Nesta sexta-feira, 06 de outubro, 19h, juntamente com a fotógrafa Tatiana Cardeal, vamos participar de um debate sobre Fotoblogs organizado pelo Núcleo de Fotografia da Casa do Olhar.
Táqui o endereço:
Centro de Referência em Saneamento de Santo André
Rua José Cabalero, n° 143 - Centro - Santo André
Alguns fotoblogs de jovens fotojornalistas porretas!
http://www.fotolog.com/leonardowen, fotoblog de Leonardo Wen
http://ubbibr.fotolog.com/miranda027/, de Bruno Miranda
http://tucaleidoscopio.zip.net/, de Tuca Vieira
http://carolnegri.nafoto.net, de Anna Carolina Negri
http://emilianocapozoli.nafoto.net, de Emiliano Capozoli
Quer saber agora onde está a fotografia? Então descubra aqui

15 fotogarrafas comentadas. É só clicar no nariz aí em cima.
Todo mundo tem mais é que fotografar. Sair por aí, viver, e clic!
Porque a fotografia, ao contrário do que muita gente imagina, mais encobre do que revela. Ela é principalmente a arte de dissimular. Fotografar bem é saber esconder bem. É saber escolher o que não enquadrar.
O instante, o acaso, a técnica, a composição, a bagagem cultural, enfim, tudo isso são ferramentas para cavoucar o mundo visível e trazer dele um pequeno pedaço.
Por isso, que todos fotografem mesmo. Quanto mais gente melhor, quanto mais caótico melhor. E com os pedaços vamos contaminar qualquer tipo de grande verdade.
Olhar, reportar, publicar! Tô de volta!
Agora o Fotogarrafa não tem mais os arquivos por data (epa, estou no ar desde setembro de 2002) e sim por assunto. As fotos foram reorganizadas e convido quem já conhece o site ou quem está chegando agora para vê-las nos links aqui na esquerda.
Aproveito para agradecer ao amigo Eduardo Barile e seu filho Guilherme pela grande ajuda na mudança para a nova casa do Fotogarrafa, que agora está hospedado na Infoage. Obrigado.




20060126, Praça Ramos (Tomás, turista da Tanzânia, esq.) e Rua São Bento








20060125, Ginásio do Ibirapuera, durante jogo de streetball
Vou estar papeando sobre o Fotogarrafa com o Vidal Cavalcanti e a Brígida Rodrigues, às 19h, ao vivo, na ALLTV. Quem estiver à toa, apareça e faça perguntas. O nome do programa é Click.

O Fotogarrafa completou 3 anos, no ar desde 3 de setembro de 2002 e nem me dei conta. Então este post é para agradecer as visitas (+220.000), os vários comentários, sugestões, críticas, emails, propostas indecentes, a força, a torcida e o incentivo. Valeu!
Em tempo, a foto é de um político corrupto saindo da Polícia Federal, dia 12/10/2004, e insistindo em dizer que eram 4 e não 3!!!
Exposição coletiva com o pessoal da escola de fotografia Riguardare com a participação especial do Valdecir Carvalho. Falou mano!

Os repórteres-fotográficos Juca Varella, Maurício Lima e Jorge Araújo.
Informação é poder. A história confirma esta equação, sempre foi assim. No site Olhares do Morro (http://www.olharesdomorro.org), jovens moradores da favela de Santa Marta e de outras comunidades tem a possibilidade de espalhar os seus olhares, através da fotografia e da internet, e ajudar a construir sua própria história e disponibilizar a todos um novo país cheio de lirismo, de poesia e também da dura realidade da vida à margem da sociedade industrial de consumo. É um olhar que às vezes podemos perceber na preocupação de alguns fotógrafos profissionais mas que raramente ultrapassam o território das galerias ou dos livros de arte. No site, além do talento fotográfico destes jovens, une-se a naturalidade e a magia daqueles que retratam o seu próprio cotidiano, a sua intimidade, o seu grito. São jovens que logo cedo estão tendo a possibilidade de unir a sua vivência de cidadãos pobres de um dos países de maior concentração de renda do mundo com a produção de informação. O projeto coletivo do Olhares do Morro também tem uma função educativa, permitindo que os jovens se instrumentalizem com as novas tecnologias e linguagens e que também tenham a percepção do processo de construção das identidades. É o povo finalmente influindo na comunicação de massa, e não como espectador mas como produtor. E está mais do que na hora das pessoas poderem “contaminar” (disponibilizar informações mais pessoais) a produção da informação visual “mainstream” que se faz neste país e que nem sempre está pautada pela responsabilidade e que muitas vezes privilegia somente o mercado, as vendas, o Brasil que tem grana, não importa quem esteja a sua frente. E esta imposição do olhar que se produz, para o consumo, na minha opinião, só contribui para distanciar ainda mais as pontas que emergem da renda concentrada. É uma mídia que separa, tanto na publicidade como no jornalismo, e acho que no nível de conflitos sociais em que vivemos tudo o que a gente menos precisa é de desinformação e preconceitos. Se nas favelas, há muito, a música fez a sua revolução, espalhando sua poesia e melodias pelos asfaltos das cidades tenho certeza que uma nova geração de Cartolas, Jorges Benjores e Manos Browns da fotografia ou da literatura sairão desta experiência ou de outras tantas, e não vejo a hora de chegar logo o dia, em que informação de qualidade venha de todos os lados e para todos. Parabéns ao fotógrafo Vincent Rosenblatt, idealizador e semeador do projeto, e parabéns a todos os fotógrafos e participantes do Olhares do Morro.


Duplas-exposições: jogo de futivolei, Porto da Barra, Salvador, e varal de roupas, Capão, Chapada Diamantina

O cabelereiro

O carregador de volumes

O homem do café expresso

O vendedor de estrelas

Toneladas de fotos novas no meu site, vai lá! Este aí é o Mano Brown do Racionais MC's, é só clicar na fuça dele...

ou na dela, a Feiticeira, Joana Prado.
São 120 vagas. Eu se fosse vc corria e fazia uma reserva.
ARFOC-SP promove palestra sobre Cobertura Internacional
da Arfoc
Cobertura Internacional é o tema da Palestra promovido pela ARFOC-SP para o mês de abril. Viajar pelos cinco continentes, cobrir guerras, Olimpíadas e Copa do Mundo. Certamente esse é o sonho de muitos repórteres fotográficos. Sonho realizado por Juca Varela, subeditor de fotografia do jornal O Estado de S. Paulo e Ricardo Corrêa, que trabalhou por muitos anos como editor da Placar, que dão os caminhos das pedras e contam um pouco de suas aventuras, dificuldades, desilusões e conquistas ao longo de suas carreiras, repletas de coberturas internacionais.
Data: 05/04/2005, terça-feira,
Horário: a partir das 19:30h
Local: Ação Educativa - Rua General Jardim 660 - Vila Buarque
Informações e reservas: Tel/Fax: (11) 3257-3991 com Daniele
E-mail: arfoc-sp@arfoc-sp.org.br
É fato! Fiquei conhecido como o fotógrafo que apanhou do vizinho do Maluf. Sou assim apresentado quando reencontro alguém acompanhado na fila do cinema. É assim na banca do pastel, no elevador, na rua, no cafezinho de todo dia, na pauta, num churrasco no sítio ou numa reintegração de posse noutro sítio, no boteco, tem segurança que eu nunca vi e que me chama pelo nome. E aí Min! Até o fotojornalista do Estado de São Paulo, Nilton Fukuda, também de origem oriental como eu, chegou e me disse: -Velho, não aguento mais repetir que não fui eu quem apanhou do Maluf!
E muita gente, jornalistas, fotógrafos, desconhecidos vêm me perguntar, alguns até me intimando, e aí, tá processando o segurança? Fico constrangido, porque ainda não formalizei nenhuma representação. Na época do incidente escrevi indignado a pedido do Sindicato dos Jornalistas este texto, e claro, tudo o que escrevi tá valendo.
A empresa Folha da Manhã, não irá prestar assessoria jurídica alguma num processo civil contra a empresa de segurança patrimonial, alegando os altos valores das custas do processo. Além do mais no dia 31 de janeiro fiquei sabendo que a partir de 1º de fevereiro eu não trabalharia mais na equipe de fotógrafos do jornal, ou seja, foi um valeu mas apartir de amanhã você está fora. Mas o que eu queria dizer mesmo é que para eu entrar com a ação civil vou ter que juntar quase 2 meses do salário que eu ganhava para pagar o advogado e iniciar a ação. E claro que não tenho sobrando, enfim, em até duas semanas, gasto todas as minhas reservas mas entro com a porra do processo -não vou precisar mais ouvir por hora, o "ainda não entrou!?!?"- e em alguns anos, se nós (os fotojornalistas) ganharmos, pelo menos não vou ser o coréia que apanhou do segurança e sim o repórter-fotográfico que processou e ganhou a ação contra a empresa de segurança e vigilância patrimonial, Gocil, responsável por 15.000 funcionários, dentre eles o segurança Marcelo Silva, treinado em Israel, segundo o próprio dono da Gocil, mas sem o mínimo preparo profissional, um cara que anda armado, cego em suas ações pela certeza da impunidade. Pelo menos os milhares de seguranças desta empresa vão ter que pensar mais de duas vezes antes de agredir um cidadão no exercício de sua profissão.
Manos, não vou deixar barato, não vou ficar quieto, e nem vou fingir que não estou vendo!
Opa, não é que me citaram de novo no debate do Fotosite. Legal! Obrigado Rosely Nakagawa e João Bittar
Debate I - Curadores
Debate II - O papel da fotografia na mídia mundial
Dois bons debates sobre fotografia nos mesmos bat-dias e horários mas um em cada canto da cidade. Tá parecendo freela. Nunca rola, e quando rola é tudo pra mesma hora.
I - Série Encontros 2005
fonte: ARFOC-SP
Para estrear a Série Encontros 2005, a ARFOC-SP traz dois grandes nomes do fotojornalismo nacional e porque não dizer, mundial: Fernando Pereira e J.F. Diório.
Pereira com mais de 25 anos de experiência e com passagem em jornais diários como O Globo e Diário Popular (atual Diário de S. Paulo), ganhou o prêmio Vladimir Herzog, um dos mais importantes do jornalismo nacional.
Já Diório, atualmente vive uma das melhores fases de sua carreira, pois ganhou recentemente o mais importante prêmio para um fotojornalista: o World Press Photo. Diório trabalha como repórter fotográfico há 14 anos, com passagem pelo lendário NP (Notícias Populares) e há nove anos no jornal O Estado de S. Paulo.
Data: 01/03/2005, terça-feira,
Horário: a partir das 19:30h
Local: Auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato dos Jornalistas
Rua Rego Freitas, 530 - sobreloja
II- DEBATE MARCA LANÇAMENTO DA FOTOSITE #4
fonte: Fotosite
Revista chega à FNAC (Pinheiros) com evento que pretende discutir a função da imagem dentro da cobertura jornalística
Terça-feira, 1º de março, é o dia que a REVISTA FOTOSITE #4 vai ser lançada em São Paulo. Nas outras praças, a publicação chega durante a semana. A edição vem, além de outras matérias, com o portfólio de Luiz Braga, que comemora seus 30 anos de carreira com uma exposição no MAM em São Paulo; uma breve história da fotógrafa maldita Diane Arbus, que ganhou uma exposição no Museu Metropolitan de Nova York e um livro, Revelations; e um relato de nove dos principais fotógrafos brasileiros sobre qual foi o “momento decisivo” de suas carreiras. Para marcar a data de lançamento, o PROGRAMA DE ESTÍMULO À FOTOGRAFIA FNAC/FOTOSITE promove mais uma versão do ENCONTROS FOTOGRÁFICOS, com o tema O papel da fotografia na mídia mundial. A mediação cabe à jornalista, mestre em comunicação e artes e doutora em psicologia social Simonetta Persichetti. Os outros debatedores são João Bittar, editor de fotografia da revista Quem, João Wady Cury, jornalista que recentemente se tornou colaborador do Fotosite, Xico Sá, escritor e jornalista, e Jorge da Cunha Lima, jornalista e presidente do conselho editorial da TV Cultura. Isso tudo, nesta terça-feira, a partir das 19 horas. Não perca!
Horizontal

Minhas amigas, meus amigos, apesar da injeção e dos seis pontos no cocoruto, eu tô bem! Tirei vários raios-x da cabeça e foi constatado que realmente não tenho nada. Tá tudo oco, bem vazio lá dentro!
Ei, valeu a solidariedade, o carinho, a preocupação e a força de todos!
Ah, a minha resposta para a violência gratuíta daqueles seguranças e os responsáveis será uma só: exigir todos os meus direitos de cidadão. Eles que se preparem porque pra mim a luta só começou!
http://oglobo.globo.com/foto_sequencia/default_cacetada.asp?1
Contra a liberdade de violência
"Depois de algumas porretadas na cabeça e sangrando, infelizmente, virei notícia. Fui vítima da ignorância e do abuso de poder de um segurança privado, que, sem motivo lógico algum, a não ser a certeza da impunidade, agrediu-me repetidas vezes com um cassetete de metal. Com o agressor, não havia trocado uma palavra, um gesto, nem mesmo um olhar. O detalhe irônico é que Marcelo Silva é o segurança particular da residência do proprietário de uma das maiores empresas de segurança particular do Brasil, a Gocil. Não que tenha sido a primeira vez que fui atacado enquanto trabalhava, mas, graças aos meus colegas de profissão que muito bem documentaram o ato de covardia, e depois de toda a repercussão que o caso teve, a minha obrigação, mais do que nunca, é lutar contra a lógica da impunidade. Como cidadão e como jornalista, quero fazer valer todos os meus direitos.
Que a justiça seja feita e que atitudes injustificadas contra os cidadãos ou profissionais da imprensa não se repitam, pois quero ter a garantia que toda vez que eu encontrar um carro sobre a calçada pública, ou ver alguém sendo espancado por policiais militares, ou ver crianças na rua sendo algemadas, ou ver corredores de hospitais públicos repletos de pacientes sendo mal atendidos, eu vou, sim, fotografar e fazer questão que saibam que estou fotografando. Como repórter fotográfico, tenho o direito, e mais, o dever de documentar essas imagens. Que a busca da informação seja livre, pois é uma condição fundamental na construção de uma sociedade democrática mais justa e, conseqüentemente, menos violenta e arbitrária.
Estamos no Brasil da concentração de renda, da corrupção, no Brasil das injustiças e das desigualdades sociais, no Brasil da violência e dos exércitos paralelos, não podemos ficar alimentando essa roda de injustiça, medo e impunidade. Temos que lutar pela informação livre. Sempre." Marcelo Min
Vertical

Estou participando da VII Mostra "Amantes da Fotografia, na FAU-USP, que abre sexta-feira, 05/11, às 19hs.
Salão Caramelo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Rua do Lago, 876, Cidade Universitária, São Paulo
5 a 25 de novembro
Visitação: seg. a sex., das 8h as 20h
Fotos:
Texto que mandei para a Folha de São Paulo, para concorrer a uma vaga de cobertura de férias. O tema deveria ser: Fotojornalismo na era digital
FOTOJORNALISMO NA ERA DIGITAL
por Marcelo Min
Nada melhor para se datar o início de um século, de um milênio e mesmo de uma era, do que uma tragédia histórica tão significativa quanto a que ocorreu em 11 de setembro de 2001. O mundo pode testemunhar incrédulo as quedas de cada uma das duas torres que simbolizavam o poderio da economia industrial e globalizada. Ao vivo, pelas televisões e pelas rádios! Como se não bastasse, em Washington, o centro da inteligência militar dos Estados Unidos da América também havia sido atacado. O Pentágono queimava, ao vivo, pelos monitores dos “PCs” internet afora. No céu “hollywoodiano” daquela Nova Iorque, muito além da poeira e da fumaça, havia uma certeza no ar. Depois dos ataques terrorristas, um ciclo histórico se fechava. Estávamos definitivamente na era da comunicação virtual, da sociedade da tecnologia da informação digital.
Naquele dia, o fotojornalismo provou toda a sua força e competência neste novo contexto tecnológico, com consumidores ávidos pela instantaneidade da informação. E fomos saciados. Hoje, a necessidade e a exigência de se informar (ou de sentir-se informado) aumenta no público na mesma medida que as bandas de transmissão de bites vão se alargando. E banda larga significa sobretudo informação visual. Se apartir da década de 60 o fotojornalismo clássico vai perdendo espaço e páginas como fonte privilegiada de informação para a rapidez e a agilidade da Televisão, neste novo milênio mais do que nunca a fotografia retoma o seu prestigio com a possibilidade de trasmissão imediata da informação captada pelas lentes de uma câmara. Ela ficou mais ágil, veloz e talvez ainda mais pessoal pela necessidade de edição do repórter fotográfico na hora de transmitir ou de arquivar. Mas de qualquer forma a perspectiva de síntese e informação que lhe é própria está intacta e que se traduzida em “pixels” pode tornar a fotografia digital ainda mais mágica , reveladora pelo imediatismo e informativa a um público que cada vez mais consome imagens e que também pode agora, de uma maneira inédita, produzir sua própria iconografia, com esta popularização das pequenas e potentes digitais. Mas isso é uma outra história e que tento abusar um pouco mantendo dois sites que são o http://www.marcelomin.com.br (desde jan/2002, meu portfolio na internet) e sobretudo o http://www.fotogarrafa.com.br (desde set/2002, projeto de fotografia digital).
Nesta transição de uma fotografia com suporte físico, o filme, para uma fotografia totalmente virtual, a possibilidade de manipulação é potencializada ao máximo com programas de edição de imagem que fazem milagres (e sem deixar rastros). O leitor ou internauta cada vez mais tem consciência desta possibilidade. Na era digital, a fotografia pode perder sua força documental, sua verdade. E isto talvez não seja ruim, pois sinaliza um leitor mais crítico. Afinal este era um segredo que os fotojornalistas sempre souberam: a fotografia não é a verdade, é um olhar. Então como deveria ser o novo fotojornalista neste Admirável Mundo Virtual, cheio de armadilhas e espinhos?
Ele tem que ser um multicomunicador: saber apurar, pautar-se, pesquisar, escrever, fotografar, transmitir, editar, tratar imagens, tratar pessoas, nunca se estrumbicar e saber sobretudo contruir qualidade e credibilidade. Na era digital e virtual, a CREDIBILIDADE será o suporte físico do novo fotojornalista, o que comprovará o seu olhar.
Do real ao virtual, do vegetal ao digital! Tamos indo direto pro Admiravel Brejo Novo!
O The Washington Post publicou mais algumas imagens inéditas dos abusos cometidos pelos nazi-militares norte-americanos contra os prisioneiros iraquianos em Abu Graib. É a câmara digital fazendo História como pode-se comprovar neste vídeo feito por uma digital e que o WP liberou em seu site. Não foi nenhum profissional da imagem quem as captou. São registros que revelam uma cumplicidade assustadora do autor das imagens e um descompromisso cruel e tragicômico dos torturadores diante da câmara. Estes daí merecem apodrecer numa cadeia qualquer. E na boa, mas espero que sobre pra muita gente. Quero ver as cabeças dos oficiais rolando! (não literalmente, claro!)
Violência é o alfabeto do poder. cada vez mais tenho certeza que a paz ou é uma utopia mesmo ou um desejo ingênuo e infantil.
Posted by: min at maio 25, 2004 02:29 PMMin, não é fácil a educação para a paz, a compreensão, o entendimento, o amor fraterno. Não é fácil virar a outra face. A saída é sempre pela porta. No caso da violência, não podemos combatê-la com mais violência. Talvez a saída seja mesmo virar a outra face. Algum dia haverá a guerra para acabar com todas as outras guerras? Não creio. Uma vez, o Millor escreveu sobre um acordo de paz celebrado entre Israel e Egito: A para para acabar com todas as outras. Quando caiu o muro de Berlim. houve quem dissesse que a história tinha acabado, pois não havia mais conflitos. Ledo engano. As diferenças religiosas estão por aí. São rusgas milenárias que servem de substrato de cultura para interesses financeiros poderosíssimos. O século 21 não é um lugar seguro para os cidadãos de bem...
Posted by: Ruben at maio 24, 2004 11:27 AMAs fotos amadoras que deram um tapa na America! Aqui (fotos AP/CBS) e outras também aqui (fotos The New Yorker via Reuters)
E as fotos montadas do soldado britânico mijando sobre o prisioneiro iraquiano e etc que o diretor Piers Morgan do Daily Mirror com um olho na "boa fé" e o outro nos lucros publicou com exclusividade no seu jornal marrom e vermelho.
E finalmente, as fotos caseiras proibidas da Demi Moore direto do laptop roubado do recém marido Ashton Kutcher! Aqui!
Ops... Censuraram o link
Enquanto isso hoje as tropas americanas mataram oficialmente 21 iraquianos em Bagda e as britânicas, 16 rebeldes em Basra, como informa a Folha OnLine... Mas se bobear só em Sampa Crazy City tivemos mais mortes violentas do que estes 37.
É isso, a imagem digital em prol da verdade e da mentira. Deste instante...
As coisas certamente eram mais preto no branco quando a fotografia era a base da emulsão química.
Pois é tamos a beira de uma ditadura virtual, e pegando um pouco carona da paranóia e do medo conspiratório do Lula x NYT, não é a Microsoft quem será o rei... Aposto um dos meus olhos que o grande vilão durante muito tempo vai ser o Google...
Qta baboseira admito... Isso se chama noite fria de sábado com muita preguiça para sair... época mais louca que a gente vive... é pra rir ou é pra chorar...que foda! Se bobear não chegaremos às 37 vítimas atropeladas, assassinadas, esfaqueadas, em overdoses, porque neste frio, afinal, é melhor nem sair.
TIME On Assignment: The War in Iraq, Photographs by James Nachtwey
Sempre entro no seu site mas só tive coragem de escrever agora. Isso pq os comentários são um tanto íntimos e não é do meu feitio invadir (mesmo quando estou na net). Gosto realmente e muito das fotos, mas o que me encanta de verdade são seus textos. Escreve com tal naturalidade que leio e escuto onomatopéias entre as palavras. É um bom diálogo. Não sou fotógrafa (amadora, talvez), sou lingüista, professora de português na Argentina, cinéfila... ambas linguagens me emocionam: a das palavras e a das imagens. Parabéns pelo sucesso! Um abraço.
Posted by: Glau at maio 2, 2004 12:40 PMMarcelo, MARAVILHOSA a seleção de fotos no site da TIMES! Obrigada pela dica!! estou salvando tudo aqui pq Nachtwey é REALMENTE MARAVILHOSO!!!
bjsss
Fala min, blz?
Cara, guerra é sangrenta e boa parte dos jornalistas parecem vampiros, sedentos por sangue. Tanto que o Pulitzer tá virando só guerra, já viu?
Mudando de assunto... oq tu vai fazer no 1o. de maio? To pensando em ir pra Sé de manhã, mas não vou ver os shows da CUT e da Força. Às 17h tem o "Circo no Beco", lá na Vila Madalena, e eu quero fotografar (tô de camera nova agora).
Me manda um e-mail se for pra algum lugar interessante. Ah, vi suas fotos na CartaCapital. Muito boa a pauta.
Abração, Paulo.
Min, as fotos são impressionantes. O Iraque ocupado significa violência, morte, violação dos direitos humanos, uma afronta à ONU, um crime hediondo contra a humanidade. Os horrores vão se sucedendo. E o incrível é que tudo havia sido previsto. Leio com freqüência os artigos do Robert Fisk. Se você clicar no link deste comentário, você irá ver a página dele no news.independent. O Fisk é um dos repórteres mais íntegros que existem. Vale a pena ler o que ele escreve. Um abraço, Ruben.
Acho que virei fotógrafo porque tenho uma memória péssima. Não que meus colegas de profissão também sofram do mesmo mal. É que o fotografar, de alguma maneira, disfarça esta minha preguiça mental de ter que guardar periodicamente, lembranças. Tá lá, tenho um registro num suporte físico. E além do mais, contruir a memória via imagens dos vários aquis e agoras é no mínimo divertido e por isso vou fotogarrafando e lembrando e fuçando e revirando gavetas e esquecendo... Isso sim que é memória seletiva! Talvez por isso que eu seja feliz e às vezes dá vontade de acreditar em Deus, só para ter a quem agradecer esta brincadeira de existir.

Quando o CORALUSP entrou em fila no silêncio do anfiteatro, a minha memória não falhou. Vi, com surpresa, a professora Maria Aparecida Aquino parando bem no meio do palco e lembrei-me imediatamente de suas aulas de História Contemporânea II, das análises dos textos sobre a imprensa alternativa, dos calhamaços de xerox sobre o poder, a violência policial e a censura, etc. Aulas de dois semestres na História, em 1993, que valeram um curso inteiro de jornalismo na Cásper Líbero. Cursei uns 4 semestres, ou mais, na FFLCH que mudaram radicalmente a minha visão de mundo, ainda bem. O ruim era que tudo era muito teórico, aliás só teórico.
Meu pai tinha uma câmara Pentax que estava há 4 anos no armário, desde que morrera. Catei a máquina sem sua permissão e fui viajar pelo Rio São Francisco, só, Xique-Xique e Sobradinho adentro, com uma mochila, Juazeiro e Petrolina, uma caneta e um caderno e desde então perdi o bonde e virei fotógrafo.
cool
Posted by: amelie at junho 19, 2004 08:23 AMMin, que engraçada essa história da memória, por que eu sou exatamente o contrário. Eu não sei fotografar bulhufas, sou daquelas que corta cabeça das pessoas na fotinho posada de aniversário. Mas no entanto eu me lembro. Não tenho uma foto das viagens mais legais que eu já fiz, mas me lembro de cenas e cheiros e cores como se estivessem aqui. O ruim disso é que não dá para dividir com ninguém e acaba justinho no dia em que eu morrer. Podiam inventar uma máquina de imprimir memórias...
Quanto ao caderno do velho chico, vamos fazer um livro, he he. Eu digito e enfeito,você põe as fotografias e arranja a editora.
Um beijo
Adriana
cara, eu tenho um cadernão do velho chico. um dia ainda contrato alguém para digitá-lo e então faço um post! :)
ei paulo, vou mudar as coisas por aqui. resolvi botar em prática uma idéia de longa data e que acho que está quase chegando a hora de botar na roda. Vai ficar tudo multimidia por aqui. foto + voz + barulho + movimento
fala, min, blz?
mesmo com vc sem vontade de postar, to gostando do novo fotogarrafa. quando vc vai contar mais dessa historia do Sao Francisco? que tal abrir o caderninho?
abraço,
Pô legal saber que tu foi aluno de história. Eu atualmente estou fazendo o mesmo curso aqui na UFRGS. Me formei em computação faz uns 2 anos e tão logo pude fiz um outro vestibular. Cara, sinto que algumas das aulas podem dar uma tremenda base para que se possa fazer melhores fotos quando se fala em fotojornalismo ou outro tipo de fotografia documental. Grandes fotógrafos sempre aconselham que se faça cursos de humanas como um suporte para a fotografia. Eu concordo. Por sorte gosto o bastante de história e vejo essa área e a fotografia convergindo quase para um caminho comum. Lendo esse teu texto achei que foi um pouco isso que aconteceu contigo. Um Abraço
Posted by: Anderson at abril 22, 2004 11:41 AMEu tambem uso minhas fotos antigas para refrescar a memoria e tambem perdi o bonde da Engenharia civil porque o meu pai tinha varias cameras e eu achei que estando com uma delas penduradas faria sucesso com as minas, hehe.
Posted by: Toth at abril 20, 2004 02:31 PMMin, o Gabriel está estudando história. Vou perguntar a ele se ele conhece a Maria Aparecida. Por falar em memória, a minha é péssima. Nomes é uma desgraça. Fisionomias, pior ainda. Música... vai mal também. Paradoxalmente, lembro de coisas inusitadas. E lembro de números. Aliás, muitos números. Para mim, a fotografia começou por necessidade. Alguém tinha que registrar em fotos o que rolava no Pés no Chão. Atualmente, é mais que isso. Gosto de tocar o Kalinesia. Estou no primeiro ano. Talvez mude. Por hora, fico estasiado com os rostos, as expressões, as criações daquela gente. Sou 1% ator, e 99% espectador. Em diversas ocasiões imagino que aquele determinado momento deveria ser preservado. Se estou com a digital na mão, eu clico. Vez ou outra, vira uma foto de verdade. É raro, mas acontece. Um abraço enorme, Ruben. PS. Em algum lugar do universo, há um pai que sente um orgulho enorme de você. Além do mais, de que vale uma Pentax num armário. E por falar nisso, dê um destino àquela Epson. O mundo precisa de gente registrando os momentos....
Posted by: Ruben at abril 20, 2004 09:22 AMVi esta nota no Fotosite
BÁSICO DE FOTOGRAFIA PARA JOVENS CARENTES
Promoção do Foto Club Bandeirante O Foto Club
Bandeirante promove Curso Básico de Fotografia gratuito, com carga
horária de 12 horas, direcionado para jovens carentes. A idéia é ensinar
fotografia para quem não tem condição financeira de aprender.
Entre os tópicos do curso: uso das máquinas; os tipos de lentes
e filmes; composição fotográfica (regra dos terços, composição); uso do
flash e profundidade de campo.
Apenas 15 vagas.
Onde: Foto Club Bandeirante - r. Augusta 1108, São Paulo SP Quando: dias 16, 23 e 30 de janeiro e 06 de fevereiro de 2004, das 14h às 17h Quanto: gratuito Informações: tel. (11) 3214-4234 ou por e-mail: atendimento@fotoclub.art.br /I>
Estou com uma exposição 24hs, com 10 fotos sobre a infância
brasileira, lá num café na R. Padre João Manuel, 1058 (esquina com a
Oscar Freire). Quem estiver de bobeira pode passar por lá a qq hora, ok?
Qualquer coisa o telefone de lá é o 11-3085-2524. Valeu.
obs, as fotos emolduradas estão a venda, ok? manda um email que tem preço especial de
natal!!!
Algumas das fotaças maravilhosas da exposição de hoje dos alunos da Ímã Fotogaleria podem ser conferidas aqui.
Walter Firmo e Vera Albuquerque, valeu!
Balada Fotográfica sexta à noite!
Apareçam!
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Das paredes mágicas da Ímã Fotogaleria para as cavernas digitais do XXI, um novo espaço coletivo para a fotografia brasileira que acabei de formatar.
http://imafotogaleria.blogger.com.br/
Pessoal, quarta-feira, 5 de novembro, 20hs, será a abertura da VI Mostra Fotográfica da FAU-USP, onde estarei participando da exposição com doze imagens que registrei e fotogarrafei sobre a infância brasileira. Quem puder, apareça por lá, ok? Aliás, Candinha, brigadão pelo convite e parabéns pela sua luta em prol da fotografia! Beijão!
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foto: Deborah Q. Matthiesen
A estudante de comunicação Milena Miranda da Universidade Federal da Bahia editou uma entrevista comigo e com alguns de meus textos sobre fotojornalismo digital e que está aqui no site da universidade.
Uma das mudanças de foco aqui no Fotogarrafa é que antes eu só publicava as fotos feitas no próprio dia, ou no dia seguinte vai... Agora não quero mais ter este compromisso com a instantaneidade de publicação. Fiz isso durante um ano e sei que aprendi e descobri uma montanha de novas possibilidades! A fotografia digital tem a grande vantagem de gastar bem menos água, de ter um custo menor de produção e de dar velocidade de publicação e independência a um simples fotógrafo pé rapado. E isto era o que me motivava a continuar com o conceito de sempre publicar só imagens do dia. E a gente vive uma gigantesca transição na nossa sociedade. E em relação a fotografia quero aproveitar este vácuo e poder transitar entre uma fotografia com suporte físico e uma fotografia toda virtual. Um ano foi um tempo legal pra desenvolver um projeto pessoal baseado na imagem virtual e preocupado com a, de novo, instantaneidade de publicação. Mas fotografar e não ter um suporte físico me incomodava um pouquinho. Sei lá mas esta coisa de ter comprado um computador minimamente decente, ter banda larga e ter ganhado uma digital num concurso me fez poder projetar um cenário futuro onde estes elementos todos fossem parte do cotidiano de qualquer um assim como a televisão é para a maioria dos brasileiros. Aí foi só botar a mão na massa e experimentar e experimentar. Mas este cenário a que me referi ainda está longe de acontecer. Mesmo assim tenho visto um monte de gente misturando fotografia com internet com blog, etc e acho isto muito saudável. Produzir, sair, viver e não só consumir. E agora que sinto que a mesa do fotogarrafa foi posta, vou mais é aproveitar que os filmes em 35mm ainda são disponíveis e produzir um trabalho pessoal com eles para eu poder ter com o que ficar brincando no dia que eu ficar velhinho!
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Monte Santo, BA, abril/2003
Muita gente acusa a fotografia digital de banalizar a imagem e de estar acabando com o mercado de fotojornalismo. Concordo, mas eu acho ótimo! Que todo mundo seja capaz de fotografar e melhor ainda, de publicar na internet ou seja lá onde for, estas imagens, se quiser, e que qualquer pessoa possa contaminar a iconografia que é construída todo dia nas bancas de jornais. Quero mais é um dia ver os manos e as minas fotografando, entrevistando, pesquisando, escrevendo, desconfiando, contaminando!!! Porque a Pasárgada que vejo lá não tem nada haver com o país em que eu vivo e não tô nem um pouco afim de engolir goela abaixo uma visão única, idealizada e preconceituosa de país feita por pessoas com uma mentalidade focada nas vendas. Claro que bunda dá ibope. Tô generalizando mesmo. Mas é só ver as revistas todas... Tudo muito parecido!
Mas e o mercado de fotojornalismo em frangalhos? Eu prefiro acreditar que a culpa ainda tá com aqueles mesmos que tão pouco se fudendo com a qualidade e o conteúdo de seus produtos. Os donos dos meios de comunicação já estão economizando fortunas com a logística toda da fotografia digital e ainda assim a gente deixa eles economizarem em cima de nossos trabalhos e de nossos direitos. Então também culpados somos nós mesmos, repórteres-fotográficos, que somos incapazes de nos unirmos. É tanta bunda no mercado que viramos bundas-moles!!! Então espero que pelo menos esta tragédia que está acontecendo hoje no nosso mercado sirva pra gente poder se posicionar diante desta nova fucking era da informação e nos unirmos e começarmos a exigir dos empregadores o respeito merecido. Porque eu sei o trabalhão que dá pra ser um fotojornalista e a não ser que acabe o uso da imagem no jornalismo, o que eu duvido muito, a nossa profissão não está nem um pouco ameaçada por causa da fotografia digital, nem da fotografia 35mm, nem com o fim do daguerreótipo, etc. Pelo contrário, acho que a dupla fotografia digital + internet vai permitir retomar um certo poder que o fotojornalismo convencional perdeu com a massificação da tevê e de sua velocidade, no começo da década de 60.
Então eu acho isso, PORRA! : )
Imagem é magia, PORRA, desde as paredes das cavernas até as cavernas da era virtual!
E ou a gente se une, PORRA, ou continua a colocar a culpa na fotografia digital mesmo e vamos todos juntos pro brejo!!!!
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Odete Maria de Jesus, 55, dir., que veio de Bom Sucesso (MG) para pagar promessa em Monte Santo (BA) e sua neta Natália de Jesus Santos, 8, 2ª série
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Maria de Lourdes, 24, estudou até a 4ºsérie, alisando o cabelo da filha de 6 anos, Claudicéia
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De novo os meninos simpáticos e espertos lá de Canudos Velho
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Claudionor Manoel da Silva, 37, nasceu e morava em Belém do São Francisco (PE), mas se mudou por causa da violência e do medo. Em Belém há mais de 15 anos ocorre a guerra entre as famílias dos Benvindos e dos Gonçalves que já matou mais de 150 pessoas. Uma semana antes a polícia pernambucana tinha matado um dos Benvindo e comemorou a façanha com uma saraivada de tiros em pleno centro de Belém. A região também fica na rota do tráfico e produção da maconha e seu Claudionor resolveu deixar o medo para viver sossegado como pescador em Canudos Velho. Nessa época de Semana Santa o IBAMA libera a pesca com a rede no Açude de Cocorobó
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Abril/2003
Crianças que passam as tardes cobrindo de terra os buracos das estradas baianas e pedindo dinheiro. Moram no povoado de São José, da esq. p/ dir. Hilton, 10, 2º série, Tarcísio Rodrigo, 12, 2ª série, e que lê e escreve um pouco, Rene dos Santos, 8, 1ª série. "(...) ganha pouco, não é muito não, aqui a gente ganhava, agora ninguém dá dinheiro não, só quando nós era pequeno, agora menino deste tamanho assim , ninguém dá não..."
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Tarcísio Rodrigo, 12, brincando com uma moeda de um real
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Rene dos Santos, 8
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Carregador de feira, Canudos, Bahia, abril/2003
Só no estado da Bahia, cerca de 600 mil crianças e adolescentes até 16 anos trabalham regularmente o que atrapalha e muito o rendimento escolar
Ei finalmente enfrentei o eco todo da gravação e hei, hou, tá aqui a transcrição completa do meu bate-papo com o Egberto Nogueira! Ufa, depois de horas e horas, missão cumprida!
Egberto Nogueira fazendo a História em sua Ímã Fotogaleria, que em breve terá grandes novidades e mudanças.
Ei Egberto, repórter-fotográfico tem que engolir sapo mesmo?
Não tem jeito. O tempo todo a gente engole sapo. Pô, até como dono de galeria tô aqui engolindo sapo, meu... Sou o dono e o tempo todo tenho que engolir sapo...
E também tem que ganhar mal, abaixo da tabela da categoria de fotojornalista?
Ah isso já não existe, é tudo ficção! Quase ninguém respeita, poucas são as empresas. Tem a tabela institucional né? Os caras não pagam não...Pô, tem um fila, se você não for, a fila anda, número dois, número três, número quatro...
E sempre foi assim?
Nem sempre foi assim. Então no meu tempo, que não é tão longuinquo assim, não sou um cara tão velho, não pro jornalismo, comecei com vinte anos, ainda peguei um resto disso! Na década de 70 e de 80 o Brasil viveu um momento político muito definido, por causa da ditadura, da censura, então a grande massa de intelectuais, da classe média intelectualizada, jornalistas, eles não compactuavam com o autoritarismo. Eram contra. E isso dava uma certa coesão à classe. As pessoas se interessavam por sindicalismo, se interessavam por mobilização social, se interessavam por movimentos pela mudança, pelas causas sociais, contra a quebra das liberdades políticas, então isso acabava aglutinando a classe fotográfica e por consequência ela trabalhava com certas regras. Então, por exemplo, ninguém cobrava menos que o outro, sabe? Tudo bem, sempre tinha um f.d.p. mas era uma exceção. Não era a regra. Hoje a regra é o salve-se quem puder! E aí a exceção é o cara que diz, não, não cobro menos que aquele outro cara. E se vc fizer isso, vc é uma exceção à regra...Naquele tempo não, era o contrário. A regra era cobrar o valor do sindicato. Enfim, todo mundo cumpria isso daí... Tem outras coisas, também... Todo mundo era mais politizado, todo mundo era a fim de derrubar o governo, a ditadura, de se mobilizar. Existia um espírito coletivo, tanto é que o PT nasceu neste período, né, as greves em São Bernardo dos Campos em 78, 79. Foi aí que eu comecei a brotar, a sair da casca do ovo, assim. Pra você ter uma idéia comecei a militar politicamente aos 13 anos, 14 anos. Eu já era um puta comunistinha, andava de boina, isso moleque, ia pra favela, tal, fazia trabalho de base, colaborava com a igreja até, que era bastante politizada e tal...
E nesta época que vc começou os veteranos também eram assim?
Total! O charme de ser fotojornalista era ser um cara combativo, um cara aguerrido, né, um cara guerilheiro, não pra pegar em armas, mas o cara que ia pra pauta pra pegar aquela foto que, porra!, mostrava o bastidor do poder, o podre, a sacada irônica. Vc pega o fotojornalismo da decada de 70 e 80 , são fotos assim sarcásticas. Então, por exemplo, tem o Geisel numa foto com um militar atrás, e o fotógrafo buscou encaixar o quepe do militar na cabeça do presidente que tava vestido como civil, né, e foi capa da revista Veja. Então tinha esta leitura, o fotógrafo era um cara que conhecia o que estava falando e o jornais também publicavam.... Hoje em dia, por exemplo, uma greve na Paulista, uma passeata, não dá primeira página nunca, entendeu?
As empresas jornalísticas então mudaram?
Mudaram de foco, sabe. O jornal agora publica muito comportamento, viúvas que são casadas com homens mais jovens, sabe, estas bobagens, aumentou o número de lojas de beleza pra cachorros, sabe? Naquela época não se via muito isso. Os próprios donos das empresas jornalísticas eram pouco contra a falta de liberdade de imprensa. Então isso propiciava um clima de luta, né, o sindicato e a classe jornalística eram mais coesos. Então eles se defendiam melhor... mas também nunca foi uma grande categoria, não pelo menos desde que eu conheço... que eu acompanho...Não é exatamente uma categoria organizada, batalhadora...
Os caras que iam para o jornalismo eram caras que tinham um certo comprometimento com a sociedade, iam para o jornalismo como uma maneira de estar denunciando, de estar questionando a sociedade, e eu acho que sou a última geração disso até porque eu conheço o pessoal que veio depois né? E tem pouca gente de destaque, a moçada nova, por exemplo que tem um pique deste, tem o João Wainer. Que é a geração seguinte. Que eu me lembre assim tem um ou dois mais assim... Que tem um perfil mais mano, que tá ligado nas estórias, né? Porque hoje mudou né? A parada não é mais comunista. O cara é mais mano, tá mais ligado no movimento social de outra maneira, pela questão racial, pela questão da música, da exclusão social, da coisa da periferia, da cultura e da arte que vem da periferia que tem um pouco né da cultura popular e tal...na nossa época era também cultura popular, todos os fotógrafos viam nisso uma contracultura, uma coisa anti-imperialista, anti-americana, anti-colonialista, anti-dominação. As pessoas tinham muita consciência disso. Isso era geral, não só no jornalismo. No cinema, por exemplo, também. Então tem o cinema novo na decada de 70, até o comecinho da decada de 80. O cinema brasileiro tinha este espírito e tal. E hoje também está retornando, só que numa outra abordagem, de morro, de favela, de realidade, não é uma abordagem política exatamente, quer dizer, é também, mas com outros enfoques...
Mas não tá tudo perdido não... não é isso...só acho que é uma fase. Naquele tempo, para ser considerado um bom fotógrafo não bastava saber fazer foto. E hoje basta. O cara no jornal só faz retrato, só faz boneco, pros cadernos de imóvel, ou para as revistas de domingo dos jornais. É boneco sobre boneco, são bem feitos e tal, quer dizer, o cara para fazer aquilo lá, ele pode não saber nada de nada, entendeu? Não saber política, o que está acontecendo no país! Ninguém mais milita politicamente em nada, simplesmente porque o trabalho não exige.
E hoje são poucos os que se pautam, não é?
Pô, eu comecei na Agência Angular, e eu tinha obrigação de ler 5 ou 6 jornais por dia, de ouvir rádio pra caramba, de ver o Jornal Nacional, o Jornal da Globo, de ficar ligado....a gente se telefonava um pro outro pra ver o que estava acontecendo... A gente se sentia responsável pela notícia e ia lá, cobria e fazia a cobertura.... hoje em dia não!!!...Os caras lá ficam esperando, não saem, não sabem o que está acontecendo... e saem pré-pautados, vai lá e faz a foto assim assado... é isso, isso, isso, isso e isso... Se bem que em jornal sempre foi mais ou menos assim né? Mas como eu me criei em agência, tinha um outro comportamento, mais engajado... e naquele tempo havia mercado pra gente... Hoje a gente tem a BR Imagens do Vidal Cavalcanti, o Fotosite, tem a Futura Press, estou me lembrando das agências pequenas, guerrilheiras, e os caras se matam pra conseguir sobreviver, pra conseguir vender uma foto, fazer um negócio, conseguir construir um nome, uma estrutura, até conseguir se bancar...
Comecei a trabalhar em 86 mas vender foto mesmo, trabalhar e aprender mesmo o fotojornalismo foi na Angular em 88. Aí já teve a campanha de 89, com Collor, teve todo o processo do impeachment, depois trabalhei na campanha de 94 do Fernando Henrique, na Veja ainda eu fiz a campanha de 98 e aí no meio de 99 eu saí da revista. Na verdade fui demitido, não por problema pessoal, era coisa política mesmo, eu brigava muito com o chefe, sempre tive boca grande, fala o que pensa ... Hoje menos! Também nem preciso mais ficar falando um monte, né? (risos). Esta coisa impulsiva que eu tinha, de ficar reclamando e brigando também era uma forma de protesto, mas hoje eu vejo que não foi a melhor estratégia. Isso acabou não facilitando a minha vida, não foi a melhor saída. A gente tem que ter jogo de cintura, saber negociar, ceder alguma coisa aqui e conquistar outra depois... Política não é só confronto...Política é estratégia. Tem que saber usá-la... O MST tem muita estratégia! O próprio Movimento dos Sem-Tetos também, para poder atuar, né? E a gente também tem que ter, o fotógrafo, para poder sobreviver dentro deste mercado e pra conseguir tirar leite de pedra, pra conseguir mais trabalho... Tem muita gente...Um monte de gente fazendo cursos. Aqui na Imã tem curso...Senac tem curso...não sei lá onde tb tem curso...Então o cara que já sabe um pouco, faz um curso assim com o Walter Firmo, que é um negócio caro, mas aí faz direito! Vai assim na jugular do Walter Firmo (risos) e fica lá sugando o sangue dele, aprendendo tudo o que quer e o que não quer, aí o cara sai bonito! E aí se for um cara caprichoso! Porque fotografia não é só aquela coisa contemplativa, dá trabalho, tem aquela coisa de abaixar no chão, levantar, subir, descer, esperar, se o cara tiver paciência e todos estes elementos, o cara acaba virando um bom fotógrafo, acaba se destacando, é o caso do Tuquinha, o Tuca Vieira. É novo, um cara bacana, se dedicou. Mas é um lampejo, o cara tem que ser muito bom, senão não rola!
Bem e dentro desta dita crise nas empresas jornalísticas como é que fica o profissional num mercado saturado de novos e bons talentos e essas empresas que fazem de tudo para a mão-de-obra ser cada vez mais barata?
Isso é uma coisa americana né? Tudo é lucro....o conceito deles é ter lucro...e a partir de 90, 91 isto começou a tomar ainda mais fôlego nas empresas jornalísticas. Então, porra porque gastar um monte de filme? Agora vai ser um filme por matéria... porque aí o custo vai diminuir tanto...estamos ganhando! Pô, porque fica tanto tempo este cara na reportagem? Vai lá fazer a pauta e volta logo, vai gastar menos transporte...ahhh não vamos contratar fotografo não, vamos pegar a foto da agência....Ah já tem um fotógrafo lá da Reuters, em Recife, para que vamos mandar fotógrafo pra fazer a greve dos policias? Não precisa...E aí tudo fica em função dos custos, né? O que é que é mais barato?
E hoje os custos são ainda menores não?
Apesar de hoje os custos serem menores, o pessoal ainda reclama muito mesmo, pois seguem esta lógica do lucro. Os caras sempre vão reclamar, nunca vai estar bom. Nunca. Só ficaria bom se o caras ganhassem, assim, 100%! (risos pra não chorar)
E a reportagem fotográfica?
Pois é, acabou aquela coisa de fine art, do ensaio em preto em branco, aquelas reportagens de vinte páginas....A reportagem passou a ser desnecessária... Vai lá e resolve o buraco da minha página....Eu comecei a sentir mais sinais disso em 93, 94, depois que o FHC foi eleito. Porque no governo Collor foi palhaçada! Mas com o FHC, as empresas jornalísticas fecharam muito com o governo... No apoio incondicional, na troca de favores, as estações de TV... E tinha um monte de coisas acontecendo: cabeamento, fibra ótica, internet, tv a cabo, computadores nas redações. Então estavam todas as empresas jornalísticas interessadas em pegar este filão, este novo mercado que estava se abrindo nos meios de comunicação. É uma explicação tosca, tem muito mais água rolando por baixo, mas basicamente é isso!
E Egberto, qual então é a essência do fotojornalista? O mundo tá numa baita transformação radical nas comunicações, no mercado, na política, etc... o que sempre sobra para ser um bom repórter-fotográfico?
Bem primeiro tem que ter um baita de um tesão porque ser fotojornalista não é uma coisa muito fácil...Tem que ter raça, tem que ser um cara aguerrido, ágil e eu ainda acho que o cara tem que ser bem informado! E que tenha muita vontada de ter aquele trabalho servindo para alguma coisa. É isso! A essência do fotojornalista é prestar serviço à sociedade, é por aí... Não é fazer foto cabeçona, diferente, sabe? O que adianta isso se o povo não vai entender? O que adianta? Tinha uma época que eu ficava fazendo loucuras, mas aí parei e pensei, pô o que adianta fazer uma loucura assim e até o cara entender que esta loucura é uma foto, já era... Então é menos técnica e é mais prestar serviços mesmo... Pô cê vai fazer um quebra-quebra, cê tem que ter a foto do cara quebrando, não adianta ficar lá pegando os caquinhos no chão, fazendo uma arte. Não que seja proibido, mas o que é prestar serviço com a fotografia? É contar uma estória, criar uma interpretação fotográfica de um fato e que tenha haver com o próprio fato e que conte o fato...
Certos assuntos me comovem mais do que outros. Então eu fui no acampamento dos sem terras e os caras me conhecem. Sabem quem eu sou, sabem que podem confiar em mim. Fiquei lá com os caras, retratando e convivendo. Por exemplo, em 90 fui um dos primeiros a fotografar o RAP, nunca tinha ouvido falar de RAP mas fui lá fotografar o hip-hop, os Racionais, com a conivência dos caras, e porquê? Porque fui conhecer a comunidade, o líder comunitário, e conhecia a música black, o Public Enemy, o Spike Lee. Fiz umas fotos do Mano Brown e dos Racionais MC´s numa construção toda detonada, e já naquela época eles eram arredios.
Egberto, hoje há uma maior disponibilidade da informação para todos, e da casa do repórter ele praticamente tem uma redação inteira, a internet. Vc acha que daqui a alguns anos haverá um boom de profissionais engajados, aquele velho fotojornalista clássico que investiga, se pauta e vai atrás?
Não. Eu vejo o pessoal saindo das escolas de fotografia e talvez caindo pra esta área, mas o cara está mais preocupado com a técnica, com a luz, com o estilo, do que com a história, com a realidade. Eu quero fazer foto bonita também, bem composta, estética, mas eu quero saber o que estou falando, pra quem eu estou prestando um serviço. Não quero fazer fotos só pra expôr, não quero que meu trabalho só tenha uma utilidade deste tipo, e que é elitista né, de uma certa maneira...
Num jornal e numa revista a gente tem uma utilização mais rápida da imagem. Quer dizer, eu faço fotojornalismo ainda. As pessoas ainda se lembram das reportagens que fiz na Febem, nas favelas, nos movimentos políticos, e me chamam para fazer pautas, e de uma maneira geral eu continuo fazendo uma ou duas matérias deste tipo por ano, eu gosto de estar com o povão, com a cultura popular, com a maioria!
Mas os jornais têm muitas reportagens que são legais. O pessoal ainda está lá! Tem gente pra caramba! Tem o Antônio Gaudério, a Mônica Zaratini, o Maurilo Clareto, o Moacir Lopes Jr., o Conceição, o João Bittar como editor no Diário de São Paulo, a Marlene Bérgamo, que aliás tem um trabalho super bonito que ela batalha com a ONG dela. Ela luta, intervem e faz um serviço útil para a sociedade. Eu também quero fazer isso. Meu trabalho tem que ser isso! Quero mudar o foco da Galeria, vou falar mais ao povão também. Já não ganho dinheiro mesmo falando com a elite então vamos com o povo.
E como foi a transformação de um fotojornalista para um dono de galeria?
Este aqui é um trabalho político! Sempre foi político. Na verdade estamos criando um espaço, criando outras possiblidades! Por exemplo, teve o Juca Varella fazendo um workshop sobre a experiência na Guerra do Iraque, tem as aulas do Firmo, tem os eventos diversos e que são públicos...
Ainda estou aprendendo. Enquanto estou fazendo, estou aprendendo... Reunimos os trabalhos mais diversos aqui, então temos 160 fotógrafos aqui na galeria. Então tá o Duran, o Cristiano Mascaro, o Gaudério, o Juvenal Pereira, Penna Prearo, Cláudio Edinger, German Lorca, Rosa Gauditano, Juca Martins, Cristiana Villares, etc, etc, tem um monte de gente aqui...Então é uma referência! E por enquanto tenho mais gastos e custos do que rendimentos, mas quando começar a rolar uma certa estabilidade financeira, aí quero fazer mostras e exposições com temáticas sociais, quero dizer não só com temáticas puramente políticas mas também exposições sobre religiosidade, o budismo, etc, enfim atividades linquadas com os temas da sociedade.
Então você anda fazendo fotojornalismo com a Imã, certo?
A galeria não é uma revista, um jornal, um site jornalístico, mas é um meio de comunicação também. E eu quero fazer a Imã chegar cada vez mais perto do perfil do que eu acredito...gostaria cada vez mais aqui na galeria de uma fotografia que se proponha a um questionamento, não só estético, mas de vida mesmo! Então quero fazer várias exposições temáticas linquadas com a realidade, com a vida na sociedade. Não quero que seja só uma galeria comercial, quero que tenha uma função social, cultural!
Legal Egberto! E vai dar muito certo! É obvio! Vai dar certo! Vai dar certo!
Dois fotógrafos fizeram muito a minha cabeça no meu começo como Profissional e ainda me influenciam decisivamente no que eu imagino ser a grande essência e a atitude para um fotojornalista: Sebastião Salgado e Egberto Nogueira.
E hoje, nesta noite, sentei com o Egberto pra conversar um pouco sobre fotografia, sobre o mercado de trabalho e sobre Comprometimento social... Foi um papo que eu gravei e que vou estar publicando amanhã, assim que eu transcrever a fita. É isso!
Na redação de um dos jornais mais influentes da América Latina, Santa Edwiges, protetora dos pobres e endividados, não tem mão. Talvez isto explique alguns mistérios que rondam as vidas de jornalistas e fotógrafos freelancers e que dependem de bicos na imprensa para viverem...
Ai minha santinha, protegei-me e faça com que exista liberdade de imprensa e que ainda possa continuar a bicar (ou freelar) por este jornal que tanto admiro, até quem sabe um dia ser empregado, e minha santinha por favor que não haja nenhum tipo de retaliação sobre este pobre trabalhador só por mostrar um fato simples que ocorre em minha profissão mas que raramente é dito...
Eu, Fotogarrafeiro, segurando um Contrato de Cessão de Direitos Autorais, 32% abaixo do valor de tabela
Santinha, este repórter-fotográfico só quer receber o pagamento justo pelo seu trabalho. Existe uma tabela de preços para o fotojornalismo acordada entre as empresas jornalísticas, os editores, os profissionais e o sindicato dos
jornalistas, mas que o maior dos jornais brasileiros simplesmente não a respeita. Recebo pautas, santinha, como se fossem me dado favores divinos... Ai que tristeza santinha... e trabalho tem pintando tão pouco... Os remunerados, né?
Pois amanhã santinha estarei indo pra FEBEM fotogarrafar... a noitinha vou conhecer um cursinho pré-vestibular para alunos de baixa renda... e quem disse que recebo algum dinheiro por isso? ahhh santinha, a satisfação é enorme, mas ahhh... meu aluguel, ahhh um notebook, um dia, né... Mas voltando para a minha ladainha (santinha perdão mas não sei rezar nadinha, sou ateu), este respeitado jornal paga somente 68% do valor de tabela. Depois com os descontos dos impostos, sobra o que? Santinha mesmo com uma mão, protegei-me! Fico entre a cruz e a espada pois diz a tabela de Fotojornalismo, no item 7: De acordo com o artigo 10 do Código de Ética dos Jornalistas, o repórter fotográfico NÃO PODERÁ ACEITAR OFERTA DE TRABALHO REMUNERADO EM DESACORDO COM PISO SALARIAL DA CATEGORIA OU TABELA DE PREÇOS FIXADA PELA SUA ENTIDADE DE CLASSE.
Perdoa este pobre pecador!
Reunião de Pauta, adivinha de que jornal eu estou falando... ;)
David Alan Harvey in Cuba, video com making of em Cuba do fotojornalista da National Geographic, em inglês
Bang-Bang Club, entrevista de rádio com Greg Marinovich e João Silva, em inglês
O Fotogarrafa agora tem linques para alguns canais de tv e também um mecanismo de busca fotogarrafística, aí na barra ao lado.
Na TV da Universidade da California, pude ver uma palestra do Bill Gates e que pode ser revisto aqui.
Interessante e importante saber como o fundador da Microsoft vê o futuro da sociedade na próxima década quando a tecnologia digital será barata, poderosa e onipresente... Aliás em terra de cegos quem tem um olho é rei...
Sabe, vai ser divertido num futuro qq poder olhar tudo isto aqui de novo, aqui no blog e ver que tá tudo mais ou menos organizado... porque não é nada fácil ter um monte de fotos (pbs, cor, cromos, e agora digital) e deixar tudo arrumado. E o fotogarrafa me obriga e me ajuda a produzir de uma maneira mais ordenada e sistemática... além do que postar fotos e pensamentos é muito divertido... apesar dessa bagaça aqui viciar... mas tudo bem. A vantagem de ser fotojornalista é que por mais que eu fique na frente do computador, tenho necessidade de estar nas ruas olhando e reportando tb... então a gente vira nerd, mas nem tanto!
E what a fucking, o melhor é que estas fotos são minhas!!!! minhas! Du ca...! Sou livre! não são da Folha, nem vai ficar mofando nos arquivos da Editora Três Picaretas. Aliás a Revista Isto É e a Isto É Nojenta vez ou outra republicam alguma foto minha com o crédito errado. Vez ou outra, na sala de espera do oftamologista ou na barbearia, vejo uma foto minha das antigas com o crédito para outro fotógrafo, e como se fosse hotnews! Que saco isso! Picaretagem hein seu Domingo Alzugaray! Mais cuidado aí com seu produto! E viva a Imprensa Brasileira!!!!
Não é a toa que tá do jeito que tá! tá bom, tô sendo injusto com alguns mas fodam-se aqueles que acham que os fins justificam os meios (de comunicação)! caracas como é bom ser livre!!!! E como é divertido criticar a mídia, a torto e a direito mesmo! Direito de cidadão, de consumidor e de leitor que sou!
Ahhh, e apartir do dia 10 de março, fotogarrafa on the road rumo à Bahia, rumo à Chapada Diamantina!!! e aí paro com estas fotos de arquivo, ok?Aproveitar que lá fora está começando um carnaval sangrento e que tb tá um sol de rachar pra ficar em casa entocado, revirando os arquivos...
Bem temporariamente, banana para os conceitos! Vou colocar fotos véias mesmo!
Aqui vão três entrevistas para estudantes que dei. A da Regiane eu acabei de responder. O Gim Tones deu aula
04/02/03
Regiane, graduação, Ciências Sociais, UFSC
As perguntas são super abertas, o nosso objetivo é conseguir a opinião de quem está em contato com os meios de comunicação. As respostas servirão de base para elaborarmos uma resenha crítica e para promovermos debates em sala.
Então vamos lá, na verdade o assunto é como a mídia brasileira vem tratando a violência urbana. Você pode acrescentar exemplos se quiser mas não precisa citar os nomes dos meios.
1- Como você define violência urbana?
Posso definir a violência urbana como a resposta imediata, negativa e agressiva de uma ato de injustiça histórica de como se formaram as grandes cidades brasileiras e suas populações. Esta resposta aparece na lógica excludente de como se planeja o espaço urbano, ou se manifesta a partir da impunidade e da imunidade daqueles que corrompem os bens e o dinheiro públicos. Na falta de perspectivas e de sonhos de uma grande parcela da população que é sistematicamente marginalizada desde há muito tempo. Na distorção de valores e conceitos, sei lá, morais que transformam cidadãos em meros consumidores, ou que transformam excluídos sociais em meros bandidos. Não tenho base estatística ou científica nenhuma para fazer estas afirmações só estou me baseando nas minhas experiências como fotojornalista ou como leitor e telespectador, ok?
2- O que vc pensa sobre como a mídia em geral vem tratando os casos de violência? Como isto influencia a realidade, ou as pessoas?
A mídia reflete o pensamento de quem comanda a própria mídia. E quem a comanda se vê como vítima da violência. Não acredito que seja um discurso intencional, aquele que sempre coloca o jovem negro de favela como o agente numero um desta violência toda. Mas é assim que eu percebo a cobertura da mídia. Ainda que se fosse intencional, seria mais fácil de combatê-la. Seria só o caso de usar a razão. Mas o que acho que ocorre é um problema de mentalidade histórica bastante arraigada no pensamento e no imaginário de nossas elites culturais e políticas. Simplesmente rola um baita racismo neste país e ninguém quer admitir. é sistemático. As pessoas acreditam que o crime e a violência se originam das favelas, dos guetos. E a mídia reforça este ideário. Até numa mídia mais independente, que no caso seria o cinema, podemos ver reproduzidos os mesmos preconceitos. É o caso do Cidade de Deus, de Fernando Meireles. É um filme, um recorte da realidade, cinema de primeira qualidade, mas não é a vida real, é ficção, é um olhar sobre uma realidade. Ninguém sai do filme Pulp Fiction, ou do Clube da Luta achando que o mundo é daquele jeito. Mas do Cidade de Deus, todos saem com a certeza que na favela só tem maníacos, traficantes e pistoleiros. E que é na favela que o dinheiro do tráfico fica... e que são aqueles chinelados que negociam com as polícias federais e com altas esferas do judiciário, ou do empresariado, etc...para trazer e exportar as drogas, etc.
A nossa sociedade e sua mídia em geral se limitam a explicar o fenômeno e o problema da violência somente em sua superfície. Elas mostram os efeitos da violência. E que eficiência! E o público adora ver, ler e comprar estas tragédias do cotidiano. Revistas de importância para a transformação de nossa sociedade, se limitam a dar uma capa sobre um médico que matou a amante. E quem fala de toda a injustiça que vem desde a época da escravidão? e quem dá a capa para as causas desta injustiça toda? desta concentração de renda toda? E o contrário? quem fala das qualidades deste povo todo?
Seria um transtorno muito grande (e oneroso) reparar esta dívida social e histórica que as elites devem àqueles que sobrevivem mal e porcamente... Assim é mais fácil ser racista mesmo e fingir que não se é! Vamos mostrar os pobres em nossos jornais... mas só se o ibge lançar algum número sobre a miséria, como se a pobreza só existisse enquanto estes dados estatísticos estiverem fresquinhos. Vamos mostrá-los qdo ocorrer alguma rebelião, ou quando uma tragédia natural ( vamos responsabilizar a natureza) dizimar algumas dezenas de pessoas. Pode-se mostrar também qdo ocorre alguma manifestação ou protesto, e melhor ainda se dois ou três quebrarem algum carro, ou depredarem alguma coisa. Aí teremos aquelas belas imagens de carros queimando, ou de "manifestante" chutando a portão de loja... Ah, tem aquela coisa de bunda, futebol e carnaval que vendem bem pacas...
Nesta coisa de mídia, o ruim é que a crise tá tão brava que os repórteres, os editores, reproduzem os desejos e a visão de mundo dos donos dos meios de comunicação, sem querer esquentar muito a cabeça, sem muita auto-crítica e nem crises existenciais. Sei lá, os operários da informação deveriam ser mais críticos e independentes, mais rebeldes... Mas rebeldia, neste tempo de vacas magras, serve só pra ficar desempregado... Assim a mídia segue fazendo o que bem entende, mostrando a realidade como ela bem quer...
3- Existe alguma orientação do meio para o qual trabalha ou presta serviço, para tratar os assuntos relacionados a violência urbana?
Acho que a orientação básica seria, torne a notícia o mais sensacional possível. Seja um urubu, torça pelo pior e traga algo que venda!
4- Existe conflito entre o que você presencia e sente e como o fato é tratado pelos editores e apresentadores finais?
Sim. Em termos gerais, os editores já tem uma idéia pré-concebida do que eles querem no final do dia. Então nada importa do que vc presenciou ou sentiu! sentimentos! não estão em nossos manuais. A menos que seja sensacional e que venda mais...Cada vez mais tenho a impressão que editor eficiente é aquele que consegue tirar o máximo de seus repórteres e colaboradores, pagando o mínimo possível. Ou seja, um puxa saco e um fdp total!
5- Você sente que tem liberdade para escrever ou mostrar o que quer?
Na grande mídia, não.
Se trabalho para algum veículo sou obrigado a cumprir as pautas do dia. Não há espaço para autonomia nas reportagens. E se ofereço alguma matéria independente, como freela, há o problema do péssimo pagamento que editores espertos oferecem. Pagam uma micharia e depois vão se gabar com os chefes de redação, por serem tão bons editores e negociadores.
Puts, mas justiça seja feita, há algumas excessões...Pouquíssimas, infelizmente.
Mas atualmente com a internet há uma certa liberdade sim. Mas têm os limites da falta de um orçamento adequado para se produzir informação de qualidade. Fica tudo meio mambembe. É interessante pois tem lá a sua áurea de romantismo...Mas também daqui a algum tempo, todos estes conglomerados de comunicação, de tele comunicação ou os grandes bancos que hoje estão perdendo milhões vão passar a caneta sobre nós, depois que nos tornarmos potenciais usuários, consumidores e dependentes desta nova tecnologia. aí a festa toda vai acabar...E a informação estará ainda mais restrita frente ao poder econômico. Só fará a internet quem pagar e caro por isso! Muito caro, tenho certeza.
6- Existe a intenção de chocar ou de amenizar os fatos?
Chocar, sem dúvida nenhuma. Para o bem ou para o mal, chocar! Se for pra amenizar é melhor nem gastar tinta...
7 - Na sua opinião, qual seria a melhor maneira para se tratar do assunto?
Acho que a imprensa acerta ao mostrar mesmo os vários casos de violência. Sensacionalistas ou não, etc. Mas erra tremendamente ao não mostrar de onde vem todas estas suas causas. Por pura preguiça, ou mediocridade, ou talvez má-fé mesmo! Erra ao subestimar e não conhecer quem é a maioria da população brasileira. Erra ao ser preconceituosa e racista. E finalmente a culpa desta violência toda está em todos nós. Não somos vítimas nem somos inocentes! Admitir este fato talvez já seja um grande passo em direção a uma mudança de mentalidade, e quem sabe na busca de uma sociedade realmente mais justa, e com certeza menos violenta.
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27/08/02
Tânia,
A Ética e Estética do Uso de Imagens no Fotojornalismo Brasileiro,
Pós-Graduação da Faculdade de Jornalismo e Editoração da ECA/USP
Desculpe-me o incomodo. Estou entrando em contato porque gostaria de entrevistá-lo para minha dissertação de mestrado. Estou estudando o fotojornalismo brasileiro na pós-graduação da ECA/USP. Meu orientador é o fotografo e pesquisador Boris Kossoy que esta me ajudando também nestas entrevistas. Com o seu consentimento irei enviar as perguntas por e-mail e acrescentá-las às outras já existentes (Niels Andreas, Jorge Pedro Souza, Silas Botelho, João Primo, Eder Chiodetto, Alberto Dines)
1. Por que você escolheu a fotografia ?
Primeiro escolhi o jornalismo. E lá fui eu fazer a faculdade Cásper Líbero. Mas no meio do caminho, fui viajar solitário, pelo Velho Chico, câmara em punho, e descobri a fotografia.
Convivi com um monte de gente ao longo do rio e a câmara me permitiu um tipo de contato que me fascinou. Neste começo (1991) tudo o que eu fazia passou a ser centrado na fotografia.
E ao longo do tempo só fui confirmando o acerto desta minha escolha. Afinal fotografia é comunicação. É estar no local dos fatos e olhar, respirar fundo e começar a clicar. É conviver, é respeitar as pessoas. É ter como obrigação estar sempre atento a luz.
E além do mais tem esta coisa de captar as imagens a partir da realidade e todas as surpresas que podem ocorrer desta quase mágica tentativa.
2. Qual a função da fotografia na sociedade atual ? E nos meios de comunicação de massas, mais especificamente, no jornalismo ?
3. A fotografia influencia a opinião publica ?
Infelizmente a fotografia é utilizada como mero instrumento ilustrativo. E geralmente para se vender algo: algum produto, alguma idéia, etc.
Na publicidade, por exemplo, utiliza-se a fotografia para vender produtos e pelo que parece, é uma forma bem efetiva de comunicação. Ora, se a fotografia tem até este poder de criar desejos de consumo, ela também pode influenciar a opinião pública.
É claro que esta influência está afinada com o discurso daqueles poucos quem detêm as empresas de comunicação e que estes estão a serviço daqueles que concentram a renda no país.
A fotografia não é trabalhada em seu verdadeiro potencial. As reportagens fotográficas praticamente não existem mais. Aliás nem as reportagens! Os jornais, as revistas vivem reclamando da crise econômica, da falta de leitores, etc. E qual empresa investe em formação de novos leitores. Qual a revista que está preocupada em formar cidadãos, a refletir a identidade brasileira em suas páginas, a mostrar os dramas da população? Qual editora ou jornal no Brasil que não trata os seus leitores como basicamente consumidores?
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4. Percebi que suas fotos sao muito proximas da noticia, do personagem fotografado. Mesmo quando ha uma certa distancia, no caso especifico uma fotografia da Marta Suplicy no helicoptero, a sensação é que estamos ao lado do persongem. Isto me lembrou a frase de Robert Capa: "se a foto não é boa, é porque você não estava próximo o bastante". Você acha que uma das "lições de casa" do fotojornalista é estar o mais próximo possível da notícia ? Essa proximidade seria uma das diferenças entre fotografia e fotojornalismo ?
Sim, o repórter fotográfico tem que estar o mais próximo possível da notícia. Na essência desta profissão, a presença física junto, ou perto dos fatos é obrigatória. E em tempos de internet e de todas as suas facilidades para se apurar informações, acho que é dever de todo fotojornalista ter mais iniciativa e ir atrás das estórias. Acho que o jornalismo impresso tem muito a ganhar com esta maior independência dos fotojornalistas, pois pensar uma pauta apartir das imagens pode subverter a maneira como a informação é produzida e assim pode-se contribuir para uma maior riqueza na mediação dos fatos.
5. O que você acha do fotojornalismo brasileiro e mundial ?
O Brasil tem fotojornalistas geniais mas revistas e jornais burros e pão-duros! Lá fora as coisas parecem ser bem mais fáceis, pelo menos para se ter o mínimo de dignidade e respeito profissional. Por aqui, por exemplo, posso afirmar que todas as empresas de comunicação sistematicamente desrespeitam as leis de uma maneira ou de outra (atraso nos pagamentos, contrato de cessão de direitos autorais unilaterias e escandalosos, freela fixo ou coberturas de férias por longos períodos, não pagamento de horas extras ou da utilização dos equipamentos fotográficos, ignoram a tabela de preços do sindicato, etc,etc). Mas apesar disto tudo, temos fotógrafos geniais de sobra. José Bassit, Antônio Gaudério, Rogério Albuquerque, Ernesto de Souza, Dado Galdiere, Ed Viggiane, Marlene Bergamo, etc,etc...
6. A fotografia é o espelho da realidade, ou o fotografo interfere nessa imagem criando uma segunda realidade ?
7. Qual o grau de interferência do editor ?
A fotografia não é espelho da realidade e sim um olhar sobre ela. O fotógrafo interfere num primeiro momento qdo ele captura (ou não...) a imagem apartir do real. E o jornal interfere num segundo momento qdo ocorre a escolha final da fotografia. Esta edição tem variáveis: o tempo hábil para a escolha da foto (qto menor o tempo, pior a escolha); quem escolhe a foto (o editor, o sub, o pauteiro, o fotógrafo, etc, etc); o formato já paginado; a imagem que melhor se encaixe ao que já se pré concebeu sabe lá por quem; se vai numa página colorida ou não; em revistas, se vai numa página par ou impar (!!!), etc, etc.
Tive a sorte de trabalhar com o João Bittar, na época editor de fotografia da folha de sp. O João é um tipo de editor que está preocupado em dar as melhores condições de trabalho para os fotógrafos. Ele confia no trabalho de sua equipe e sua interferência na escolha das fotos é mínima, dando liberdade e responsabilidade para que o próprio fotógrafo edite o seu material (qdo este tem tempo também).
8. Uma situação que vejo acontecer muito é o uso de imagens parecidas em jornais supostamente concorrentes. Não estou falando do uso de imagens de agencias noticiosas. Vi fotografias na Folha e no Estadão de fotógrafos diferentes com ângulos parecidos. Essas imagens, por coincidência, foram escolhidas por editores para ilustrar a primeira pagina. Quero saber se na sua opinião existiria uma estética comum entre os fotógrafos ?
Não acredito em estética comum. Pode haver coincidências, o uso de um mesmo adjetivo para se compor a foto ou de um mesmo verbo para se escolher o instante. Dentro do jornalismo, a fotografia pode se dar ao luxo de não ser sempre objetiva, tal como o texto deve ser, por decreto dos fazedores de manuais de redação! Ainda não conseguiram banir a intuição e o inesperado no fazer do fotojornalismo. Mas, se os dois jornais concorrentes tem a mesma foto na capa é porque o fato era realmente importante e a assessoria de imprensa devidamente convidou os dois jornais para a cobertura e os fotógrafos tiveram que ficar confinados num mesmo local, e a ação aconteceu em poucos segundos. Ou seja, a mesma foto óbvia, a mesma cobertura preguiçosa e sem muita ousadia para se descobrir novos pontos de vista.
9. Recentemente um jornal brasileiro publicou uma imagem sobre o frio da cidade de São Paulo. Era um homem encapotado embaixo de um termômetro da Av. Paulista. Foi primeira pagina. Só que o personagem era o motorista do jornal posando para o fotógrafo, em suma uma mentira e uma manipulação. Situações como esta acaba colocando em xeque o trabalho de fotojornalistas. Você acha que existe ética no trabalho de fotojornalistas ?
Claro que existe ética no trabalho do fotojornalista, tanto qto existe ou não ética no trabalho de qq outro profissional. Não quero defender a foto em questão, mas infelizmente dentro deste nosso contexto de imprensa, de lógica de produção de informação, não vejo muita diferença entre colocar um motorista encapotado e a Débora Secco, encapotada. Se fosse a atriz arrepiada de frio, toda global, sob o mesmo termômetro, para a mesma "reportagem", nenhum ombudsman estaria dando a mínima, fosse a foto capa ou não, estivesse ela com frio ou não, conhecesse ela ao fotógrafo ou não. Ética? Importante mesmo é que as vendas e os anúncios não caiam.
Se formos analisar as imagens de, sei lá, 80% das matérias das principais revistas brasileras, podemos ver que as fotos são todas posadas (tirando as fotos das agências). Será que assim os custos e o investimento são menores? Será que esta estética está sendo deliberadamente criada para se diminuir os custos? Sera que já não estamos vendo um monte de motoristas encapotados nas fotografias dos semanais?
10. Está havendo uma espetacularização da fotonotícia ?
Sim. A notícia é mais barata de ser produzida. A notícia é descartável e superficial. E se o publico parece gostar é o que se vai entuchar goela abaixo.
11. Li que a miséria é fotogênica. Qual a sua opinião?
Quaisquer dos dramas humanos são fotogênicos. E a miséria é uma situação de desumanidade extrema. Sim a miséria é fotogênica. Por isto, fotografar a miséria não pode ser um ato gratuíto. A miséria tem que ser mostrada, mas sempre dentro de um discurso objetivo e responsável.
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11/06/2002
Tathi, Graduação, Jornalismo, UniSant'Anna
1- Como foi tomada a decisão pelo curso de Jornalismo?
2- Quando nasceu a paixão pela fotografia?
1 e 2- Eu achava que o jornalismo daria perspectivas de poder vivenciar o Brasil. Adorava ler as reportagens e aquilo era o que eu queria fazer. Ainda no primeiro ano da faculdade, fiz uma viagem pelo rio São Francisco, sozinho e com uma câmara fotográfica, um bloco de anotações e uma mochila nas costas. Eu já fotografava um pouco, em preto e branco. Um amigo meu,arquiteto, tinha um laboratório e assim que ele se casou passou o lab para a minha casa. Comecei a passar horas dentro deste laboratório. Isto me dava tanto prazer qto estar nas ruas fotografando. Outra coisa que me levou à fotografia eram as bibliotecas que tinham acervos maravilhosos de livros de fotografia. Toda vez que eu saia de lá, ficava louco de vontade de fotografar mais e mais. Se antes o que me interessava era a literatura, passei a ficar até um pouco bitolado com a fotografia. só queria saber de fotos... livros de fotos, exposição, o meu laboratório, a minha câmara, as pessoas que ia conhecendo e suas duras realidades...
Indico as bibliotecas da Casa da Fotografia Fuji, do Centro Cultaral SP ( não sei como está agora), do Senac na rua scipião, do museu lasar segall, e os sebos do centro onde encontrei ótimos livros.
3- Quais foram as dificuldades enfrentadas para atuar na área fotojornalística?
3 - O mercado tradicional de fotografia e de comunicação está muito fechado. É preciso matar um leão todos os dias. Terminei a faculdade de jornalismo, mas fotografava basicamente em pb. e assim fui passar uma temporada de 1 ano em Londres, só fotografando em cores. O mercado exige que o fotógrafo trabalhe com cor. Voltei com um portfólio sobre a europa, em cor, e com ele finalmente entrei no mercado de fotojornalismo.
Mas a grande dificuldade é o desrespeito com o profissional. Não digo que isto só acontece com os fotógrafos. acontece tb com os jornalistas em geral. Entrar no mercado é fácil... o problema é se manter dentro dele sem que as empresas te explorem ao máximo. Aos olhos dos empresários, quem está começando tem certas vantagens. custa pouco! por isto não é tão difícil entrar. Claro que tem que ter competência técnica, interesse e segurança para fazer o básico.
Tem diversos mecanismos, que as empresas de comunicação usam para poder explorar a mão de obra dos operários da informação. Pagamentos atrasados, desrespeito com as tabelas dos sindicatos, horas extras não pagas, uso da mão de obra dos estagiários ou dos freelas fixos ( cobertura de férias) por longos períodos e com baixos salários e sem efetivação...
Passei um tempo na isto é, e na folha. Foi mais como um aprendizado e utilizei-me das estruturas delas para poder viabilizar os meus trabalhos pessoais.
Infelizmente nossa classe dos jornalistas é muito fraca e desorganizada. As empresas deitam e rolam sobre os fotógrafos e sobre os jornalistas... esta sim é uma verdade que as revistas, jornais, tvs e rádios não tem o mínimo interesse de divulgar.
4- Quais foram os trabalhos fotográficos mais arriscados e os mais emocionantes de sua carreira?
4- Duas vezes fomos ameaçados de morte. as duas vezes nas eleições de 2000. e as duas vezes com o mesmo repórter, Roberto Cosso, da FSP. Uma na Paraíba, numa cidadezinha chamada Diamante o prefeito estava sendo acusado de assassinar o candidato da oposição à prefeitura. Fomos ameaçados pelos comparsas do prefeito e saímos sertão e noite adentro fugindo de carro e desesperados. A outra foi na Zona Sul de SP, qdo o candidato a vereador Milton Leite fazia um churrasco ilegal, durante a campanha, para 500 pessoas. Fomos de novo ameaçados. Outra situação foi qdo eu flagrei um policial algemando crianças na praça da liberdade. Fui agredido pelo PM. Aliás, infelizmente, isto é coisa comum na profissão, ser agredido por policiais, outras vezes por camelôs, ou perueiros, torcedores de futebol, etc.
5- Uma pequena história sobre o seu trabalho fotojornalístico favorito.
5- Na revista Horizonte Geográfico deste mês de junho, tem uma matéria de 18 páginas sobre o rio São Francisco. Tivemos que lutar muito para termos uma boa edição... Enquanto a revista queria mostrar as paisagens, queríamos mostrar as pessoas. Parece que querem esconder a cara dos brasileiros!!! Não consegui entender muito bem. As páginas iniciais não ficaram do nosso agrado (meu e do repórter que viajou comigo, Fábio Murakawa), mas as páginas finais gostamos muito. O texto foi respeitado na medida do possível.
E tem uma matéria que saiu na Caros Amigos em que o repórter Guilherme Azevedo e eu passamos duas semanas morando na perifeira, em volta de um campo de futebol de várzea que acabou se transformando hoje, numa escola municipal.
6- Fotos usadas em exposições etc e seus respectivos dados e/ou premiações (data, exposição, local, etc)
9- Vida acadêmica (pequeno histórico sobre os cursos de graduação, temporada no exterior, os cursos mais importantes)
6 e 9 - link do meu currículo
7- Quem são os seus fotógrafos favoritos?
7 - A lista é imensa. Admiro muito o trabalho do fotógrafo da Folha, Moacyr Lopes Jr. Um verdadeiro repórter daquele que vai atrás da informação sem se importar com o perigo. Claro tem o Sebastião Salgado, os fotógrafos do Bang Bang Club , James Nachtwey, os clássicos Robert Frank, Cartier-Bresson, etc, etc...
8- Que tipo de trabalho é mais prazeiroso p/ vc? (denúncia social, ecologia, artistas, etc)
8- Gosto da temática social. Nem sei se pelo lado da denúncia... talvez mais pelo lado da comunicação. O Brasil é um país carente e a Bélgica só tem notícias da miséria e das tragédias da Índia. Gosto de mostrar esta India pelo lado de suas realizações. É importante denunciar, mas também é importante formar cidadãos. Por isto gosto de pautas que mostrem situações e soluções para os velhos problemas que nos afligem...
10- A fotografia é uma arte e todo artista tem uma fonte de inspiração. Onde vc busca essa inspiração?
10 - Não faço arte... Com certeza o que me incentiva é ajudar a construir um imaginário mais fiel do que é a realidade do povo brasileiro. Eu sei que a minha contribuição é mínima e que não vai mudar nada. Mas sempre que possível, luto para que a foto que mostre a cara dos brasileiros seja a editada. Do jeito que a mídia trata a questão social, tenho a impressão de que todos os pretos e pobres são ladrões ou são coitados. Grande mentira. Talvez a fotografia seja uma chance daqueles belgas poderem entrar em contato com os hindus deste Brasil, sei lá, talvez isto de alguma maneira ajude a tornar este país um pouco menos cruel e um pouco mais justo. Infelizmente não são muitos os que se dispõem a sair do conforto de seus lares para entrarem em contato com os dramas dos outros.
11- Um conselho ou dica para os estudantes de Jornalismo que pretendem atuar na área fotojornalística.
11 - Fazer jornalismo não é só trabalhar numa editora abril, ou numa fsp ou oesp, recebendo ordens! nestes tempos de crise chega a ser um ato de fé que deve ser incorporado ao dia-a-dia. Acho que há novas alternativas para a comunicação. Diante desta urgência toda que acontece no Brasil, desta concentração toda cruel de renda, há uma maior noção de responsabilidade social nas empresas, na política, nas outras organizações. E se elas decidem ser responsáveis socialmente, elas querem mostrar o que estão fazendo... e aí está um grande filão, matéria-prima para reportagens que mostrem um outro lado deste país tão dividido...Eu ainda acho que há uma demanda muito grande por uma informação de qualidade. e na fotografia, os profissionais ainda parecem que preferem receber as pautas de um editor, qdo é possível cada um de nós ter iniciativa para mostrar o que se está fazendo de bom (ou ruim) neste país...Para quem quiser ser fotojornalista, acho que é legal, como exercício, levantar uma pauta (é tão mais prático, agora com a internet) fazer um monte de fotos e ir pras redações vender o seu peixe