba sendo o produto.

Giannazi
Operários.

Ferréz
Mas, ao contrário do rap americano, nós somos o instrumento
de trabalho, e não os administradores. Você vê o seu nome em
todo lugar, a fama, e aí vai pegar as medalhas e enfiar na
pele porque não tem nem jaqueta?

PERIFERIA
Helião
A maior imagem que eu tenho da periferia é a desigualdade, a
desigualdade social. Uns com muito, outros com nada.

Fiell
Lá no Rio se morre alguém na zona sul, rapidinho é jornal,
etc. Se morrem dez na favela, ficam lá esquecidos.
Desigualdade, contraste social.

Ferréz
A mídia sempre joga a visão pelo lado da violência, se
jogasse desde o começo pelo lado da criatividade, a periferia
iria ser lembrada hoje como celeiro de artistas, mas o olhar
da mídia é sempre um. Em todas as comunidades existem eventos
beneficentes, mas ninguém vem filmar, tirar fotos. É sempre
em cima da violência, sendo que a maior violência é a mãe da
gente trabalhar no centro, voltar com 50 anos para a
periferia com as pernas cheio de varizes e a gente ter que
cuidar delas depois.

Giannazi
A periferia é um paradoxo. A desigualdade, a má distribuição
de renda e a miséria, acabam gerando uma grande violência
social. A violência da periferia é a violência de toda a
sociedade, é a violência da concentração de renda. Ao mesmo
tempo, é uma contradição você ter uma grande produção
cultural muito rica, um patrimônio cultural e de dignidade. O
poder público, na verdade, governa para os ricos. Acho que
quando a periferia se organizar um pouco mais, ela vai
conseguir trazer os recursos públicos para ela. O hip hop
consegue ter mais força neste momento histórico, ele é de
esquerda, na minha opinião, ele contesta o sistema, a
desigualdade social. O poder público só vai olhar para a
periferia quando o poder público for pressionado pela mesma.

Ferréz
A cobrança é feita do lado errado. Tinha que estar aqui o
Caetano Veloso, o Roberto Carlos, o Paulo Coelho, o pessoal
que gira milhões de discos, milhões de livros. Por que sempre
a cobrança “O que vocês produzem?” Nós somos o tema, nós não
produzimos o tema. O Helião é o tema, ele não canta a favela,
ele é a favela. O Buzo é a periferia, eu sou a periferia,
tudo que a gente for produzir é periferia


CENTRO X PERIFERIA
Rodrigo
Todo mundo quer dar uma vida melhor pro seus filhos. A gente
está batalhando para um futuro melhor para quem está vindo.
Sair da periferia pode ser, como pode não ser uma boa. É um
lugar que traz muito sofrimento.

Buzo
Depende da atitude. Uma coisa é você mudar o seu local de
moradia. morar lá no centro e nunca mais vai voltar na sua
quebrada, Eu não sei se vou morar sempre no Itaim. Se eu não
for morar no Itaim, vou ser o mesmo cara de sempre.

Fiell
Eu moro lá na Cidade de Deus, tem hora de entrar, De repente
você vai entrar de madrugada e bate de frente com uma
quadrilha inimiga, é sinistro, vai morrer. É difícil.

Ferréz
A gente acredita que pode mudar a comunidade, melhorar, então
nós não vamos mudar de comunidade. E não vou sair porque está
no meu braço, na minha veia, no meu sangue, na minha família
e em todos amigos meus. É um bagulho de karma já, o meu karma
é ficar. É o preço que cada quer pagar ou não. Se o cara que
fala pra mim que está mudando porque tem medo que o filho
dele vá morrer, firmeza, quem sou eu pra julgar? Só que eu
ainda quero criar o meu filho dentro dos moldes que eu fui
criado. Porque eu acho que o playboy, o cara que foi criado
em um lugar melhor, não tem o senso que eu tenho, o que eu
aprendi na rua. Quero ensinar o meu filho na mesma direção.

Heliao
O Sabotage ia na Globo e o caramba e ninguém falava nada

Ferréz
O Sabotage passou o que nós estamos passando, ficava em hotel
cinco estrelas e depois voltava pra favela.


Fiell
Se fosse para sair da favela o (MV) Bill teria saído. Ele foi
confundido com traficante, ficou meia hora andando uma arma
nas costas e ele ainda mora lá, na favela.

Buzo
Nós somos de um lugar distante que talvez você nunca tenha
vontade de conhecer, mas é aqui que nós nos sentimos bem. A
gente se sente bem na nossa quebrada, não tem essa
necessidade de sair daqui.

Giannazi
É sempre um risco sair, vai depender do compromisso, da
convicção, do caráter, da personalidade, tem gente que
consegue sair e manter a mesma linha ideológica, compromisso
com a arte que ele produzia. Não é fácil, a tendência não é
essa, porque você vai para uma vida melhor, começa a ter
outros interesses.

ARTISTAS E AGENTES SOCIAIS
Ferréz
Eu acredito que o exemplo de vida das pessoas que estão aqui
é muito mais forte que o trabalho. Por outro lado, se
deixarmos, a mídia nos transforma em profetas da nova era,
falando contra isso e aquilo, isso é moralismo. E nós somos
pecadores: um fuma, outro bebe, outro transa, outro mata,
outro rouba também, entendeu?

Giannazi
Todos são artistas. Só o fato de não estarem reproduzindo
essa cultura alienante, industrializada, comercial, isso já é
revolucionário. É a realidade da ampla maioria, isso já é uma
grande contribuição. O Ferréz vendeu 30.000 livros, ele já
pulou o cerco, o Helião vendeu 200.000 discos. Isso mexe com
as pessoas, mexe com as estruturas do sistema.

Ferréz
Hoje, os músicos de rap vendem mais que os cantores de MPB,
porque o trabalho tem essência, não é só pelo discurso, pela
ideologia, mas acima disso o trabalho tem essência.

Giannazi
Os tropicalistas diziam “vamos entrar em todas as estruturas
e sair de todas elas”, para detonar por dentro. Tem ocupar
todos os espaços para mostrar a arte de cada um.

Ferréz
A mídia só está mostrando porque gira dinheiro e gera
público. Ninguém é bonzinho.


LULA E O GOVERNO
Buzo
Temos que continuar a ter esperança de que alguém vai olhar
para gente algum dia. Se não for o Lula, vai ser quem, quem
representa mais o povo do que o Lula? Eu não vejo ninguém. Se
chegar ao ponto do povo perder a esperança de vez em
política, eu vou pra onde, vou pra revolução armada?

Fiell
Exterminar os pobres...

Rodrigo
Eu não acredito numa melhora com essa forma de governo de
quatro anos, acho que a melhora viria com um governo que
ficasse por muitos anos. Ou mudar todo este sistema político.
O Lula está lá com esse sistema mas não é a voz, pode até ter
boa intenção, mas é apenas o piloto da nave.

Buzo
Se o Serra tivesse vencido a eleição, seria a continuação dos
8 anos do FHC, iam ser 12 anos. Se o Geraldo Alckmin não
tivesse ganhado, ele não teria tido a oportunidade de
continuar o que ele não está fazendo. A Marta fez a taxa do
lixo, ela ficou estigmatizada na periferia, a Martaxa, mas
ela fez 17 CEUS na periferia.

Ferréz
Quer saber, é tudo igual. O projeto do Alckmin é chamativo e
grande, o projeto da Marta é chamativo e grande, tudo igual.
O projeto do Lula é propaganda, é banner, é site, e é pouca
distribuição de alimento. Se eu não batalhar pela comida em
casa, não tem. O sistema já está corrompido, mudá-lo é utopia
nossa, vão ser sempre as mesmas cabeças lá em cima, a
manipulação é a mesma.Agora, só não acorda quem não quer,
tudo é jogo de marketing. Dezessete CEUS dariam para fazer
cem escolas. Quando o helicóptero filmar, tem que filmar a
piscina, tem que se fazer um projeto amplo, bonito, chamado
CEU porque a gente está vivendo no inferno. Ilusão, ilusão.

Heliao
Eu sempre fui petista. Desde crianças, minha tia já foi
vereadora. Tenho maior amor pelo partido, fazia estrela,
pintava bandeira, trabalhava no tempo de eleição, só que
estou achando que o Lula está com muita conversa já. Quando
ele não era presidente ele era fulminante.

Giannazi
O Lula, não podemos esquecer, tem a mesma origem de classe
que nós, veio da periferia do Brasil, do Nordeste, da
periferia do ABC. Metalúrgico, foi a primeira vez na história
do Brasil que uma pessoa que vem das camadas populares assume
a presidência do Brasil. Porém, o Lula é pressionado o tempo
todo pelas elites econômicas, pelos bancos internacionais,
pelos latifundiários, ele não consegue governar do jeito que
ele quer. Ele precisa do apoio popular também. O fato de
chegar na presidência da república não significa que a gente
chegou no poder. Mas ele fica refém também de algumas
situações. Os outros são mais fortes, as elites são
poderosas, tem o poder econômico, o PT não tem o poder
econômico. Até para ganhar ele teve que fazer alianças com o
PL, com vários partidos de direita que representam todas as
forças contra a mudança.

Ferréz
Nosso povo tem complexo de patrão. É hereditário. Se votava
no Quércia, típico patrão de todo mundo, votava no Collor
porque é o típico patrão.

Giannazi
Trabalhador não vota em trabalhador

Ferréz
Uma vez no Jardim Ângela disse para o Lula
“Porra, mano, que carrão!”
“Se pobre votasse em pobre eu andava de Brasília amarela”


TERRA
Buzo
Você vê o MST na televisão e as próprias pessoas pobres metem
o pau nos caras: “são um bando de vagabundos” Por quê? Porque
são manipulados a pensar assim. Onde estão os líderes do
movimento MST, o José Rainha e a mulher dele? Estão presos. E
o que o povo acha disso? Acha bom, baderneiro está preso, vai
acabar aquela porcaria do MST. E ele mora na favela e está
falando isso. Ele está atirando contra ele mesmo.

Ferréz
Quando eu fui pra Pelotas, eu vi lá o movimento dos
trabalhadores sem moradia, trabalhadores passando
necessidade, não tinham onde morar e não tinham emprego. Em
Aracaju você vê um movimento sem terra também, aí você vem
aqui no centro e encontra o movimento dos sem teto. O Brasil
está cheio de pequenos movimentos borbulhantes que estão se
unindo e formando uma grande massa. Acho que é legítimo e a
atuação política vêm disso. Na Bahia você vê o cara morando
em casa feita de saco de lixo, você vai para o sul é a mesma
coisa, moleque tomando chimarrão o dia inteiro porque não tem
o que comer dentro da barraca e todos esses grupos ainda têm
biblioteca no centro das comunidades! Acho que o movimento é
legítimo e acho que tem que ter respeito porque os jornais de
direita, as revistas de direita vão jogar contra isto. Isso
já é um fato.

Helião
Eu acho que tem muita gente sem ter onde morar.Outro dia,
peguei um ônibus pro Rio Grande do Sul, você passa, anda mais
de um dia, você olha pros dois lados e vê a maior imensidão,
você não vê uma casa, não vê nada, e você vê o pessoal se
pendurando nos morros. E aquelas terras lá têm donos, são os
políticos, os empresários, a igreja. Quer dizer, tudo se
resume na desigualdade e gera violência. Nossos amigos se
armam, vão assaltar banco, matar os outros. É sério.

Fiell
Eu sou a favor, se eu não tivesse onde morar eu ia invadir um
terreno, com certeza.

Ferréz
Você mora onde?

Fiell
Cidade de Deus.

Ferréz
E com certeza um terreno que já foi um terreno invadido.
Todos somos sem terra. Nós descendemos do mesmo escravo que
foi solto e não deram informação para ele plantar, para ter
propriedade. Não deram a carta de alforria junto com a
escritura de um lugar, apenas jogaram na rua e nós somos a
descendência. Somos descendentes da ralé de antigamente.

Rodrigo
Quando disseram que acabou aquela palhaçada de escravidão
jogaram o negro na rua. Se o bisavô do playboy deixou terras,
foi o meu bisavô que trabalhou para ele deixar. Acho que já
deveria vir a reparação, o sistema colocou na nossa cabeça
que a gente não presta, que somos vagabundos, não temos terra
porque não queremos, só gostamos de invadir a propriedade dos
outros, roubar, e é esta imagem que mídia tenta passar dos
movimentos sem terra, que são movimentos sérios, organizados.

Giannazi
Acho que para entender o MST é preciso entender o Brasil. O
Brasil continua organizado em capitanias hereditárias, a
família Sarney é fruto de 500 anos, a família ACM na Bahia, e
assim por diante. Uma outra cosia que explica a nossa
realidade que é a questão dos escravos. O Brasil foi o último
país do mundo a acabar com a escravidão e o negro saiu da
senzala e foi para a favela. Ele não foi indenizado. O MST é
produto destas lutas todas, no passado nós tivemos
resistência também, a Balaiada, a Sabinada, o Quilombo dos
Palmares, Farroupilha, vários movimentos populares se
organizaram. O MST quando está invadindo, na verdade, está
ocupando terras que são nossas. Os grandes latifundiários
também invadiram essas terras, não são deles, muitas delas
são terras devolutas do Estado, que eles foram se
apropriando, falsificando documentos. O MST quando ocupa,
ocupa prioritariamente estas terras, eles fazem um mapeamento
de terra devoluta que foi apropriada pelo latifundiário. É um
movimento legítimo, tem que ocupar mesmo, só assim que vai
ter reforma agrária no Brasil. Tem que ocupar os prédios
públicos ociosos, particulares, eu defendo, acho totalmente
legítimo, acho que só assim vamos ter mudança no país. O MST
é o movimento mais revolucionário dos últimos tempos, anos 80
para cá, junto com o movimento hip hop, são os dois
movimentos que balançam o Brasil. Vamos fazer esta mudança, o
resto é conversa fiada.

INFORMAÇÃO
Fiell
Quando mostram a favela na TV só mostram a desgraça, nunca
mostram alguém os irmãos. No hip hop, eu sou a prova viva, se
não fosse o rap, eu não estava aqui hoje. Era mais um na
estatística. Outra prova viva: eu tirei um irmão que era
soldado do morro, dei uma casa para ele morar lá, a gente
alugou, dei trabalho. E se não fosse o rap?.

Giannazi
O hip hop é isso, além de ser um movimento revolucionário ele
oferece oportunidades, ele oferece perspectivas de vida, a
pessoa pode pensar no futuro. Quantas pessoas saíram da
criminalidade para se dedicar ao hip hop? O movimento é bem
amplo, tem gerado emprego, renda, mas principalmente, sonho e
perspectiva de vida para uma boa parte da periferia. E está
indo na contramão da cultura de massas, desse lixão cultural
que a mídia está jogando. Este movimento é resistência.

Buzo
Informar hoje é caro. Para mim ler as revistas que eu
gostaria de ler, ler os livros que eu gostaria de ler, ter
acesso a toda informação que eu gostaria de ter, eu não tenho
condições financeiras para isso. Então, o que eu faço? Eu
leio o que chega na minha mão, o que me interessa. Então você
tem que saber usar os poucos veículos que conseguem chegar
até nós.

Ferréz
Esse negócio da imprensa é um negócio legal de falar, porque
ninguém está fazendo favor para nós. Se eu estou dentro de
uma revista, é porque tem um público X que está assinando por
minha causa, gente que está comprando todo mês, você
movimenta o negócio. Os meios de comunicação não fazem boiada
pra ninguém. Você acha que vão me pagar todo mês para ter um
texto que não tem público? A ignorância é mais cara que a
informação.

Rodrigo
Os parceiros que roubam, assistem os programas da TV para ver
quem caiu, quem não caiu. É o Notícias Populares da TV. De
repente, estes programas estão até ajudando no crime, ao
invés de combater.

Ferréz
Eu acho que sou bem representado pela mídia, sou representado
pelo canal 7, na Turma do Gueto. Sou daquele jeito, ando com
uma 12 do lado, sou violento. Em uma emissora que o Edir
Macedo dirige, alguma coisa não é intencional? Com este tipo
de novela, o que vai acontecer para o nosso povo, com os
moleques, a gente vai saber depois, porque tudo tem uma
conseqüência. Mas se é uma concessão, acho que o Giannazi
pode falar isso agora, o erro está em quem concedeu e não
está tendo fiscalização nenhuma.

Giannazi
O Ministério das Comunicações não consegue interferir na
questão da ética dos programas, cada um faz o que quer. O
correto pela lei, tem uma legislação, o programa tem que ser
educativo, tem que elevar o nível cultural da população, tem
uma série de regras. Mas são os donos das emissoras que
mandam, o que vale é a audiência, o mercado. O poder público
não consegue e nem quer controlar isso. Sobre isso tem que
tomar muito cuidado, porque a televisão faz a cooptação.
Quando o Faustão começou com o seu programa de auditório,
Perdidos na Noite, era um programa revolucionário, crítico,
na Bandeirantes, na Record, o Faustão não era nada disso que
é hoje. Daí ele foi para a rede Globo, ele já muda
totalmente, a Globo dá uma enquadrada nele. E vários outros
movimentos que foram para a mídia e foram distorcidos. Tem
que entrar lá, mas mantendo a mesma proposta. O movimento
hippie nos anos 60 foi revolucionário e foi cooptado. Hoje é
uma grife.

POLÍTICA INTERNACIONAL
Buzo
O Bush não é menos terrorista que o Sadam Hussein, que o Bin
Laden, ele é até mais terrorista, porque o governo usa o
patriotismo deles para fazer uma guerra, matam milhares de
pessoas em outros países e o povo acha bonito, apóia. O Bush
é terrorista de terno e gravata, só não fica dentro do buraco.

Rodrigo
Eu enxergo assim. Em todos o lugares do mundo os pretos estão
se dando mal, estão brigando com os brancos, outras etnias
estão se dando, brigando com a classe européia que domina o
mundo. Lá na Faixa de Gaza...Homem bomba morrendo há dez anos
está fazendo isso porque gosta?

Ferréz
É bem simples. Na sociedade americana o cara que precisa
ganhar dinheiro abre uma fábrica de ventilador. “Mas você vai
vender para quem se cada família já tem 3 ar-condicionados
dentro de casa”. Então ele pressiona o presidente, já que
apoiou a campanha dele. Inventam um esquema para que os
outros países comprem os produtos deles. Ah, então eu vou
montar a Alca, livre comércio, mas é livre só daqui pra lá,
nós não compramos nada deles. E as leis vão sendo montadas em
torno do capitalismo. É só isso.


VIOLÊNCIA/GUERRA CIVIL
Ferréz
Quem usa cocaína, quem promove o tráfico no morro, é da
elite, cheirando nos banheiros banhados a ouro. Quem anda de
carro importado porque ganhou de herança de não se sabe quem,
esses caras não podem ostentar mesmo, não. Neste país
violento que a gente tem, temos que boicotar. Esses caras têm
que tomar cuidado, porque a hora que a violência for para o
lado deles, têm que pagar com a vida mesmo

Rodrigo
Já está indo. Todos de carro blindado. Quem tem dinheiro, não
fica sossegado não.

Ferréz
Nós nos matamos porque um pisa no pé do outro, e você acha
que moleque não vai matar madame que não quer descer do
carro? Ninguém teve dó dele. Quem teve dó do moleque? Vem
aqui, vou te dar uma boa alimentação, uma boa escola, eu sou
o sistema, vou te cooptar com uma coisa boa. Ninguém, aí
chegaram as drogas, chegaram as armas, e levaram o moleque.

Rodrigo
Mas a maioria não quer nem saber de droga: “Quero ganhar o
meu dinheiro, um real daqui do meu bolso não vai sair pra
droga.” Conheço cara que se trabalhou no crime e quando deu,
parou, fez uma lojinha.

Giannazi
Aqui no Brasil se mata muito mais que na guerra do Iraque, na
guerra com os palestinos, só que não tem a repercussão
internacional porque é um país pobre, país miserável, não
aparece na mídia internacional. A nossa guerra civil é muito
pior que no Iraque, morre muito mais gente em um final de
semana. Outro dia fui no enterro de um menino lá zona sul,
morreu lá na favela, tinha 20 anos, só que uma mulher da
comunidade falou
“Olha ele morreu neste final de semana, mas no final de
semana passado no mesmo lugar morreram 4, exterminados e no
Grajaú, mais 5”

Ferréz
A mídia dá a história da conseqüência, não a causa. Ah, ele
tinha passagem...O Maluf tem um monte de passagem e ninguém
acha que ele deve estar morto. Sabe por que? Porque o menino
estava atrás do morro fumando para espantar as neuroses,
porque a periferia é uma neurose, dia inteiro sem nada o que
fazer, jogar bola o dia inteiro? Vai assistir televisão e é
só branco, só gente que você não se identifica,

Rodrigo
Não tem teatro, cinema...

Ferréz
Vai fazer o quê, vai lá no morro fumar um, relaxar um pouco
para não fazer besteira, aí os caras metem um 16 no moleque.
Toma, assina logo aí, ou pior, assina um tráfico de 7 anos.


CIDADANIA
Ferréz
Todo mundo pode entrar na Câmara dos Deputados e dos
Vereadores, basta mostrar o RG. Se você juntar cinco do seu
bairro para reclamar da sua rua, você pode subir no gabinete
do cara, e falar “Eu votei em você e quero saber como vai
ficar isso aqui”

Giannazi
E nem que não tenha votado

Ferréz
Pode ir lá, a casa é pública. Isto tinha que ser divulgado,
senão vai chegar uma hora que o cara vai chegar lá para matar
alguém, porque já não tem limite mais. Esta é a balança.


PRECONCEITO
Ferréz
A pergunta é seguinte, é só essa,
“Pai por que tem gente na periferia, pobre?”
“É tudo vagabundo, filho, que não quer trabalhar. Eu
trabalho, meu filho, entendeu, eu trabalho.”

Rodrigo
“Pai por que a maioria das pessoas negras são pobres?”
“Porque elas ficam no samba, eles não gostam de nada, ficam
no samba, fumando maconha, são vagabundos”

Fiell
“Aquele que tem tatuagem é bandido”

Castor
O movimento hip hop é a salvação da nossa espécie, a
periferia.
O pobre nunca vai ostentar, sabe por que, tem uma vertente do
rap que os caras estão comprando ouro, comprando carro da
hora. Tem que comprar mesmo, nós é sofredor, tem que andar
com os melhores bagulhos. Já começa por aí. O moleque vai se
espelhar em quem, num ladrão que tem um Audi muito louco, ou
no Ferréz que está andando a pé, descalço, que exemplo é
esse? Ai a gente está jogando conversa fora. Se o Helião
estivesse em uma metalúrgica, 10 anos atrás, tivesse estudado
o que ele estudou no rap, ele estaria ganhando um salário de
3 a 4 pau, por que ele não pode ganhar isso no rap? Por que
ele está falando da favela? Tem que ganhar mesmo para vir os
caras lá atrás e modificar a vida, tem que ser exemplo.

Rodrigo
A partir do momento que você faz alguma coisa
profissionalmente, merece retorno financeiro. Todo mundo pode
ter, por que o rapper não pode ter?

Giannazi
Como o poder público está distante da produção cultural da
periferia. E são as pessoas que estão produzindo na periferia
que estão nas escolas públicas.

Ferréz
Aí depende da situação, do envolvimento, chega uma hora que
as pessoas não são mais estranhas pra você. Se um cara ligar
e foi ele que o indicou ao editor, ao produtor, foi ele que
tirou a foto do seu disco, aí o cara é legal. Se o cara fez
um favor pra você, então o cara é firmeza, é meio hipócrita.
Eu sou assim: se é para divulgar o meu produto, eu vou.

Fiell
Eu só não vou nessas paradas se quiserem maquiar as minhas
letras.

Giannazi
Desde que você não violente a sua arte, deve ir.

Rodrigo
O hip hop só existe hoje por causa da mídia. Quem trouxe o
hip hop pra cá?

Ferréz
O próprio poder público sanciona e corta qualquer maneira do
povo ter conscientização. Por exemplo, as televisões são
concedidas e só passam porcaria o dia inteiro. O povo não
sabe votar porque não recebeu informação para isso, nunca vai
saber exigir porque também não tem informação para isso. Pára
tudo na educação, pára tudo na informação, por isso está
parado há 500 anos.

Buzo
Eu acho que a revolução se faz a passo de formiguinha, você
vai construindo, vamos pressionar sempre. Realmente é
difícil, você não tem apoio nenhum, ninguém se interessa para
que a população pobre leia.Nossos próprios livros custam mais
de R$20 e se o cara está quase à beira de passar fome, não
tem R$20 reais para comprar um livro. Só há duas opções de
lazer, a televisão e o boteco. No boteco ele vai se
embriagar, e com a televisão acho que ele ficará pior do que
estar bêbado. A maioria da população pobre está alienada e
nós temos que combater diretamente esta alienação.

Ferréz
A história do Brasil é assim, não tinha ninguém para
administrar, aí o rei falou assim: você que vem pra cá,
Ferreira, você fica então com a parte de Pernambuco...

Rodrigo
Não sei quem ficou com a Bahia, ficou com o Maranhão...E
ainda tem os holandeses, italianos, alemães e os nativos? Não
vêm reclamar de nós pretos, e os nativos brasileiros? O que
eles têm?

Ferréz
Nem a favela sobrou para eles

Buzo
Nós estamos aqui, vários de nós têm filhos, quando nosso
filho estiver na primeira, segunda série, o que eles vão
aprender? Que Portugal descobriu o Brasil. Portugal não
descobriu, invadiu, saqueou e prostituiu.


HIP HOP
Helião
O rap começou há pouco, 20 anos mais ou menos, agora é que
vão surgir os livros legais, os discos legais.

Ferréz
A parte ideológica a gente ouviu dos primeiros grupos e
tentou montar com isso. Hoje a gente está sabendo o que é
ideologia e ela ainda está sendo completada por outras
pessoas que estão vindo. As pessoas vão somando.

Giannazi
Acho que é um movimento em construção e está crescendo. Se
você levar em conta que é um movimento que sempre foi
associado à marginalidade, sempre foi reprimido, foi
estigmatizado, folclorizado, está avançando, está ocupando
espaço. Outros movimentos não tiveram isso

Ferréz
Sem tese acadêmica

Giannazi
Sem nada, na raça.

Heliao
A nossa música não tinha nada de social, aí começamos a
escutar Racionais, ler os livros de vocês, as revistas.

Fiell
Racionais foi a grande revolução.

Posted by fotogarrafa at 10:59 PM

setembro 14, 2003

Racionais e RZO no Itaim Paulista

filme pb

filme pb

filme pb

filme pb

filme pb

digital
Na madrugada de hoje teve Ndee Naldinho, RZO e Racionais MCs no Itaim Paulista, ZL. Então em breve, com exclusividade total, távamos o Douglas e eu, fotos em preto e branco desta noite louca!!! Agora só falta entrar no lab, fazer a química, o d76, o fixador, revelar, secar, cortar, editar, ampliar, scanear e postar!

filme pb
14/09/2003, Manhã na Itaim
Seu José Amaro da Silva, 59, pernambucano, a caminho da reunião do AA que frequenta há 20 anos, desde que parou de beber. Achei um tanto que simbólico encontrá-lo assim, numa viela metade pintada metade pixada

Posted by fotogarrafa at 11:58 AM

setembro 12, 2003

Mini rappers


Os irmãos Carlos Felipe, 11 anos, e Miguel, 9 anos, os MC's FM, apresentando o seu show "Grito Contra o Vandalismo" na Estação Mauá da CPTM

Posted by fotogarrafa at 12:19 PM

setembro 06, 2003

U.B.C. - União Bate Cabeça

U.B.C


06/Set/2003, Festa na Favela do Godoy, Vila Fundão, Capão Redondo, Z.S., um ano depois no mesmo lugar mas desta vez não levei bronca do Brown


Mais uma da Godoy, na Vila Fundão, crianças jogando sinuca

Da série "ei, tira uma foto minha?"


06/Set/2003, Vila Maracanã, Z.S.
Galera comendo maçã do amor.Com certeza esta foto ficaria melhor em cor, pra mostrar a cara lambuzada e vermelha das crianças

Posted by fotogarrafa at 12:27 PM

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