junho 06, 2007

Plastic Caruaru

No fim de maio, a Lu e eu passamos alguns dias em Pernambuco. Aproveitamos para conhecer um pouco do pré-sãojoão de Caruaru, e nos espantamos com a dimensão da festa. A cidade faz 150 anos. E Caruaru é definitivamente uma Crazy City. Para todos os lados, muitas bandeirinhas pré-fabricadas de plástico, balões de run e cervejas balangando no ar e monte de latas de pinga Pitú espalhadas pelo chão. Muitos policiais militares pela cidade. Música também por todos os lados. Sim, pelo menos umas 3 ou 4 tocando ao mesmo tempo, sempre no talo. Vem dos amplificadores na porta das lojas, do porta-mala levantado dos carros, do teto das kombis, dos onipresentes vendedores ambulantes de CDs e DVDs e seus carrinhos, até dos sorveteiros, alguns pedintes também usam o microfone. Lá, durante a noite, no arraial então nem se fala. Uma das únicas coisas que dava para entender do caldo sonoro era sempre o bordão calciiiinha pretaa.
Lá, as meninas todas de salto alto, devoram saquinhos de Podritos. Os rapazes, de camisetas agarradas com estampas costuradas, semi costumizadas e tênis Puma, estufam o peito com uma Pitú na mão.
Cadê as bandas de pífanos que ouvimos falar? E os trios de forró? O único que vimos só tinha uma senhorinha crazy dançando. Ficamos sabendo que em Caruaru o tradicional agora é coisa bem rara.
Cadê o Brasil rural sem toda a overdose tecnológica mal traduzida. Saco ficar reclamando, mas tenho certeza que esta rave junina é coisa de publicitários. Que fueda! Agora eles estão em todos os cantos.

Clique nas bandeirolas para mais imagens.

26/05/2007, Caruaru

Posted by fotogarrafa at 12:31 AM

fevereiro 04, 2005

Não existe fome

filme cromo, 20050121, Ana Maria Conceição Moraes, 26 anos, trabalhadora rural; Ana Paula, 4 meses; Moises, 7; Mailson, 4; Janailton, 3.
Ok, o presidente Lula errou feio. Que Fome Zero coisa nenhuma. Como os jornais me convenceram o problema do Brasil é a obesidade e não a fome. Tá sobrando gordura, leite, letras. As estatísticas comprovam e pra mídia não tem argumento melhor do que números. É mais civilizado do que usar armas. A mesma coisa com a Bolsa Família. Pra que este assistencialismo todo que só serve para desviar dinheiro público? Incompetência do Governo Federal!
Mas falar e criticar é fácil. A teoria das coisas idem. Vai lá começar um regime, deixar de fumar, de levar uma vantagem qualquer.
Muito cômodo achar que o governo é quem deveria ajeitar a situação da Ana Maria, e dos filhos Ana Paula, Moises, Mailton e Janaílton perdidos em algum lugar do século 18 e 19 e que a nossa parte da responsa seria depositar o voto na urna.
Mas sem os 80 reais da Bolsa Alimentação, eles todos estariam mortos, porque mortos-vivos os meninos já estão. A bebê ainda tem o leite. Tristeza é isso.
É uma infelicidade saber que somos uma sociedade mesquinha, racista e hipócrita e que estamos longe de admitirmos isto para avançarmos em um país menos injusto e aí sim colocarmos a culpa das coisas na incompetência dos outros.
E tem outra, se for pra ir pro brejo, e não é de agora que estamos indo, prefiro ir com um presidente-operário do que com um presidente-almofadinha, banqueiro, ou fazendeiro. Porque não é um governo que muda um país, só a luta das pessoas que transformam as coisas. E que seja no grito antes que seja na arma. Bom carnaval.

Posted by fotogarrafa at 06:25 PM

janeiro 31, 2005

Sertão

20050121_Isaias_Coelho_cromo02 copy.jpg

cromo, Marcelo Min, 20050121, Isaias Coelho, Piauí

Posted by fotogarrafa at 07:38 PM

janeiro 22, 2005

A seca no Piauí, as primeiras chuvas do "inverno", as barragens quebradas e a Bolsa Família

Digital, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, Barragem danificada Caraivas, Piauí

Filme positivo, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, PiauíDigital, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Curral Novo, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Curral Novo, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Curral Novo, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Curral Novo, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Curral Novo, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Curral Novo, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Estrada, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Estrada, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, PiauíDigital crop vertical, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, Piauí

Digital, Marcelo Min, 20050120, Isaías Coelho, Piauí

Posted by fotogarrafa at 10:04 PM

setembro 04, 2003

FOTOGARRAFA II

Uma das mudanças de foco aqui no Fotogarrafa é que antes eu só publicava as fotos feitas no próprio dia, ou no dia seguinte vai... Agora não quero mais ter este compromisso com a instantaneidade de publicação. Fiz isso durante um ano e sei que aprendi e descobri uma montanha de novas possibilidades! A fotografia digital tem a grande vantagem de gastar bem menos água, de ter um custo menor de produção e de dar velocidade de publicação e independência a um simples fotógrafo pé rapado. E isto era o que me motivava a continuar com o conceito de sempre publicar só imagens do dia. E a gente vive uma gigantesca transição na nossa sociedade. E em relação a fotografia quero aproveitar este vácuo e poder transitar entre uma fotografia com suporte físico e uma fotografia toda virtual. Um ano foi um tempo legal pra desenvolver um projeto pessoal baseado na imagem virtual e preocupado com a, de novo, instantaneidade de publicação. Mas fotografar e não ter um suporte físico me incomodava um pouquinho. Sei lá mas esta coisa de ter comprado um computador minimamente decente, ter banda larga e ter ganhado uma digital num concurso me fez poder projetar um cenário futuro onde estes elementos todos fossem parte do cotidiano de qualquer um assim como a televisão é para a maioria dos brasileiros. Aí foi só botar a mão na massa e experimentar e experimentar. Mas este cenário a que me referi ainda está longe de acontecer. Mesmo assim tenho visto um monte de gente misturando fotografia com internet com blog, etc e acho isto muito saudável. Produzir, sair, viver e não só consumir. E agora que sinto que a mesa do fotogarrafa foi posta, vou mais é aproveitar que os filmes em 35mm ainda são disponíveis e produzir um trabalho pessoal com eles para eu poder ter com o que ficar brincando no dia que eu ficar velhinho!

filme PB
Monte Santo, BA, abril/2003

Muita gente acusa a fotografia digital de banalizar a imagem e de estar acabando com o mercado de fotojornalismo. Concordo, mas eu acho ótimo! Que todo mundo seja capaz de fotografar e melhor ainda, de publicar na internet ou seja lá onde for, estas imagens, se quiser, e que qualquer pessoa possa contaminar a iconografia que é construída todo dia nas bancas de jornais. Quero mais é um dia ver os manos e as minas fotografando, entrevistando, pesquisando, escrevendo, desconfiando, contaminando!!! Porque a Pasárgada que vejo lá não tem nada haver com o país em que eu vivo e não tô nem um pouco afim de engolir goela abaixo uma visão única, idealizada e preconceituosa de país feita por pessoas com uma mentalidade focada nas vendas. Claro que bunda dá ibope. Tô generalizando mesmo. Mas é só ver as revistas todas... Tudo muito parecido!
Mas e o mercado de fotojornalismo em frangalhos? Eu prefiro acreditar que a culpa ainda tá com aqueles mesmos que tão pouco se fudendo com a qualidade e o conteúdo de seus produtos. Os donos dos meios de comunicação já estão economizando fortunas com a logística toda da fotografia digital e ainda assim a gente deixa eles economizarem em cima de nossos trabalhos e de nossos direitos. Então também culpados somos nós mesmos, repórteres-fotográficos, que somos incapazes de nos unirmos. É tanta bunda no mercado que viramos bundas-moles!!! Então espero que pelo menos esta tragédia que está acontecendo hoje no nosso mercado sirva pra gente poder se posicionar diante desta nova fucking era da informação e nos unirmos e começarmos a exigir dos empregadores o respeito merecido. Porque eu sei o trabalhão que dá pra ser um fotojornalista e a não ser que acabe o uso da imagem no jornalismo, o que eu duvido muito, a nossa profissão não está nem um pouco ameaçada por causa da fotografia digital, nem da fotografia 35mm, nem com o fim do daguerreótipo, etc. Pelo contrário, acho que a dupla fotografia digital + internet vai permitir retomar um certo poder que o fotojornalismo convencional perdeu com a massificação da tevê e de sua velocidade, no começo da década de 60.
Então eu acho isso, PORRA! : )
Imagem é magia, PORRA, desde as paredes das cavernas até as cavernas da era virtual!
E ou a gente se une, PORRA, ou continua a colocar a culpa na fotografia digital mesmo e vamos todos juntos pro brejo!!!!

filme PB
Odete Maria de Jesus, 55, dir., que veio de Bom Sucesso (MG) para pagar promessa em Monte Santo (BA) e sua neta Natália de Jesus Santos, 8, 2ª série

filme PB
Maria de Lourdes, 24, estudou até a 4ºsérie, alisando o cabelo da filha de 6 anos, Claudicéia

filme PB
De novo os meninos simpáticos e espertos lá de Canudos Velho

filme PB
Claudionor Manoel da Silva, 37, nasceu e morava em Belém do São Francisco (PE), mas se mudou por causa da violência e do medo. Em Belém há mais de 15 anos ocorre a guerra entre as famílias dos Benvindos e dos Gonçalves que já matou mais de 150 pessoas. Uma semana antes a polícia pernambucana tinha matado um dos Benvindo e comemorou a façanha com uma saraivada de tiros em pleno centro de Belém. A região também fica na rota do tráfico e produção da maconha e seu Claudionor resolveu deixar o medo para viver sossegado como pescador em Canudos Velho. Nessa época de Semana Santa o IBAMA libera a pesca com a rede no Açude de Cocorobó

filme PB
Abril/2003
Crianças que passam as tardes cobrindo de terra os buracos das estradas baianas e pedindo dinheiro. Moram no povoado de São José, da esq. p/ dir. Hilton, 10, 2º série, Tarcísio Rodrigo, 12, 2ª série, e que lê e escreve um pouco, Rene dos Santos, 8, 1ª série. "(...) ganha pouco, não é muito não, aqui a gente ganhava, agora ninguém dá dinheiro não, só quando nós era pequeno, agora menino deste tamanho assim , ninguém dá não..."

filme PB
Tarcísio Rodrigo, 12, brincando com uma moeda de um real

filme PB
Rene dos Santos, 8

filme PB
Carregador de feira, Canudos, Bahia, abril/2003
Só no estado da Bahia, cerca de 600 mil crianças e adolescentes até 16 anos trabalham regularmente o que atrapalha e muito o rendimento escolar

Posted by fotogarrafa at 01:32 PM

agosto 31, 2003

Foco

Depois de mais de 50.000 page views, um HD lotado de jotapegues e um ano escrevendo o que desse na telha e experimentando a instantaneidade da fotografia digital - olhar, reportar, publicar - vou mudar de foco!

crianças de Canudos Velho, BA, abril/2003

Posted by fotogarrafa at 11:52 PM

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