Contagem regressiva. Em alguns dias vou ser pai. Se for menina vai ser a Beatriz, se for menino, Arthur. Talvez por isso quando ouvimos a música, a letra e o video que o Aice fez, a Luciana e eu caímos num choro.


Milton, 14, com fé e garrafa e fotos nas mãos. Milton mora em Santos com os pais, estuda, sabe ler, mas de tempos em tempos vem visitar seus amigos no centro de São Paulo, e passa uma temporada morando nas ruas.



Brincadeira inocente, mas imagina a força das águas neste bueiro.
Olha só como era aqui antes:
http://www.fotogarrafa.com.br/fotoarquivos/000812.html


Viva! Depois de mais de um ano de quebra-conserta-requebra finalmente as novas calçadas da rua Sete de Abril estão prontas. Só não quero ver o que vai acontecer na epoca das chuvas já que as calçadas foram feitas em "V" com uma depressão no meio e mal a obra foi finalizada e as canaletas já estão entupidas.

Av. Ipiranga, na porta do Edifício Esther, triste realidade 24 horas.
Enquanto isso, outros se expressavam a sua maneira...

av. 23 de Maio





Rua 7 de Abril, morador de rua capotado entre sacos de lixo

Rua dos Timbirás X Praça da República, mais um menino desacordado no meio da rua.
Depois de reclamações de moradores do Pacaembu, os três (idades entre 15 e 16) que fazem malabarismo com bolinhas nos sinais próximo ao estádio foram detidos porque cheiravam cola de sapateiro.
W. da Silva, 16, mora com a mãe e estuda em Itapevi, no supletivo, curso de aceleração, 5ª e 6ªséries, matriculado na Escola Benvindo Moreira Neve. Estava querendo juntar um dinheiro para comprar o material escolar. As aulas começam nesta semana. "Cheiro cola sim, pra aliviar a mente. Não quero roubar. Faço malabares". Estava sem documentos. O guarda não quis saber. Foi algemado e tratado como um bandido.

W. da Silva, 16 anos, estudante, e seus dois amigos, 15 e 16, sendo levados pelos GCM para a 23ªDP







"É, todos fingem que não vêem. Mas as crianças estão lá, nas ruas. Expostas a cola de sapateiro, bebidas, drogas... Meninas se prostituem. Meninos roubam. Perdem o momento mágico de aprender, crescer, se integrar. Não é fácil um país querer dar uma Bélgica de presente a uns poucos privilegiados. O preço disso é o aumento crescente do Brasil que mais se parece uma síntese do que há de pior na Índia, com o que há de mais pobre na África." Ruben Bianchi

Será que só eu estou desrespeitando o Estatuto da Criança e do Adolescente ao mostrar o rosto de uma criança de rua dormindo (sobre um prato com arroz e feijão que alguém deixou)?

Denilson Marçal, 21, Analista de Planejamento, estudante de Marketing e que no dia das mulheres, ganhou flores da namorada.
"É muito clara a desigualdade social que a gente tem no nosso país, né. Essas crianças, é muito simples entender porque isso acontece. As pessoas não tem acesso a informação, não dá pra dar educação para todos. A tendencia é que quem é rico fica mais rico e quem é pobre continua na mesma.
Então a gente tem o exemplo nas escolas públicas que hoje todo mundo passa de ano direto, não precisam saber. Isso é pra não ter consciência, para não questionar o governo do país que estão habitando.
A solução seria a política de igualdade, que desse oportunidade destas pessoas estudarem para no mínimo chegarem a algum lugar na vida."



Alef Silva, 12 anos, parou de estudar na 4ºsérie, fugiu de casa no Parque Real há um mês porque apanhava do padrasto. Está gostando da experiência de morar nas ruas e aprendeu a cheirar cola. Não diz quem vende nem onde, mas compra de 3 a 4 saquinhos por dia, e paga a cola com o dinheiro que recebe nas saídas dos metrôs. Ou seja, o melhor é nunca dar dinheiro para as crianças, nas ruas. Uma moeda ou outra não vai ajudar em nada. Tem uma grande carga simbólica ainda mais para uma criança que não condiz com o valor monetário. O que ela vai aprender? Que esmolar é vantajoso? Nem sorvete, balas ou resto de refrigerante. A idéia é dificultar as opções atrativas da vida na rua e forçá-los a procurar sua casa de volta ou aceitar a assistência que o governo ou entidades organizadas oferecem. Se quiser mesmo ajudar tem outras maneiras... Mas também, sei lá, isto não é regra, mas que é muito triste ver um moleque louco de cola, ahhh isso é.

"Ei foi vc né que fotografou a gente na rabeira do ônibus ontem???" Alef, durante manifestação dos perueiros em frente a prefeitura de São Paulo e que estava acompanhado de Alexandre S.F., 15 e que havia fugido uma semana antes da FEBEM de Franco da Rocha. Os dois estão sem documentação alguma. São invisíveis.


Loucos e se divertindo à beça, mas volta e meia tem um garoto de rua acidentado, estirado no chão da Gal. Olímpio da Silveira...




























Fim de um sonho para a família de Gileno de Jesus




30/11/2004, Reintegração de posse em Guaianases, em terreno de 400 mil m² de uma antiga pedreira desativada

Há dois meses, em outubro, lutando por um futuro melhor...

Menino de rua, o Lucas, 14.


Pessoas retiradas da ocupação do prédio da Rego Freitas


Dormindo na Av. Duque de Caxias
Reencontrei com a galerinha da Maria P. no portão do Parque da Água Branca e tive uma boa notícia! Querem parar com a cola. Tiveram que abandonar o grupo maior e arranjar novos lugares para dormir. Faz dois dias que não consomem cola alguma e a diferença no olhar e no comportamento é bem visível. Hoje cedo foram acordados pelos educadores de rua do Projeto Travessia e toparam participar, à tarde, de uma atividade de pintura ao ar livre, dentro do parque. Aqui estão algumas das obras da futura mamãe, do futuro papai e dos amigos D. e C.. Os educadores passaram duas horas com a molecada e levaram um bolo e coca-cola pois era aniversário de um dos meninos (que não veio). Mas a educadora Sandra deixou bem claro que o ideal é nunca dar nem dinheiro, nem comida, nem roupas para estas crianças. O objetivo é dificultar a vida nas ruas destas crianças, obrigando-as a procurar ajuda nas instituições que as reencaminhariam para as suas famílias ou para outros locais que não a rua. Em tempo: o fornecedor de cola foi preso ontem...
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Maria P. e o cafuné do marido-menino
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Levando os pincéis para lavar
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Lavando os pincéis ao fim das atividades
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Ordem e Progresso! são 24 ou 27 estrelinhas???
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pé, coração, natureza, mão e sangue
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Pôr-do-sol e floresta
Fala aí! Genial estes trabalhos,não é? Na saída foram todos para Santa Cecília onde trabalham limpando vidros de carros... Desconfio que estas crianças tiveram que fazer uma escolha: os estudos, a violência doméstica e a falta de perspectiva pelas ruas, o abandono, a violência da sociedade, a liberdade...
Dia louco... Museu de Arte Brasileira da FAAP e depois as ruas
1 - Exposição Napoleão
2 - Triste realidade das crianças

No Pacaembu, Maria P (nome fictício), 17 anos, está em sua segunda gravidez, de quatro meses e está viciada em cola. Quando teve o seu primeiro filho, com 13 anos, teve que deixar o bêbe num abrigo. Há um comércio de sacos de cola na região. Cada saquinho custa 1 real e Maria Paula consome até três saquinhos destes todo dia. "É pra dormir e não sentir nada, nem fome... nem frio..." "a útlima vez que fiquei feliz foi quando soube que fiquei grávida..."
Ao seu lado está o futuro pai, Mario A (nome fictício), 16 e que consome até 10 saquinhos por dia. "se for menina ela escolhe, se for menino eu escolho o nome"

Preconceito: É um grupo de até 40 meninos e meninas que nas ruas convivem diariamente com a violência da polícia, a dependência da cola e do cigarro, o abandono e sobretudo com a indiferença e o medo das pessoas.
