A casa do passageiro
é o meio da rua
por isso esse ar de loucura
por isso esse andar
de banda. essa voz
que inflama. esse olhar
de lua
por isso essa dor que
não recua
A cama do passageiro
é o amor de campanha:
armar o dia
manter o fogo
cobrir a fuga
por isso esse chamado
quando passa adiante
essa vontade
que alguém lhe acompanhe
O medo do passageiro
é sentir-se um estranho
por isso sorri
enquanto morre de fome
(ele nasceu, teve um sonho
mas o caminho, longo demais
lhe rouba o sangue)
No meio da rua
o coração do passageiro
bate o bumbo
Casa de luto na lona
Um povo não se descarta
Invasão é só a bandeira
do que nos bate na cara
País envolto em fuligem
Vontade jogada ao lixo
Acampar é só a bandeira
de quem cultiva o grito
Horizonte feito chumbo
Tiros de misericórdia
Exigir é só a bandeira
da fome que desperta
Derrama verde-amarela
Luta enfrenta o fracasso
Coração é só a bandeira
da coragem que nos resta
Cidade nascida morta
Sitiada pelos poderes
Essa foto é só a bandeira
do que faremos de fato
Farrapos postos à margem
Pessoas que não tem nada
Meu olhar é só a bandeira
do que sofremos na carne