
Av. Ipiranga, na porta do Edifício Esther, triste realidade 24 horas.

Praça do Patriarca, 02:22

Largo São Francisco, 02:27
por Sérgio Vaz
São Paulo é uma cidade no cio. Por isso, transa com todo mundo e em todos os lugares. É bonita porque é feia, e como toda feia que se preza, beija mais gostoso. Que os Vínicius me perdoem, mas feiúra é fundamental.
Do alto do prédio ou na superfície da alvenaria, a cidade dói nos olhos dos inocentes que transitam nas calçadas. De onde eu a vejo, minhas retinas são seletas e de como eu a vejo, as esquinas são espertas.
A cidade de São Paulo, que está no mapa, não é todo daquele tamanho, muita gente já tirou um pedaço que falta na mesa do jantar. Ou levou pro fundo do mar ou depositou em conta corrente, que nada contra a corrente, de quem ama esse lugar.
Essa maçã mordida que a massa não come, constrói o luxo que alimenta o lixo escondido debaixo do tapete. Essa cidade não é minha e não devia ser de ninguém, mas ela existe, e todo ano faz aniversário.
Longe do estupro a céu aberto eu costuro meu poema sobre a torre de babel, que samba o rock triste, deste carnaval de concreto e de garrafas fincadas no chão. O cartão postal do meu coração não despreza o centro, nem esconde a periferia.
São Paulo pra mim é pagode com feijoada nos botecos enfincados nas ladeiras. É samba da vela e samba da hora na segunda feira. É o sarau da Cooperifa no quilombo da piraporinha, onde a poesia nasce das ruas sem asfalto.
É comprar livros nos sebos e ensebar nos bancos da praça. É ler caros amigos e Becos e vielas dentro do ônibus ou na fila de espera. É ser Um da sul, da norte, da leste ou oeste. É participar do favela toma conta, no Itaim paulista. Ou dançar samba de côco no panelafro.
É jogar futsal nas quadras das escolas públicas, quase abandonadas pelo alfabeto. É conspirar tomando cerveja gelada no bar do Zé Batidão. É Carolina de Jesus de Jéferson De, saindo da tela. É as mina de vestidinho e chinelo de dedo no churrasco em cima da laje.
É a rapaziada nos campos da várzea de canela em punho. Ser preto ou branco, mas principalmente verde. É o ensaio da vai-vai e das outras escolas. Ouvir Belchior na voz do ceará. Comer peixe na barraca do Saldanha. É Levar os espinhos na Casa das rosas. É não ouvir cd pirata nem original quando o mesmo for caro. Ser enquadrado somente pelas lentes do Marcelo Min, QSL?
É ser “nóis vai”, mesmo quando a gente não for. É Falar errado, mas agir correto. É encontrar sempre as mesmas pessoas no muro das lamentações. É Empinar pipa nos dias sem vento. É ser mil graus na terra da garoa. São os quatros elementos se juntando a outros elementos.
Enfim São Paulo é isso, mas também tem outros lugares.
Foi uma hora de chuva intensa e granizo, o suficiente para destruir a casa e os pertences do motorista Roberto Alves e desabrigar pelo menos 150 famílias da Favela Alabama, no Itaim Paulista, Zona Leste da cidade. Várias casas foram atigidas pelo granizo que foi destruindo muros e invadido comércio e residências. Tentamos chamar os bombeiros mas só atenderiam se houvessem vítimas graves ou fatais. Coisas da periferia.
Duas pessoas morreram com o transbordamento do córrego Aimoré. Ontem eu tava lá no Itaim Paulista para o lançamento do livro do Alessandro Buzo, Suburbano Convicto, qdo o céu pretejou e a chuva acabou com o sossego dessas pessoas.


Roberto Alves, 28, em sua casa que ficou destruída pela chuva.



Imagens inéditas, outras nem tanto, muitas já mofadas, algumas meia boca, outras tantas de boca cheia mesmo, olhando a tôa, para se comemorar nem sei bem o quê destes 450 anos
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Mais uma tarde de sexta-feira na buena: almoço lá no vegetariano da São Luís, cafezinho esperto e curto ao lado da Biblioteca Municipal, fotos durante a chuva só pra matar o tempo sob as marquises de sampa crazy city e volta pra casa, todo encharcado e de bike.
Seu Antônio, ou o Fuinha como todos o conhecem lá na 7 de Abril, vendo o movimento do alto dos seus 72 anos!
Cinco reais cada guarda-chuva. Acho que esta é a parte boa da globalização...
Leandro, 13, vendedor de rua pelas madrugadas e noites da Vila Olímpia
Algumas gerais do ensaio nesta quinta-feira, lá do Bixiga, na escola de samba Vai-Vai