No fim de maio, a Lu e eu passamos alguns dias em Pernambuco. Aproveitamos para conhecer um pouco do pré-sãojoão de Caruaru, e nos espantamos com a dimensão da festa. A cidade faz 150 anos. E Caruaru é definitivamente uma Crazy City. Para todos os lados, muitas bandeirinhas pré-fabricadas de plástico, balões de run e cervejas balangando no ar e monte de latas de pinga Pitú espalhadas pelo chão. Muitos policiais militares pela cidade. Música também por todos os lados. Sim, pelo menos umas 3 ou 4 tocando ao mesmo tempo, sempre no talo. Vem dos amplificadores na porta das lojas, do porta-mala levantado dos carros, do teto das kombis, dos onipresentes vendedores ambulantes de CDs e DVDs e seus carrinhos, até dos sorveteiros, alguns pedintes também usam o microfone. Lá, durante a noite, no arraial então nem se fala. Uma das únicas coisas que dava para entender do caldo sonoro era sempre o bordão calciiiinha pretaa.
Lá, as meninas todas de salto alto, devoram saquinhos de Podritos. Os rapazes, de camisetas agarradas com estampas costuradas, semi costumizadas e tênis Puma, estufam o peito com uma Pitú na mão.
Cadê as bandas de pífanos que ouvimos falar? E os trios de forró? O único que vimos só tinha uma senhorinha crazy dançando. Ficamos sabendo que em Caruaru o tradicional agora é coisa bem rara.
Cadê o Brasil rural sem toda a overdose tecnológica mal traduzida. Saco ficar reclamando, mas tenho certeza que esta rave junina é coisa de publicitários. Que fueda! Agora eles estão em todos os cantos.
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26/05/2007, Caruaru

Ok, o presidente Lula errou feio. Que Fome Zero coisa nenhuma. Como os jornais me convenceram o problema do Brasil é a obesidade e não a fome. Tá sobrando gordura, leite, letras. As estatísticas comprovam e pra mídia não tem argumento melhor do que números. É mais civilizado do que usar armas. A mesma coisa com a Bolsa Família. Pra que este assistencialismo todo que só serve para desviar dinheiro público? Incompetência do Governo Federal!
Mas falar e criticar é fácil. A teoria das coisas idem. Vai lá começar um regime, deixar de fumar, de levar uma vantagem qualquer.
Muito cômodo achar que o governo é quem deveria ajeitar a situação da Ana Maria, e dos filhos Ana Paula, Moises, Mailton e Janaílton perdidos em algum lugar do século 18 e 19 e que a nossa parte da responsa seria depositar o voto na urna.
Mas sem os 80 reais da Bolsa Alimentação, eles todos estariam mortos, porque mortos-vivos os meninos já estão. A bebê ainda tem o leite. Tristeza é isso.
É uma infelicidade saber que somos uma sociedade mesquinha, racista e hipócrita e que estamos longe de admitirmos isto para avançarmos em um país menos injusto e aí sim colocarmos a culpa das coisas na incompetência dos outros.
E tem outra, se for pra ir pro brejo, e não é de agora que estamos indo, prefiro ir com um presidente-operário do que com um presidente-almofadinha, banqueiro, ou fazendeiro. Porque não é um governo que muda um país, só a luta das pessoas que transformam as coisas. E que seja no grito antes que seja na arma. Bom carnaval.


















Uma das mudanças de foco aqui no Fotogarrafa é que antes eu só publicava as fotos feitas no próprio dia, ou no dia seguinte vai... Agora não quero mais ter este compromisso com a instantaneidade de publicação. Fiz isso durante um ano e sei que aprendi e descobri uma montanha de novas possibilidades! A fotografia digital tem a grande vantagem de gastar bem menos água, de ter um custo menor de produção e de dar velocidade de publicação e independência a um simples fotógrafo pé rapado. E isto era o que me motivava a continuar com o conceito de sempre publicar só imagens do dia. E a gente vive uma gigantesca transição na nossa sociedade. E em relação a fotografia quero aproveitar este vácuo e poder transitar entre uma fotografia com suporte físico e uma fotografia toda virtual. Um ano foi um tempo legal pra desenvolver um projeto pessoal baseado na imagem virtual e preocupado com a, de novo, instantaneidade de publicação. Mas fotografar e não ter um suporte físico me incomodava um pouquinho. Sei lá mas esta coisa de ter comprado um computador minimamente decente, ter banda larga e ter ganhado uma digital num concurso me fez poder projetar um cenário futuro onde estes elementos todos fossem parte do cotidiano de qualquer um assim como a televisão é para a maioria dos brasileiros. Aí foi só botar a mão na massa e experimentar e experimentar. Mas este cenário a que me referi ainda está longe de acontecer. Mesmo assim tenho visto um monte de gente misturando fotografia com internet com blog, etc e acho isto muito saudável. Produzir, sair, viver e não só consumir. E agora que sinto que a mesa do fotogarrafa foi posta, vou mais é aproveitar que os filmes em 35mm ainda são disponíveis e produzir um trabalho pessoal com eles para eu poder ter com o que ficar brincando no dia que eu ficar velhinho!
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Monte Santo, BA, abril/2003
Muita gente acusa a fotografia digital de banalizar a imagem e de estar acabando com o mercado de fotojornalismo. Concordo, mas eu acho ótimo! Que todo mundo seja capaz de fotografar e melhor ainda, de publicar na internet ou seja lá onde for, estas imagens, se quiser, e que qualquer pessoa possa contaminar a iconografia que é construída todo dia nas bancas de jornais. Quero mais é um dia ver os manos e as minas fotografando, entrevistando, pesquisando, escrevendo, desconfiando, contaminando!!! Porque a Pasárgada que vejo lá não tem nada haver com o país em que eu vivo e não tô nem um pouco afim de engolir goela abaixo uma visão única, idealizada e preconceituosa de país feita por pessoas com uma mentalidade focada nas vendas. Claro que bunda dá ibope. Tô generalizando mesmo. Mas é só ver as revistas todas... Tudo muito parecido!
Mas e o mercado de fotojornalismo em frangalhos? Eu prefiro acreditar que a culpa ainda tá com aqueles mesmos que tão pouco se fudendo com a qualidade e o conteúdo de seus produtos. Os donos dos meios de comunicação já estão economizando fortunas com a logística toda da fotografia digital e ainda assim a gente deixa eles economizarem em cima de nossos trabalhos e de nossos direitos. Então também culpados somos nós mesmos, repórteres-fotográficos, que somos incapazes de nos unirmos. É tanta bunda no mercado que viramos bundas-moles!!! Então espero que pelo menos esta tragédia que está acontecendo hoje no nosso mercado sirva pra gente poder se posicionar diante desta nova fucking era da informação e nos unirmos e começarmos a exigir dos empregadores o respeito merecido. Porque eu sei o trabalhão que dá pra ser um fotojornalista e a não ser que acabe o uso da imagem no jornalismo, o que eu duvido muito, a nossa profissão não está nem um pouco ameaçada por causa da fotografia digital, nem da fotografia 35mm, nem com o fim do daguerreótipo, etc. Pelo contrário, acho que a dupla fotografia digital + internet vai permitir retomar um certo poder que o fotojornalismo convencional perdeu com a massificação da tevê e de sua velocidade, no começo da década de 60.
Então eu acho isso, PORRA! : )
Imagem é magia, PORRA, desde as paredes das cavernas até as cavernas da era virtual!
E ou a gente se une, PORRA, ou continua a colocar a culpa na fotografia digital mesmo e vamos todos juntos pro brejo!!!!
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Odete Maria de Jesus, 55, dir., que veio de Bom Sucesso (MG) para pagar promessa em Monte Santo (BA) e sua neta Natália de Jesus Santos, 8, 2ª série
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Maria de Lourdes, 24, estudou até a 4ºsérie, alisando o cabelo da filha de 6 anos, Claudicéia
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De novo os meninos simpáticos e espertos lá de Canudos Velho
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Claudionor Manoel da Silva, 37, nasceu e morava em Belém do São Francisco (PE), mas se mudou por causa da violência e do medo. Em Belém há mais de 15 anos ocorre a guerra entre as famílias dos Benvindos e dos Gonçalves que já matou mais de 150 pessoas. Uma semana antes a polícia pernambucana tinha matado um dos Benvindo e comemorou a façanha com uma saraivada de tiros em pleno centro de Belém. A região também fica na rota do tráfico e produção da maconha e seu Claudionor resolveu deixar o medo para viver sossegado como pescador em Canudos Velho. Nessa época de Semana Santa o IBAMA libera a pesca com a rede no Açude de Cocorobó
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Abril/2003
Crianças que passam as tardes cobrindo de terra os buracos das estradas baianas e pedindo dinheiro. Moram no povoado de São José, da esq. p/ dir. Hilton, 10, 2º série, Tarcísio Rodrigo, 12, 2ª série, e que lê e escreve um pouco, Rene dos Santos, 8, 1ª série. "(...) ganha pouco, não é muito não, aqui a gente ganhava, agora ninguém dá dinheiro não, só quando nós era pequeno, agora menino deste tamanho assim , ninguém dá não..."
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Tarcísio Rodrigo, 12, brincando com uma moeda de um real
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Rene dos Santos, 8
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Carregador de feira, Canudos, Bahia, abril/2003
Só no estado da Bahia, cerca de 600 mil crianças e adolescentes até 16 anos trabalham regularmente o que atrapalha e muito o rendimento escolar